Por José Rios
A Fratura Geopolítica Global e a Disjuntiva Histórica Brasileira
A contagem regressiva para o encerramento do processo eleitoral de outubro de 2026 inscreve-se na crise geral de acumulação e esgotamento do sistema hegemônico unipolar. Sob o rigor metodológico do materialismo histórico-dialético e da paralaxe classista, a conjuntura nacional deve ser apreendida não como um mero certame institucional de alternância pacífica, mas como a manifestação aguda da conflagração geopolítica contemporânea. De um lado, situa-se o polo histórico comprometido com a afirmação da soberania nacional, com a integração emancipatória no Sul Global e nos BRICS+, com o desenvolvimento produtivo articulado à justa distribuição da renda e com a preservação das liberdades democráticas fundamentais. De outro, opera a tentativa de restauração neocolonial que busca subordinar a formação socioespacial brasileira à pilhagem orquestrada pelo império do caos e pela finança especulativa transnacional.
A periferia latino-americana converte-se no teatro privilegiado de amortecimento das contradições materiais dos centros imperialistas em declínio. A estratégia hemisférica do capital monopolista impõe a desregulamentação absoluta das salvaguardas econômicas nacionais para viabilizar a apropriação predatória de recursos energéticos estratégicos, como o Pré-Sal e as reservas minerais críticas, além de submeter a circulação da riqueza ao pagamento escorchante de juros. O embate que se consumará nas urnas representa, portanto, uma bifurcação civilizatória irreconciliável: a preservação do Estado republicano soberano voltado à reprodução ampliada das forças produtivas internas ou a sua liquidação compradora em benefício da valorização fictícia do capital financeiro internacional.
A Anatomia Destrutiva do Consórcio Golpista do Capital Parasitário
A expressão política dessa dinâmica recolonizadora no plano doméstico consolida-se na atuação agressiva do consórcio golpista do capital parasitário. Desprovida de qualquer compromisso histórico com um projeto autônomo de industrialização e soberania tecnológica, essa fração associada ao latifúndio agroexportador e ao rentismo transnacional empunha um programa econômico de terra arrasada. O seu objetivo primordial consiste no desmantelamento sistemático da rede de proteção social instituída a partir de 1988, transferindo compulsoriamente os fundos públicos da seguridade para os circuitos da especulação financeira.
Essa investida manifesta-se no cerco legislativo e institucional voltado à demolição dos direitos sindicais, trabalhistas e previdenciários. Sob o disfarce ideológico da modernização das relações de produção, arquiteta-se a fragmentação definitiva da legislação protetiva do trabalho, sujeitando o proletariado urbano e rural a regimes de informalidade crônica, desprovidos de jornada delimitada ou garantias de descanso semanal remunerado. De modo concomitante, planeja-se a quebra da indexação constitucional do salário mínimo às aposentadorias públicas, impondo a asfixia planejada da renda de milhões de idosos e famílias vulneráveis a fim de subsidiar o equilíbrio fiscal em favor da agiotagem financeira.
A essa rapina dos direitos do trabalho soma-se a tentativa premeditada de esvaziar a capacidade regulatória do Estado. A desativação de órgãos de segurança alimentar, patrimônio cultural, comunicação pública e assistência sanitária preventiva não decorre de imperativos fiscais, mas do propósito de abrir frentes exclusivas de mercantilização predatória, eliminando os mecanismos soberanos de contenção da carestia de alimentos e das tarifas essenciais. Quando ameaçado em seus lucros extraordinários, o consórcio golpista do capital parasitário não hesita em recorrer a arroubos de terrorismo psicológico, chantagens autoritárias contra a institucionalidade e apelos à desestabilização da ordem democrática.
