Por José Rios
- A Inflexão Geopolítica e a Essência de Classe da Encruzilhada BrasileiraA doze dias da realização do pleito presidencial de 25 de outubro de 2026, a formação socioespacial brasileira atinge o ápice de sua tensão política e institucional sob a determinação direta da crise geral de acumulação do capitalismo contemporâneo. Sob o crivo metodológico do materialismo histórico-dialético e da paralaxe classista, a disputa pelo Poder Executivo despoja-se de qualquer ilusão formalista de alternância rotineira no interior da democracia liberal burguesa. Manifesta-se, de forma direta e irreconciliável, a contradição entre dois blocos históricos antagônicos: de um lado, a afirmação da soberania nacional integrada ao movimento multipolar do Sul Global e dos BRICS+, vinculada ao desenvolvimento produtivo e à distribuição da renda socialmente gerada; de outro, a tentativa de restauração neocolonial pilotada pelo imperialismo euro-atlântico e executada internamente pelo consórcio golpista do capital parasitário.O enfraquecimento relativo do centro hegemônico imperialista nos teatros estratégicos da Eurásia impele as potências do Norte global a reforçarem as amarras de dominação sobre suas periferias históricas, elegendo a América Latina e o Brasil como reservas compulsórias para a extração predatória de recursos estratégicos. Para o capital monopolista internacional e seus operadores financeiros, a apropriação das reservas do Pré-Sal, o controle de minerais críticos e a subordinação do fundo público ao rentismo constituem imperativos de amortecimento de sua própria crise estrutural. O embate nas urnas condensa essa disjuntiva histórica objetiva: ou o país consolida seu papel como artífice soberano de uma ordem internacional equilibrada e multipolar, ou retrocede à condição subalterna de protetorado exportador primário subordinado aos ditames de Washington.2. A Anatomia do Consórcio Golpista do Capital Parasitário e a Sabotagem EstruturalA correia de transmissão interna desse projeto recolonizador consolida-se na aliança orgânica entre o latifúndio agroexportador, a burguesia compradora e as frações especulativas da finança nacional e internacional. Essa fração dominante, desprovida de qualquer compromisso histórico com as forças produtivas autônomas ou com a emancipação do povo trabalhador, busca impor um programa econômico de terra arrasada desenhado para aniquilar o arcabouço protetivo do trabalho e da seguridade social construído a partir de 1988.Essa investida ganha contornos explícitos no cerco institucional desatado contra os direitos fundamentais da classe trabalhadora:A precarização irrestrita da legislação trabalhista, camuflada sob o ardil da flexibilização contratual, visa institucionalizar a superexploração do proletariado urbano e rural, confinando as novas gerações e os trabalhadores informais a jornadas exaustivas e desprovidas de seguridade ou descanso remunerado.A tentativa de quebra da indexação constitucional do salário mínimo às aposentadorias públicas tem por finalidade expropriar o patrimônio da previdência social para transformá-lo em mercado cativo dos conglomerados bancários privados, impondo o confisco deliberado da renda de milhões de idosos e famílias vulneráveis.O desmantelamento premeditado de órgãos públicos estratégicos responsáveis pela regulação de estoques de alimentos e pelo abastecimento nacional, somado à liquidação de instituições de patrimônio histórico, comunicação pública e assistência sanitária básica, desvela o projeto de entrega da soberania alimentar à especulação predatória dos cartéis do agronegócio e a privatização de serviços essenciais.O consórcio golpista do capital parasitário mobiliza ainda a histeria de guerras culturais e o moralismo punitivista como cortina de fumaça ideológica para encobrir a rapina do fundo público e a alienação das riquezas minerais e energéticas em favor de corporações estrangeiras.3. A Dialética do Asfalto e a Superação do Fetiche EstatísticoA dinâmica dos últimos dias produziu uma alteração qualitativa na correlação de forças sociais. A arrogância inicial dos círculos reacionários, que pretenderam consolidar um fato consumado político amparados no poder econômico e na disseminação algorítmica de desinformação, esbarrou na irrupção consciente das massas trabalhadoras e da juventude nos principais centros urbanos do país.O ascenso das mobilizações de rua e a presença multitudinária da juventude trabalhadora e estudantil romperam a letargia do pós-primeiro turno, devolvendo a iniciativa política ao campo popular e democrático. Essa demonstração viva de energia desfez o clima de paralisia e recolocou a luta de classes em seu terreno originário: o da disputa concreta pelo espaço público e pela consciência das maiorias exploradas.A paralaxe classista impõe, contudo, superar as ilusões do materialismo vulgar e da engenharia estatística abstrata. O avanço eleitoral necessário não se concretiza pela mera reprodução de infográficos de metas percentuais nas redes fechadas de mensagens instantâneas. A ampliação da vantagem histórica nos bastiões do Nordeste e a disputa voto a voto no Centro-Sul não são fenômenos aritméticos espontâneos, mas frutos da intervenção política organizada e do enraizamento nos territórios vivos: no chão das fábricas, nos canteiros de obras, nas periferias metropolitanas, nos assentamentos camponeses e nas comunidades tradicionais e quilombolas.4. Diretrizes Estratégicas e Sindicais para a Batalha dos Doze DiasA condução dos doze dias derradeiros exige a aplicação disciplinada dos métodos de planejamento popular (PES-MAPP / PAID-MAPE) articulados à concepção estratégica da guerra de posições formulada pelo pensamento revolucionário, convertendo a combatividade do asfalto em densidade soberana nas urnas:A pauta do tempo de vida e da dignidade do trabalho deve ser colocada no centro da agitação política nos locais de trabalho. A defesa intransigente do fim de escalas de trabalho extenuantes e a redução da jornada laboral sem corte salarial constituem o programa material imediato capaz de mobilizar e atrair a juventude proletarizada dos serviços e das plataformas digitais.A organização de brigadas sindicais e comitês populares descentralizados nos bairros de maior índice histórico de abstenção constitui o nó crítico prioritário da intervenção tática. O convencimento da fração trabalhadora que se afastou das urnas deve ancorar-se na pedagogia socrática materialista: desmascarar a submissão entreguista da oposição demonstrando o perigo palpável de carestia alimentar, congelamento das aposentadorias e esvaziamento da assistência farmacêutica pública caso triunfe o rentismo predatório.A fiscalização militante e inegociável da garantia legal da gratuidade absoluta do transporte coletivo urbano e intermunicipal no dia da eleição constitui condição elementar para que nenhuma barreira econômica impeça o exercício do voto pelo trabalhador pobre e pelo eleitorado idoso com mais de setenta anos de idade.A sustentação de vigilância permanente contra provocações mercenárias, terrorismo psicológico familiar e arroubos golpistas de sabotagem institucional deve ser garantida com serenidade, firmeza ideológica e disciplina de massas.A classe trabalhadora brasileira é o sujeito histórico incontornável que sustenta e produz toda a riqueza material da sociedade. Nos doze dias decisivos que separam o país da definição do seu destino, as forças sindicais classistas, a juventude e os movimentos populares marcharão unidos e mobilizados para quebrar o garrote colonial, sepultar a ameaça reacionária nas urnas e consagrar a vitória inapelável da soberania nacional, da dignidade do trabalho e da emancipação definitiva da pátria.
Deixe um comentário