Por José Rios
A Determinação Geopolítica: A Reconfiguração Global e a Ofensiva Neocolonial
O desfecho do processo político-eleitoral de 2026 condensa as contradições ontológicas da crise geral de acumulação capitalista e a transição da hegemonia unipolar para a multipolaridade articulada pelo Sul Global e pelos BRICS+. Sob o método do materialismo histórico-dialético e da paralaxe classista, a disputa pela presidência da República transcende o mero certame da democracia representativa burguesa e explicita a clivagem estrutural entre a afirmação da soberania emancipatória e a tentativa de restauração neocolonial pilotada pelo imperialismo euro-atlântico sob a égide do trumpismo transnacional.
Na periferia latino-americana, o grande capital financeiro e as potências em declínio impõem um modelo de acumulação primitiva contemporânea que busca converter o território em mero entreposto extrativo de matérias-primas e enclave de desregulamentação ambiental e laboral. A disputa em torno dos bens comuns estratégicos — reservas de petróleo, transição energética e depósitos de terras raras — coloca em confronto duas estratégias antagônicas de inserção internacional. De um lado, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva postula o fortalecimento da soberania decisória, o domínio estatal das cadeias minerais estratégicas, a reindustrialização do parque produtivo e a integração altiva no bloco dos países emergentes; de outro, a fração encabeçada por Flávio Bolsonaro opera como preposta dócil da geopolítica imperial de Washington, instrumentalizando uma retórica de falso patriotismo para encobrir a submissão irrestrita aos interesses econômicos e militares dos Estados Unidos e ao alinhamento com a extrema-direita trumpista.
A Anatomia Econômica do Rentismo Predatório e a Captura da Superestrutura
No plano da reprodução material doméstica, a paralaxe classista desvela a conexão indissolúvel entre a austeridade fiscal preconizada pela burguesia rentista e a degradação das condições de vida do proletariado. O projeto econômico da reação assenta-se na asfixia orçamentária compulsória para assegurar a remuneração extraordinária do capital fictício via serviço da dívida pública, o que exige a destruição dos pisos constitucionais da seguridade social, a quebra da indexação das aposentadorias públicas ao salário mínimo e a retração das despesas com saúde, educação superior e pesquisa científica.
Essa ofensiva contra o mundo do trabalho ganha materialidade histórica na trajetória pregressa das frações reacionárias. As investigações sobre a gestão hospitalar durante crises sanitárias e a captura de estruturas do Sistema Único de Saúde no Rio de Janeiro demonstraram a prevalência de contratos predatórios de terceirização, superfaturamento de insumos e intermediações espúrias, espelhando a mesma lógica que moveu esquemas com agentes financeiros do rentismo parasitário e a apropriação indevida de remunerações de servidores públicos. A postura defensiva e a recusa sistemática do candidato do rentismo em submeter seus sigilos patrimoniais e fiscais ao escrutínio público desnudam a contradição entre a moralidade retórica e as práticas concretas de espoliação do fundo público.
Em contraposição, a pauta da classe trabalhadora afirma a dignidade humana através da expansão dos direitos laborais, consubstanciada no avanço histórico contra a jornada extenuante da escala 6×1, na garantia de recomposição do poder aquisitivo dos salários e na soberania alimentar garantida pela formação de estoques públicos reguladores. O confronto de classe opõe, portanto, a mercantilização total da vida social sob a tutela de monopólios transnacionais à utilização indutora do Estado para o atendimento das carências materiais fundamentais da maioria produtora da riqueza.
A Práxis Insubmissa das Maiorias e o Juízo Histórico das Urnas
A definição do pleito eleitoral exige ultrapassar as ilusões da neutralidade formal das instituições e reconhecer que a correlação de forças se define na capacidade de mobilização das massas conscientes. A investida neofascista apoia-se em mecanismos de guerra psicológica, disseminação massiva de desinformação digital e provocação cenográfica importada de consultorias do extremismo internacional, procurando anestesiar o conflito social e induzir a classe trabalhadora à abstenção e à apatia política.
A resposta histórica formulada pelo campo popular reside na ativação da vanguarda estudantil no asfalto, na combatividade dos sindicatos de base, na intervenção da cultura engajada e na articulação territorial das periferias urbanas, dos povos originários, das comunidades quilombolas e das dissidências. O enfrentamento das barreiras materiais ao sufrágio — com ênfase na garantia irrestrita e na fiscalização popular da gratuidade total do transporte público coletivo, somada ao esclarecimento massivo sobre o pleno direito de voto a quem não participou do primeiro turno — desarticula as tentativas oligárquicas de contenção da soberania cívica.
A encruzilhada brasileira atinge dimensão internacional inegociável. A consolidação da vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva representa o imperativo histórico e civilizatório para frear a ofensiva recolonizadora do império do caos, resguardar os bens estratégicos da nação e erguer uma muralha política contra a ascensão do neofascismo em todo o continente latino-americano, reafirmando que o controle sobre as forças produtivas e o destino da República pertencem, por direito soberano e inalienável, à totalidade do povo trabalhador.
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