A Dialética da Luta de Massas: A Ruptura das Ruas e o Esgotamento do Moralismo
Em consonância com as formulações marxistas de Marta Harnecker e a teoria revolucionária da guerra popular formulada por Ho Chi Minh e pelo general Vo Nguyen Giap, nenhuma correlação de forças permanece imutável quando as classes subalternas compreendem a sua força histórica coletiva. A arrogância inicial demonstrada pelas forças da reação — que proclamaram a vitória política precipitada amparadas no poder econômico e nos algoritmos corporativos — estilhaçou-se diante da emergência combativa do povo nas avenidas, praças e comunidades de todas as macrorregiões do país.
O ascenso das manifestações populares e o protagonismo indiscutível da juventude trabalhadora e estudantil alteraram qualitativamente a dinâmica do confronto político. Essa onda de mobilização de massa rompeu a anestesia provocada pelo desfecho do primeiro turno, desarmando o falso consenso de que a nação aceitaria passivamente o retorno da autocracia e da tutela estrangeira. A ocupação física do território urbano pelas fileiras operárias, pelos sindicatos classistas e pelos movimentos sociais restituiu a primazia da política real sobre as manobras digitais.
A paralaxe classista evidencia que o recurso incessante a pautas de guerra cultural e preconceitos morais operado pelos círculos reacionários esgotou a sua eficácia hegemônica. O moralismo punitivista não é capaz de sustentar o sustento da família trabalhadora quando o custo de vida corrói o poder aquisitivo e a ameaça de arrocho previdenciário bate à porta do lar proletário. A tentativa de induzir o povo a votar nas forças que promovem a sua própria destruição material dissipa-se à medida que a verdade de classe é pedagogicamente exposta perante a maioria trabalhadora.
As Diretrizes Estratégicas para a Contraofensiva nos Treze Dias Derradeiros
A condução dos treze dias que antecedem a definição do destino da República requer a aplicação disciplinada dos princípios do Planejamento Estratégico Situacional Popular (PES-MAPP / PAID-MAPE), transformando a efervescência do asfalto em densidade de votos nas urnas:
A batalha pelo tempo de trabalho e pela dignidade humana deve ocupar o centro da agitação política. A exigência imediata do encerramento de escalas exaustivas e a redução da jornada laboral sem redução de rendimentos constituem a síntese material capaz de dialogar diretamente com a juventude precarizada, os trabalhadores informais e o operariado dos serviços essenciais, desmascarando a submissão dos setores especuladores ao aumento ilimitado da taxa de mais-valia.
A organização de comitês territoriais e brigadas sindicais nas periferias urbanas e nos centros industriais constitui o vetor tático prioritário para desatar o nó da abstenção. O resgate consciente do contingente que se afastou das urnas no primeiro turno deve ser operado por meio da pedagogia socrática materialista: demonstrar que o preço da comida, a integridade da Farmácia Popular e a reposição das aposentadorias dependem da derrota cabal do rentismo predatório.
A fiscalização intransigente e militante da gratuidade irrestrita do transporte público coletivo nos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário é condição elementar de soberania do sufrágio proletário. É imperativo assegurar que nenhuma barreira de mobilidade material impeça o trabalhador e o eleitorado idoso de exercer o seu direito histórico de defesa da democracia popular.
A vigília permanente contra provocações mercenárias e atentados de guerra psicológica deve ser sustentada com férrea disciplina política e combatividade de massas. O medo pertence aos que conspiram contra o povo e planejam vender os ativos nacionais aos centros de dominação do Norte global.
A história não é decidida em conchavos de gabinetes nem nas planilhas do capital financeiro; ela é obra consciente dos milhões que vivem do seu próprio esforço e produzem a riqueza da sociedade. Nos treze dias de batalha que separam a nação da encruzilhada de 25 de outubro, a classe trabalhadora brasileira marchará com a determinação dos povos invencíveis, transformando a mobilização popular no dique que sepultará a sanha colonial do capital parasitário e abrirá um ciclo vitorioso de autodeterminação, emancipação e soberania para o Brasil.
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