José Rios
A Crise de Hegemonia Global e a Natureza Estrutural da Burguesia Compradora
A conjuntura política brasileira no encerramento de outubro de 2026 atinge seu limiar dialético superior com a consumação da fuga clandestina de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos da América, após o descumprimento de ordens emanadas do Supremo Tribunal Federal para a entrega de seus passaportes e a contenção de evasão de divisas e pessoas. Sob o método do materialismo histórico-dialético e a lente da paralaxe classista, esse episódio não representa um desvio acidental de conduta individual, mas a manifestação ontológica mais límpida da natureza dependente, parasitária e antinacional da burguesia compradora latino-americana. Como formulado na tradição marxista-leninista e nos escritos políticos de Bertolt Brecht sobre a barbárie do lacaio social, a fração reacionária periférica é incapaz de articular um projeto autônomo de nação; sua reprodução material e política assenta-se exclusivamente na função de correia de transmissão dos interesses predatórios do imperialismo sobre as forças produtivas domésticas.
Ao perder a disputa pelo Poder Executivo para Luiz Inácio Lula da Silva — chancelada pelo voto soberano de mais de 64,2 milhões de trabalhadores —, ruiu a ilusão burguesa de que o mandato parlamentar ou o aparato institucional bastariam para conferir salvo-conduto penal e imunidade corporativa permanente. A revelação de que a evasão se deu por rotas clandestinas e sem trânsito pelos postos regulares de migração da Polícia Federal, sob o manto de vistos emergenciais concedidos pela diplomacia norte-americana e sustentados pelo comitê trumpista, desnuda o alinhamento umbilical dessa fração com o polo imperialista. A pretensa defesa da pátria, historicamente agitada pela reação neofascista, desfaz-se perante o fato material de que sua lealdade primeira sempre pertenceu ao centro hegemônico externo, subordinando reservas estratégicas, minerais críticos e o fundo público nacional à pilhagem estrangeira.
A Desagregação da Blindagem Funcional e o Medo da Justiça Comum
No plano da economia política sindical e da sociologia do Estado burguês, a paralaxe classista impõe confrontar a arrogância retórica do consórcio extremista com a sua vulnerabilidade material e penal. O candidato derrotado do Partido Liberal ingressou na contenda eleitoral promovendo a chantagem de reformas constitucionais e um corte orçamentário de R$ 200 bilhões para espoliar a saúde, a previdência e os pisos salariais da classe trabalhadora; contudo, encerrou sua trajetória fugindo do solo nacional ante o pavor da quebra definitiva de seus sigilos bancário e fiscal e do aprofundamento das investigações conexas a crimes financeiros no setor de apostas, fraudes previdenciárias e o caso Dark Horse. A fuga desordenada, que surpreendeu até mesmo a coordenação de sua própria campanha partidária, explicita o pânico de responder à jurisdição republicana comum desprovido do manto protetor da máquina estatal.
Essa conduta frouxa e covarde contrasta diametralmente com a estatura histórica de Luiz Inácio Lula da Silva, que aos 81 anos de idade personifica a autoridade inegociável do movimento operário internacional. Como o próprio presidente sintetizou ao repudiar a fuga do adversário, quem se esconde e evade do seu próprio território carrega a culpa material de crimes contra a coletividade. Enquanto a liderança popular enfrentou perseguições do aparato de exceção e o cárcere sem desertar da sua classe nem fugir da sua terra natal, o representante do capital rentista escolheu a humilhação do asilo de fato, recorrendo às asas do centro imperialista que outrora instigou para sabotar a economia brasileira e tutelar as instituições democráticas soberanas.
A Fratura Ideológica, a Derrota do Tigre de Papel e o Enfrentamento Sindical
A desintegração moral do bloco compradora reverbera diretamente sobre a composição do Congresso Nacional e a luta de classes cotidiana. A bancada parlamentar conservadora, frequentemente retratada pela imprensa corporativa como muralha hegemônica e inexpugnável, revela-se concretamente como o tigre de papel conceituado por Mao Zedong e Vo Nguyen Giap: um agrupamento heterogêneo e frágil de parlamentares réus e investigados por malversação de recursos, desvios patrimoniais e conspirações contra a ordem constitucional. A deserção do seu principal mandatário eleitoral provocou o imediato recuo institucional da legenda partidária, que se viu forçada a reconhecer a legitimidade da vitória popular para evitar a contaminação direta pelo estigma da traição e da criminalidade explícita.
Para o movimento sindical combativo e a vanguarda classista, esse cenário descarta qualquer tentação de conciliação com as frações derrotadas. A vitória eleitoral que assegurou a derrocada da escala de trabalho 6×1 e a desoneração dos alimentos fundamentais precisa ser resguardada pela vigilância ininterrupta nos locais de trabalho, nas fábricas e no espaço público. O combate contra a desinformação operada pelos aparelhos ideológicos burgueses e a perda do monopólio algorítmico da extrema-direita provaram que a mobilização direta das massas é o único antídoto eficaz contra a chantagem dos monopólios de capital transnacional. A classe operária não pode aceitar a normalização da figura do parlamentar foragido: o abandono de deveres e o desrespeito às cortes de justiça impõem a cassação imediata do mandato legislativo por quebra de decoro e traição à soberania popular.
As Tarefas Soberanas da Nova Etapa Histórica
A fuga do lacaio neocolonial sela a vitória moral e política do projeto de reconstrução nacional e autodeterminação latino-americana. Contudo, as determinações da luta de classes exigem a aplicação rigorosa da legalidade socialista e republicana perante os organismos internacionais. O Estado brasileiro deve exigir com firmeza a extradição imediata do foragido por meio da inclusão formal na Difusão Vermelha da Interpol, denunciando qualquer manobra de acolhimento diplomático pelo trumpismo como agressão intolerável à soberania jurisdicional da República.
Internamente, a tarefa histórica que se impõe ao quarto mandato popular de Lula é o redirecionamento irrestrito do fundo público para a reindustrialização autônoma, a expansão dos investimentos estruturantes do Novo PAC e o controle soberano sobre a matriz energética e os minerais críticos, alinhando o Brasil de forma definitiva à vanguarda dos BRICS+ e do Sul Global. O neofascismo e a burguesia compradora foram julgados e derrotados pela história e pelas urnas. A fuga covarde para o império do caos não é refúgio de força, mas a certidão irrevogável da falência dos inimigos do trabalho. A soberania da pátria, recuperada pela coragem de mais de sessenta e quatro milhões de votos proletários, marcha altiva para consolidar a dignidade, o desenvolvimento independente e a emancipação irrestrita do povo brasileiro.
Deixe um comentário