Por José Rios
A Inflexão Poético-Dialética: A Arte como Força Material na Luta de Classes. A célebre composição de Violeta Parra, eternizada na voz militante de Mercedes Sosa, ressoa não apenas como lirismo combativo, mas como categoria viva do materialismo histórico-dialético: “Me gustan los estudiantes porque son la levadura, el pan que saldrá del horno con toda su sabrosura para la boca del pobre que come con amargura”. A arte revolucionária e a cultura popular nunca foram meros adereços superestruturais ou espetáculo contemplativo; na tradição da estética marxista, a canção engajada, o teatro de rua e as manifestações gráficas operam como força material direta, capaz de desmantelar a ideologia dominante e acelerar a tomada de consciência das massas exploradas.Sob a paralaxe classista, a entrada em cena da juventude estudantil e dos artistas populares altera qualitativamente a correlação de forças na reta decisiva da contenda eleitoral de 2026. Enquanto o consórcio golpista do capital parasitário mobiliza montantes bilionários da finança predatória, algoritmos corporativos e a chantagem moralista para impor o medo e a passividade, a confluência entre o movimento estudantil e a cultura de vanguarda devolve ao asfalto a alegria subversiva, a imaginação radical e a certeza ontológica de que a história é moldada pela ação consciente dos trabalhadores.2. A Paralaxe dos Estudantes: “Pajarillos Libertarios” contra a Bota NeocolonialO confronto histórico desvela duas visões irreconciliáveis de juventude e de universidade sob o capitalismo dependente:A ofensiva do rentismo predatório e da extrema-direita enxerga a educação como mercadoria e os estudantes como engrenagens descartáveis para a valorização fictícia do capital. Seu projeto histórico reside no esvaziamento orçamentário dos institutos federais e universidades públicas, na asfixia da pesquisa soberana e na imposição do obscurantismo corporativo. É o retorno daquele projeto que a canção denunciava: “quando les meten al oído sotanas y regimientos”, isto é, a tutela ideológica e a repressão armada para silenciar o pensamento crítico e naturalizar a entrega das riquezas nacionais ao império do caos.Em sentido diametralmente oposto, a juventude trabalhadora e o movimento estudantil organizam-se como “aves que no se asustan de animal ni policía”. Eles não aceitam o ardil de quem lhes diz “farinha sabendo-se que é farelo”: desmascaram o discurso hipócrita do arrocho fiscal e da conciliação forçada, apontando que o chamado “tesouraço” nas despesas sociais é o mecanismo com o qual banqueiros confiscam a merenda, a bolsa de permanência, o livro didático e a perspectiva de futuro da juventude periférica. A aliança orgânica entre cientistas, futuros médicos, engenheiros, professores e operários afirma o saber socialmente produzido a serviço da emancipação do povo e da industrialização soberana do país.3. A Matriz PAID-MAPE: Planejamento, Arte e Práxis Sindical na Semana FinalA aplicação da metodologia de Planejamento e Ação Integral do Desenvolvimento com Mobilização Popular e Articulação Estratégica (PAID-MAPE) exige canalizar a efervescência cultural e a combatividade estudantil em diretrizes táticas concretas nos sete dias que antecedem o pleito de 25 de outubro: * A Arte Engajada como Agitação de Base: Músicos, poetas, atores e comunicadores periféricos devem ocupar os nós críticos de circulação de massas — praças públicas, estações de metrô, portas de fábricas e feiras livres —, transformando a agitação política em festivais de resistência e pedagogia popular. A arte desarma o ódio fascista, ridiculariza a covardia dos prepostos do rentismo que imploram intervenções imperialistas no exterior e devolve ao trabalhador a autoestima de pertencer à classe que gera a totalidade da riqueza social. * A Infantaria Conjunta Estudantil-Sindical: A juventude universitária e secundarista deve ombrear com os sindicatos classistas nos locais de produção e nos terminais de transporte coletivo. A vitória da redução da jornada e o sepultamento da nefasta escala 6×1 não foram concessões do Parlamento, mas conquistas arrancadas pela fúria criativa dos jovens nas avenidas; essa mesma energia deve agora explicar ao trabalhador do comércio, da indústria e dos aplicativos que a reeleição de Lula é o pressuposto imediato para manter o salário mínimo valorizado, impedir o confisco das aposentadorias e garantir o descanso com dignidade. * A Batalha pelo Transporte e a Liquidação da Abstenção: O movimento estudantil e as centrais sindicais têm a tarefa indeclinável de organizar a fiscalização ativa e a difusão massiva do passe livre no domingo decisivo. O transporte público gratuito conquistado legalmente não pode ser sabotado por interesses oligárquicos municipais; as brigadas populares devem garantir que nenhuma mãe solo, nenhum trabalhador idoso e nenhum jovem periférico seja privado do exercício sagrado do sufrágio por restrições materiais de locomoção.4. A Aliança do Pão e da Poesia: A Vitória InegociávelA história universal das lutas dos povos comprova que nenhum poder oligárquico resiste quando a classe trabalhadora reconhece a si mesma e encontra na juventude a sua fagulha de insubmissão. Os estudantes e os artistas não são apêndices da luta política; são a síntese viva da consciência de classe que recusa o silêncio diante da barbárie.O consórcio golpista do capital parasitário e seus patrocinadores transnacionais cometeram o erro de subestimar a capacidade de indignação do povo brasileiro. Acreditavam que a desinformação digital e o poderio econômico sufocariam a chama da soberania. Depararam-se, contudo, com a levadura das ruas, com as bandeiras erguidas da estudiantina, com os cantos populares que resgatam a dignidade de quem constrói a pátria.A contagem regressiva para 25 de outubro não é uma espera passiva, mas uma ofensiva de massas. Com a firmeza dos sindicatos, a audácia da juventude e a poesia das multidões, o povo brasileiro marchará até as urnas para reeleger Lula Presidente, impor uma derrota terminal ao neofascismo e abrir um ciclo luminoso de soberania, pão, ciência e liberdade para toda a nação.
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