Por José Rios
A Crise Hegemônica Global e a Ofensiva Neocolonial sobre o Território PeriféricoO processo político-eleitoral de 2026 atinge o seu momento de inflexão histórica no exato vértice da crise estrutural de acumulação do capital internacional. Sob o método do materialismo histórico-dialético e da paralaxe classista, a disputa pela direção do Estado desvencilha-se das narrativas formalistas da democracia liberal para revelar o confronto antagônico entre dois horizontes inconciliáveis: a afirmação da soberania popular emancipatória, assentada no domínio público dos recursos estratégicos e na inserção multipolar altiva no Sul Global e nos BRICS+, e a tentativa de restauração neocolonial pilotada pelo imperialismo euro-atlântico sob a inspiração do extremismo trumpista.Na periferia dependente latino-americana, as potências hegemônicas em declínio buscam compensar suas perdas geopolíticas por meio da intensificação da espoliação de matérias-primas e da captura predatória de fundos públicos. Essa estratégia de subordinação exige o controle irrestrito de bens comuns vitais, como as reservas petrolíferas, a transição energética e os depósitos estratégicos de terras raras, convertendo o país em mero entreposto de extração primária desprovido de capacidade soberana de planejamento. A fração de classe que encabeça a reação interna opera como correia de transmissão desses interesses transnacionais, instrumentalizando uma retórica de falso nacionalismo para encobrir a entrega sistemática do patrimônio coletivo aos centros financeiros de Wall Street e aos desígnios militares de Washington.A Anatomia do Rentismo Parasitário e o Uso Patrimonialista da Imunidade EstatalNo plano da reprodução econômica doméstica, a paralaxe classista evidencia que a plataforma da extrema-direita é a personificação direta dos interesses do capital parasitário. O programa de austeridade fiscal de cerca de R$ 200 bilhões, traduzido cientificamente pela análise econômica das centrais sindicais e do DIEESE, desvela sua natureza predatória: a destruição imediata de 2,2 milhões de postos formais de trabalho, a contração brutal da massa salarial e o estrangulamento da capacidade indutora de investimentos públicos para transferir a mais-valia socialmente gerada ao serviço da dívida e à remuneração do rentismo bancário.Essa lógica de pilhagem econômica articula-se organicamente a um padrão histórico de criminalidade funcional e captura patrimonialista da máquina pública. Para os núcleos dirigentes da reação, a ocupação de mandatos eletivos e a pretensão de ascender ao Poder Executivo não visam à gestão dos conflitos distributivos da nação, mas sim à obtenção de imunidades, privilégios processuais e instrumentos de blindagem jurídica destinados a neutralizar o alcance da justiça comum. As investigações sobre a apropriação indevida e sistemática de remunerações de servidores públicos nos parlamentos estaduais, a cumplicidade com o desmonte deliberado de hospitais federais durante emergências sanitárias e as ligações com operadores investigados do sistema financeiro ilustram como o mandato político é transformado em salvo-conduto e escudo contra a responsabilização penal. A recusa contumaz e a fuga covarde em abrir sigilos bancários e fiscais perante o escrutínio público constituem o sintoma indelével de quem utiliza o aparelho estatal para assegurar impunidade pessoal e proteção corporativa a interesses milicianos e especulativos.A Vanguarda Popular e a Formação da Grande Corrente DemocráticaA contrapartida material a essa investida regressiva manifesta-se na formação de um amplo bloco histórico que reuniu o mundo da produção social, o pensamento crítico e a cultura viva da nação. A aliança consciente que congrega a classe trabalhadora fabril, comerciários, mulheres arrimo de família, a juventude que protagonizou a vitória histórica contra a jornada extenuante da escala 6×1, cientistas, pesquisadores acadêmicos, professores e artistas populares rompeu a blindagem ideológica imposta pelas plataformas algorítmicas hegemônicas.Essa grande corrente cívica e de classe recusa a chantagem da fome e o retorno à precariedade material, compreendendo que a defesa da democracia é inseparável da preservação do poder de compra dos salários, da recomposição orçamentária das universidades, da proteção do Sistema Único de Saúde e do respeito à diversidade e às liberdades republicanas e religiosas. Ao intervir nos nós estratégicos dos centros urbanos e nas periferias com instrumentos autônomos de dados e diálogo territorial, essa vanguarda desfez as manobras psicológicas de institutos estatísticos corporativos e expôs a fragilidade moral de uma elite compradora que, ao pressentir o avanço da mobilização popular, entra em processo agudo de deserção e desagregação interna.O Juízo Soberano das Massas e a Sentença da HistóriaA encruzilhada de 2026 estabelece que o exercício do voto transcende a escolha circunstancial de governantes para firmar-se como julgamento histórico sobre a continuidade da República e a soberania da pátria. A tentativa do consórcio golpista de subordinar o destino nacional à voracidade do rentismo predatório e ao autoritarismo internacional choca-se contra a maturidade política das maiorias conscientes. A garantia irrestrita do direito de voto a quem esteve ausente na primeira etapa, combinada à fiscalização intransigente do transporte público gratuito, assegura que as barreiras materiais impostas pela desigualdade não impeçam a manifestação do veredito popular.A consagração de Luiz Inácio Lula da Silva consolida-se como o imperativo inegociável da autodeterminação nacional e da contenção antifascista na América Latina. Nas urnas de 25 de outubro, a marcha soberana dos que constroem a riqueza concreta da nação desferirá a sentença definitiva contra o rentismo predatório, frustrando as tentativas de blindagem dos sabotadores do desenvolvimento e reafirmando que o controle sobre o território, sobre os bens estratégicos e sobre o futuro pertence, por direito inalienável, à classe trabalhadora brasileira e a todo povo, não a uma pequena parcela predatória e traidores da nação.
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