Data da Realização: Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026 Local: Auditório da APLB / Salvador (Modalidade Híbrida) Método de Análise: Paralaxe Classista e Materialismo Histórico-Dialético
📌 Contextualização Conjuntural e Dialética
A Reunião Ampliada da Federação dos Comerciários da Bahia (FEC/Bahia) ocorreu em um momento de inflexão e transição na luta de classes do setor de comércio e serviços. Sob a ótica do materialismo histórico-dialético, a plenária refletiu a contradição vivida pelo movimento sindical contemporâneo: a necessidade de articular a luta institucional e eleitoral com a organização de base e a disputa pelo valor da força de trabalho.
A dualidade verificada na própria divulgação do evento (onde um card enfatizava o caráter político e unificado e outro priorizava a figura do especialista técnico-jurídico) expressa a tensão latente na direção: de um lado, o risco de juridicização e pulverização da luta; de outro, a tentativa de construir o centralismo democrático e a unidade de ação da categoria comerciária na Bahia.
1. 🗳️ Análise das Eleições (Abertura Politico-Conjuntural)
A análise do quadro político pós-eleições foi conduzida pelo dirigente Oliveira. O debate centrou-se em examinar a correlação de forças resultante do pleito eleitoral de 2026 e o seu impacto direto sobre a classe trabalhadora.
Aspectos Centrais da Análise:
- Energia Acumulada e Mobilização Social: Conforme ressaltado na plenária, a disputa eleitoral demonstrou a existência de uma profunda “energia acumulada de demanda na população”, que necessita da centelha da vanguarda sindical para ser canalizada contra a precarização. A virada eleitoral observada em diversos municípios baianos (com forte engajamento no interior e resposta na capital) reforçou a força da organização popular quando conectada às pautas reais do povo.
- Resistência ao Conservadorismo: A avaliação destacou que o resultado eleitoral exige do movimento sindical uma postura de ofensiva diária. Não basta a vitória eleitoral institucional; é indispensável massificar a luta nas ruas e nas portas de fábrica/lojas para derrotar a agenda neoliberal e a extrema-direita que mantêm forte presença nos parlamentos.
- O Papel da FEC na Geopolítica do Trabalho: Ficou sublinhado que a luta da categoria comerciária na Bahia faz parte de um bloco mais amplo de resistência na no Brasil e na América Latina, sendo necessário aparelhar a Federação politicamente para que as eleições se desdobrem em conquistas reais nas Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs).
2. ✊ A Luta Contra a Xenofobia e em Defesa dos Trabalhadores
O debate de conjuntura articulou a defesa da classe trabalhadora baiana e brasileira com o combate ostensivo a todas as formas de opressão e preconceito regional/estrangeiro.
Pontos de Destaque:
- Xenofobia como Ferramenta da Ideologia Dominante: Foi denunciado como o prefeito da capital utiliza o preconceito regional e a xenofobia contra a população nordestina para desvalorizar a força de trabalho local e tentar dividir a unidade da classe trabalhadora em momentos de acirramento político e eleitoral.
- Solidariedade de Classe e Internacionalismo: A plenária reafirmou o compromisso classista de combate à discriminação no ambiente de trabalho. Os dirigentes enfatizaram que a solidariedade entre os trabalhadores (locais, migrantes e imigrantes) é o único antídoto contra as divisões promovidas pela patronal e os seus asseclas e pelas narrativas reacionárias.
3. 📊 A Prestação de Contas da FEC Bahia
Em conformidade com os princípios da transparência e do fortalecimento material da organização classista, foi pautado o balanço das atividades e a saúde financeira da entidade.
Síntese da Análise Financeira e Material:
- Sustentabilidade e Autonomia: Reafirmou-se que a autonomia política da Federação perante o patronato depende exclusivamente da contribuição militante e da regularidade financeira dos sindicatos filiados.
- Superação do Fragmentarismo: Apontou-se a necessidade de superar disparidades entre sindicatos da capital e do interior. A estrutura da FEC deve servir como fundo de solidariedade e suporte logístico/jurídico para fortalecer os sindicatos com menor capacidade financeira, garantindo que a luta do comércio baiano tenha o mesmo padrão de enfrentamento em todos os municípios.
4. ⚖️ Exposição do Dr. Diego Freire: A Emenda Constitucional nº 141/2026 e Orientações para os Dirigentes Sindicais
A exposição técnica do assessor jurídico Dr. Diego Freire debruçou-se sobre a promulgação da Emenda Constitucional nº 141/2026 (que põe fim à escala 6×1 e estabelece a jornada 5×2 com 40 horas semanais) e o Parecer nº 59/2026 da CCJ do Senado.
