José Rios
1. A Inflexão Geopolítica e a Determinação Estrutural da DisputaO processo eleitoral brasileiro de outubro de 2026 adentra seus momentos decisivos sob o influxo direto da crise geral de acumulação capitalista e da transição para uma ordem multipolar. Sob o método do materialismo histórico-dialético e da paralaxe classista, a contenda pelo Poder Executivo despoja-se das ilusões de conciliação de gabinete e revela-se como o teatro da luta viva entre dois projetos societários inconciliáveis. De um lado, situa-se o polo democrático e popular orientado à defesa da soberania sobre os recursos estratégicos, ao fortalecimento dos BRICS+ e à afirmação do desenvolvimento produtivo articulado com a valorização do trabalho e a justa distribuição da renda. De outro, atua o consórcio golpista do capital parasitário, operando como correia de transmissão interna das diretrizes hegemônicas do império do caos e da especulação financeira transnacional.A periferia do sistema capitalista mundial é convocada a pagar a conta do enfraquecimento relativo do imperialismo euro-atlântico. Para amortecer as contradições dos centros de poder em crise, exige-se a transformação do Brasil em um enclave fornecedor de matérias-primas e receptor compulsório de políticas de austeridade. O rentismo predatório não tolera a destinação do fundo público para a saúde, a previdência e a educação; seu objetivo precípuo é canalizar compulsoriamente a mais-valia socialmente produzida para o serviço da dívida e para a remuneração de parasitas financeiros. O sufrágio universal converte-se, portanto, em uma barreira de contenção civilizatória: ou o país reafirma sua autodeterminação histórica ou retrocede à condição subordinada de protetorado exportador primário.2. O Programa Real do Rentismo Predatório e o Desmonte do Estado SocialA análise minuciosa das plataformas em disputa expõe a fratura material que separa as classes fundamentais. Enquanto a candidatura popular assume o compromisso histórico da valorização do salário mínimo, da recomposição dos direitos laborais e da defesa do Estado como indutor do crescimento econômico e da infraestrutura soberana, a reação encabeça uma agenda de espoliação radicalizada:A ameaça à Consolidação das Leis do Trabalho ganha contornos explícitos sob o ardil da modernização e da livre pactuação. A desregulamentação pretendida pelo rentismo predatório busca atomizar o proletariado urbano e rural, privando as novas gerações de estabilidade, aposentadoria digna e jornada delimitada. O recuo tático e eleitoreiro da extrema-direita em relação a pautas como o fim da escala 6×1 revela o medo do veredito das urnas, mas nos círculos do capital financeiro reitera-se a promessa de anular salvaguardas trabalhistas após o sufrágio.O anunciado corte de centenas de bilhões de reais nos orçamentos sociais — vendido à burguesia compradora como imperativo de responsabilidade fiscal, — incidirá cirurgicamente sobre a carne da classe trabalhadora. O plano arquitetado pelo capital especulativo prevê a desvinculação constitucional do salário mínimo às aposentadorias públicas e a destruição dos serviços universais de atendimento médico e farmacêutico,]. Pretende-se transformar a seguridade social em mercado cativo de fundos de previdência privados controlados por bancos transnacionais, desresponsabilizando o grande empresariado da reprodução da força de trabalho.O projeto de desmonte atinge simultaneamente as agências de soberania alimentar e abastecimento popular. Ao atacar as estruturas de formação de estoques públicos reguladores, o consórcio golpista entrega o preço do pão, do arroz e dos produtos de primeira necessidade à sanha especulativa do agronegócio de exportação, retirando do Estado qualquer instrumento de proteção ao padrão de vida das famílias exploradas.3. A Falácia da Imparcialidade e a Anatomia da Falsa ConsciênciaA paralaxe classista impõe dissolver a fumaça das narrativas da superestrutura burguesa. A grande mídia corporativa busca equiparar as trajetórias dos postulantes por meio de um formalismo que mascara o conteúdo das folhas corridas. A perseguição judicial pretérita contra a liderança popular representou uma operação geopolítica explícita de guerra jurídica (lawfare), voltada a viabilizar o golpe parlamentar e desmantelar a cadeia produtiva nacional. Em sentido diametralmente oposto, a blindagem cartorial e as anulações de processos que envolvem esquemas de corrupção familiar e apropriação indevida de recursos de gabinetes operam como mecanismo de impunidade para as frações que se subordinam aos interesses do grande capital.A adesão de setores populares a esse programa de servidão neocolonial repousa sobre a mecânica da falsa consciência e da alienação ideológica. O consórcio golpista mobiliza pânicos morais, armamentismo e apelos obscurantistas para desviar o foco da exploração material cotidiana. Constrói-se a ilusão de que o endurecimento punitivista e a militarização da vida social resolverão a insegurança, enquanto, na prática, as classes subalternas das periferias são as vítimas primárias da violência de Estado e da desregulamentação armada,]. A manipulação psicológica busca induzir a maioria a depositar suas esperanças nos executores materiais de seu próprio empobrecimento.4. O Movimento Sindical Classista e a Práxis nos Territórios DecisivosA virada política necessária nos dias que antecedem 25 de outubro exige a aplicação rigorosa da teoria da linha de massas formulada pelo pensamento revolucionário, conectando a energia insubmissa das ruas à disciplina organizativa das bases territoriais e sindicais:A vanguarda sindical classista tem a tarefa imediata de romper a passividade e disputar os locais de concentração operária. Nas portas de fábrica, canteiros de obras, depósitos de logística, estações de transporte e centros de atendimento, deve-se adotar uma pedagogia socrática e materialista: demonstrar sem abstrações que a vitória do rentismo predatório significa a redução do poder aquisitivo familiar, o corte nas pensões, o fim do reajuste do piso nacional e a perda do tempo de descanso remunerado.A mobilização da juventude trabalhadora e estudantil, que transformou as avenidas e praças nas últimas semanas em verdadeiras marés de resistência,], deve irradiar para o interior dos bairros proletários. O nó crítico da abstenção eleitoral não se resolve pela contemplação passiva de metas numéricas, mas pela presença militante solidária: organizar brigadas nos bairros para combater as campanhas de desinformação, acolher o eleitorado idoso e os beneficiários de programas sociais, e garantir que a voz da classe trabalhadora compareça em massa às seções de votação.A fiscalização militante e incondicional da gratuidade no transporte público coletivo nos municípios e regiões metropolitanas constitui um imperativo de classe. Nenhuma barreira econômica pode impedir a locomoção do povo pobre no exercício do seu direito soberano. Essa vigilância territorial precisa estar combinada à contenção firme de qualquer provocação golpista orquestrada por mercenários a soldo do império.A classe trabalhadora é a única arquiteta de toda a riqueza social e a verdadeira senhora do destino nacional. Ao cerrar fileiras na defesa de suas conquistas históricas, da dignidade do trabalho e da integridade da pátria, as forças populares brasileiras erguerão nas urnas de 25 de outubro a muralha inexpugnável que derrotará o fascismo e a rapina do rentismo predatório, abrindo um novo horizonte de emancipação e soberania para o Brasil.
Deixe um comentário