Por José Rios
A Determinação Geopolítica e a Falsa Neutralidade da Ordem NeocolonialO desfecho do processo político-eleitoral de outubro de 2026 condensa as determinações fundamentais da crise de acumulação do capital e a reorganização da geopolítica mundial rumo à multipolaridade,. Sob o método do materialismo histórico-dialético e da paralaxe classista, a disputa pelo Estado nacional não se reduz à mecânica eleitoral da democracia burguesa, mas consubstancia o confronto ontológico entre dois projetos históricos irreconciliáveis. De um lado, articula-se a afirmação da soberania popular, assentada no desenvolvimento das forças produtivas nacionais, na defesa irredutível dos recursos estratégicos — como as reservas de petróleo, as terras raras e a transição ecológica — e na inserção altiva do país no bloco dos BRICS+ e no Sul Global,. De outro, atua o consórcio golpista do rentismo predatório e da extrema-direita, funcionando como correia de transmissão interna das diretrizes hegemônicas de Washington e do trumpismo transnacional,.A recente repercussão internacional em torno dos debates presidenciais desmistificou o biombo ideológico que encobria a fração subordinada ao capital financeiro global. A relutância sistemática do candidato da reação em responder sobre compromissos com potências estrangeiras relativos à entrega do patrimônio mineral brasileiro desvela a condição estrutural de subserviência das classes dominantes periféricas. Para a burguesia compradora e o rentismo transnacionalizado, a soberania nacional constitui um entrave à acumulação primitiva contemporânea; seu objetivo precípuo é transformar o território em um enclave de exportação primária desprovido de regulação estatal, submetendo a política externa às conveniências geopolíticas do império do caos em declínio.O Desmonte do Mundo do Trabalho e a Dialética do Confronto EleitoralNo plano da reprodução material, a fratura de classes expressa-se na contradição irreconciliável entre o mundo do trabalho e o capital parasitário. A plataforma econômica da extrema-direita ancora-se na aplicação de uma austeridade fiscal draconiana, articulada para retirar recursos do fundo público e drená-los compulsoriamente para o pagamento de encargos da dívida pública e a remuneração de rentistas da Faria Lima e de Wall Street,. Esse projeto atinge diretamente o coração da seguridade social ao projetar a quebra da indexação constitucional do salário mínimo às aposentadorias públicas e a asfixia das dotações orçamentárias da saúde, da educação superior e da ciência pública,.A ofensiva patronal contra a legislação protetiva do trabalho ganha nitidez no debate em torno da escala 6×1. Enquanto a reação defende a flexibilização irrestrita sob o manto falacioso do “acordado sobre o legislado”, pretendendo perpetuar jornadas extenuantes e a precarização das novas gerações de trabalhadores, o polo popular assume como bandeira de Estado o tempo de vida, o descanso remunerado e a estabilidade das relações laborais. A tentativa do candidato do rentismo de contornar esse confronto concreto por meio de técnicas de provocação cenográfica, caretas para algoritmos de redes digitais e discursos messiânicos inspirados no treinamento de influenciadores e de marqueteiros ultraconservadores não esconde a vacuidade programática de quem construiu sua trajetória pública sobre a apropriação indevida de recursos de gabinetes e a blindagem judicial contra acusações de corrupção funcional.A Vanguarda Estudantil, a Cultura Engajada e a Inflexão nas RuasA virada política registrada nas vésperas do sufrágio decorre da superação da apatia pela irrupção impetuosa da classe trabalhadora organizada e de seus destacamentos de vanguarda,. A aliança estratégica entre o movimento estudantil, os sindicatos classistas e a vanguarda artística popular — materializada em atos massivos nos centros urbanos e nas periferias de todo o território nacional — devolveu ao asfalto o centro de gravidade da contenda. O lema entoado pela juventude trabalhadora de não desocupar as ruas até o fechamento das urnas traduz a consciência de que a derrota do fascismo não emana de conciliações burocráticas pelo alto, mas da mobilização permanente da cidadania ativa.Essa energia coletiva desarma a eficácia das fraudes informacionais produzidas pelo consórcio golpista. A cultura viva, o engajamento dos artistas e a pedagogia popular praticada nas portas das fábricas, nos terminais de transporte coletivo e nas feiras de bairros operários transformam a indignação com a carestia e o arrocho em força material de conscientização de classe. A batalha pela garantia material do transporte público 100% gratuito no dia do pleito constitui a garantia indispensável para que o veredito popular não seja sequestrado pelo poder econômico local, viabilizando o comparecimento maciço das parcelas historicamente excluídas do processo democrático.O Veredito Histórico e a Soberania InegociávelA aproximação do sufrágio universal de 25 de outubro coloca o Brasil diante de uma decisão civilizatória cuja ressonância ultrapassa os limites geográficos da América Latina. O desfecho da corrida presidencial definirá se o país se curvará à lógica de espoliação e subserviência colonial exigida pelos centros hegemônicos ou se consolidará a sua trajetória de soberania, reindustrialização produtiva e valorização da classe que produz a totalidade da riqueza social,.A tentativa do consórcio rentista de impor a barbárie institucional choca-se contra a maturidade política das maiorias trabalhadoras. Ao conjugar a combatividade operária, a determinação estudantil e o compromisso inabalável com a integridade das instituições republicanas, o povo brasileiro ergue uma trincheira inexpugnável contra a capitulação e o autoritarismo. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva desponta como o imperativo histórico e republicano necessário para barrar a restauração neofascista, reafirmando que o destino nacional é obra e propriedade soberana das massas populares.
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