Por José Rios
A Inflexão Geopolítica e a Falsa Universalidade da Hegemonia em Declínio
O desfecho do processo político-eleitoral de 2026 atinge seu momento de máxima densidade histórica no epicentro da crise estrutural de acumulação do capital internacional. Sob o método do materialismo histórico-dialético e da paralaxe classista, a contenda pela Presidência da República ultrapassa os limites formais da liturgia democrático-burguesa e revela o antagonismo irreconciliável entre duas alternativas históricas para a formação socioespacial brasileira. De um lado, estrutura-se a afirmação da soberania popular emancipatória, orientada pelo fortalecimento das forças produtivas domésticas, pela retenção de ativos estratégicos — como as reservas energéticas, os minerais críticos e as terras raras — e pela consolidação de uma ordem multipolar articulada ao Sul Global e aos BRICS+; de outro, atua o consórcio do capital financeiro parasitário consubstanciado na extrema-direita, funcionando como duto de subordinação às conveniências do imperialismo euro-atlântico sob a liderança do extremismo trumpista.
A denúncia das contradições materiais desse alinhamento desnuda a vacuidade do discurso nacionalista abstrato da reação. O patriotismo que ostenta insígnias norte-americanas e mendiga a ingerência de cortes estrangeiras sobre as instituições soberanas nacionais é a expressão clássica da burguesia compradora latino-americana. Para essa fração dependente, a soberania popular é vista como um entrave estrutural à extração da mais-valia absoluta; sua missão histórica limita-se a reconduzir o país à condição de enclave primário-exportador desprovido de capacidade de planejamento industrial autônomo e submetido aos fluxos da especulação internacional.
A Anatomia do Rentismo, o “Tesouraço” Fiscal e a Coerção sobre o Fundo Público
No plano da reprodução material, a paralaxe classista exige confrontar a retórica da responsabilidade fiscal com a crueldade da espoliação que ela encobre. A plataforma econômica patrocinada pela Faria Lima e encabeçada pelo herdeiro do clã extremista ancora-se em um plano de ajuste fiscal regressivo da ordem de R$ 200 bilhões. As estimativas técnicas do movimento sindical e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) desvelam o impacto de classe dessa medida: a destruição direta de mais de 2 milhões de empregos formais, o confisco de dezenas de bilhões de reais da massa salarial circulante e a retração abrupta do Produto Interno Bruto logo em seu primeiro ano de aplicação. A dita austeridade não passa de um dispositivo de expropriação compulsória, destinado a sangrar os orçamentos constitucionais da saúde, da previdência pública e da educação superior para garantir o pagamento pontual do serviço da dívida pública e os lucros extraordinários do capital financeiro parasitário.
Essa sanha rentista conecta-se umbilicalmente à apropriação predatória do aparelho estatal para fins de acumulação privada e impunidade penal. As investigações documentadas sobre o aparelhamento de hospitais federais durante crises sanitárias, os contratos superfaturados de terceirização, o emprego de servidores fantasmas e o desvio institucional de remunerações legislativas (“rachadinhas”) revelam como o mandato político tem sido utilizado como instrumento de blindagem pessoal e corporativa. A recusa contumaz do candidato da reação em responder ao desafio republicano formalizado perante o Tribunal Superior Eleitoral para a quebra concomitante de seus sigilos bancário e fiscal contrasta de modo incontornável com a transparência do campo popular, expondo a fragilidade moral de quem agora, antevendo a derrota nas urnas, articula planos de fuga para o exterior a fim de subtrair-se ao juízo da justiça comum.
A Vanguarda Sindical, o Levante Estudantil e a Práxis da Linha de Massas
A alteração qualitativa na correlação de forças nas últimas horas da campanha decorre da superação da defensiva pela mobilização direta da classe trabalhadora e de seus destacamentos de base. O levante contínuo do movimento estudantil ocupando as avenidas centrais, a agitação permanente de professores, cientistas e artistas engajados, e a vigília ininterrupta das massas nas redes descentralizadas desmontaram a hegemonia das corporações algorítmicas e a guerra psicológica dos institutos de pesquisa corporativos.
Essa práxis operária afirma conquistas materiais concretas que transformaram a vida cotidiana: a estabilidade inflacionária dos alimentos com desoneração da cesta básica, a recomposição dos investimentos públicos em infraestrutura e, centralmente, a vitória histórica da classe na derrubada da jornada extenuante da escala 6×1. O avanço dessas pautas comprova que as garantias fundamentais da cidadania não resultam de concessões das classes dominantes, mas são arrancadas pela pressão organizada no asfalto e no chão da produção. Ao articular ferramentas autônomas de dados públicos com o trabalho capilar de conscientização nas feiras, portas de fábricas e comunidades periféricas, a militância popular demoliu a abstenção induzida e transformou o potencial eleitoral adormecido em força de combate cívico.
O Veredito Inapelável e a Afirmação Soberana das Urnas
A encruzilhada posta para o domingo decisivo define a fronteira histórica entre a barbárie neofascista e a soberania democrática da nação brasileira. A tentativa do consórcio golpista de impor o retrocesso neocolonial esbarrou na maturidade política das maiorias conscientes: operários, donas de casa, populações periféricas, negros, povos indígenas e dissidências que reconheceram a própria potência coletiva. A exigência e a fiscalização ativa do transporte público gratuito constituem o alicerce material para assegurar que nenhum trabalhador seja expropriado do seu direito sagrado ao sufrágio.
A consagração de Luiz Inácio Lula da Silva desponta como o imperativo histórico inegociável da defesa do Estado de Direito, da reindustrialização produtiva e da autodeterminação da América Latina perante o império do caos. Ao depositar nas urnas eletrônicas a sentença inapelável contra o rentismo predatório e seus mandatários traidores da pátria, a classe trabalhadora não apenas garante a continuidade de suas conquistas materiais imediatas, mas reafirma perante a história universal que o destino, a riqueza e a soberania do Brasil pertencem inalienavelmente àqueles que constroem a nação com o suor de suas mãos.
Deixe um comentário