┌────────────────────────────────────────────────────────────────────────┐ │ CRONOGRAMA DE TRANSIÇÃO DA EC 141/2026 │ ├───────────────────────────────┬────────────────────────────────────────┤ │ 16/10/2026 │ Publicação: Garantida a irredutibilidade│ │ │ salarial (100% dos salários/pisos)[span_27](start_span)[span_27](end_span)[span_28](start_span)[span_28](end_span)│ ├───────────────────────────────┼────────────────────────────────────────┤ │ 16/12/2026 (60 dias) │ Início da 1ª Etapa: limite de 42h │ │ │ semanais + 2 repousos remunerados[span_29](start_span)[span_29](end_span)[span_30](start_span)[span_30](end_span) │ ├───────────────────────────────┼────────────────────────────────────────┤ │ 16/12/2027 (12 meses) │ Limite definitivo: 40h semanais │ │ │ e fim da jornada diária de 8h24[span_31](start_span)[span_31](end_span)[span_32](start_span)[span_32](end_span) │ └───────────────────────────────┴────────────────────────────────────────┘
Principais Teses e Orientações Jurídico-Políticas (Apresentação Freire Advogados):
- A Correlação de Forças Inverteu: O Patronal Precisa do Aditivo:
- Em 16/12/2026, o teto constitucional cai para 42h com 2 folgas. Cláusulas de CCT vigentes que preveem 44 horas ou apenas 1 folga semanal caducam automaticamente.
- Orientação: Quem precisa assinar aditivo coletivo até 11/12/2026 para negociar banco de horas, jornada de 8h24 ou folga por média são as empresas. O sindicato não deve aceitar concessões sem contrapartidas reais.
- Flexibilização Apenas via Negociação Coletiva (Tese 1 da CCJ):
- A CCJ do Senado rejeitou todas as emendas que tentavam autorizar a escala 5×2 ou jornada reduzida por acordo individual (Emendas 14, 22, 29 e 30).
- Orientação: Acordos individuais firmados por empresas (como as redes de supermercados ou Casas Bahia) para impor escalas sem o sindicato são nulos de pleno direito.
- O 2º Repouso É Remunerado e Incide sobre Comissões (Tese 3 da CCJ):
- Para os comerciários comissionistas, o repouso semanal remunerado (RSR) passará a ser calculado sobre 2 dias (aplica-se a Súmula 27 do TST). Para os horistas, o valor-hora deve ser recomposto para evitar redução salarial.
- Enfrentamento à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI do Patronal/CNC):
- A Confederação Nacional do Comércio (CNC) ingressou no STF (03/11/2026) tentando adiar a vigência de 16/12/2026.
- Orientação: Sem liminar concedida pelo STF, a EC 141/2026 vale integralmente. A FEC e os sindicatos devem solicitar ingresso nas ações como Amicus Curiae e acelerar a assinatura dos aditivos para blindar os direitos da categoria.
- Pauta Unificada dos Comerciários da Bahia (As 10 Cláusulas de Aditivo): Foi orientada a inclusão padronizada de 10 cláusulas-chave nos aditivos coletivos de toda a Bahia:
- Divisor 210 (para 42h) e 200 (para 40h);
- Jornada de 8h24 autorizada somente até 15/12/2027;
- Limite máximo de 6 dias seguidos de trabalho;
- Mínimo de 2 domingos de folga por mês para a categoria;
- Divulgação prévia da escala com no mínimo 15 dias de antecedência;
- Garantia de cálculo do repouso para comissionistas sobre os 2 dias;
- Recomposição proporcional do vale-refeição diário;
- Limitação de perda de no máximo 1 repouso em caso de falta injustificada;
- Proibição expressa de qualquer acordo individual sobre jornada.
5. 🎯 Encaminhamentos e Encerramento
Ao final da atividade, superando o imediatismo e garantindo a direção coletiva da luta, a plenária estabeleceu um calendário unificado de ação político-sindical para todo o estado da Bahia:
📅 Calendário de Luta e Encerramento (Novembro/Dezembro 2026):
- Até 13/11 (Sexta-feira): Levantamento detalhado nos sindicatos filiados sobre as escalas vigentes, perfil dos comissionistas, benefícios diários e terceirizados (ex: redes G. Barbosa, Casas Bahia, etc.).
- 14/11 em diante (Mobilização de Base): Distribuição de informativos nas lojas e convocação de assembleias de base pelos sindicatos (ex: ação convocada pelo Sintrasuper) para alinhar a categoria e pressionar os setores patronais.
- 19/11 (Quinta-feira): Envio formal da Pauta Unificada de Aditivos da FEC/Bahia aos sindicatos patronais estaduais e patronais locais.
- 23/11 a 03/12: Rodadas intensivas de negociação coletiva com as bancadas patronais.
- 04/12 (Sexta-feira): Realização de Assembleias Gerais Unificadas nas bases de toda a Bahia para aprovação das propostas de aditivo.
- 10/12 (Quinta-feira): Assinatura formal dos aditivos coletivos da Escala 5×2.
- 11/12 (Sexta-feira): Depósito obrigatório dos aditivos no Sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
⚖️ Síntese do Encerramento:
A reunião foi encerrada reafirmando a unidade de classe. Ficou consignado que a conquista da jornada 5×2 não será dada de presente pelo patronato ou por mera inércia da lei; ela exigirá a combinação irrestrita entre a rigorosa assessoria jurídico-classista e a capacidade de paralisação e mobilização nas portas das lojas. A Federação sai fortalecida como o instrumento central de síntese e comando da categoria comerciária na Bahia.
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