Por José Rios
- A Crise Estrutural do Capital e a Determinação da Ofensiva PatronalA conjuntura política e econômica brasileira atinge seu ponto de maior tensão histórica sob o influxo direto da crise geral de acumulação do sistema capitalista internacional. Sob o rigor analítico do materialismo histórico-dialético e da paralaxe classista, as eleições presidenciais de 2026 ultrapassam os limites formais da democracia burguesa e revelam-se como o teatro da luta encarniçada pelo controle do fundo público e pela apropriação do excedente gerado pela força de trabalho nacional. A ordem unipolar em declínio, acossada pelo avanço das potências euro-asiáticas e pela consolidação do polo soberano do Sul Global em torno dos BRICS+, intensifica a espoliação neocolonial sobre as formações periféricas dependentes, elegendo a América Latina como entreposto compulsório para a extração predatória de recursos naturais e financeiros.A expressão interna dessa pressão externa articula-se na ofensiva desatada pelo bloco patronal, composto pelo latifúndio agroexportador, pela burguesia compradora e pelas frações parasitárias do capital financeiro. O consórcio reacionário empunha um programa econômico de terra arrasada, desenhado para desmontar a arquitetura constitucional de proteção ao trabalho erguida em 1988 e impor um regime de superexploração da classe operária. Não se trata de uma divergência gerencial sobre a gestão orçamentária, mas de uma intervenção de classe para reduzir drasticamente o valor da força de trabalho, desvincular o salário mínimo do custo de reprodução biológica das famílias operárias e transferir a riqueza socialmente produzida para o rentismo e para as corporações monopolistas internacionais.2. O Assalto aos Direitos Sindicais, Previdenciários e LaboraisA materialização da agenda reacionária expõe-se na coordenação aberta entre a extrema-direita parlamentar e os círculos especulativos da Faria Lima. Sob o argumento falacioso do reequilíbrio fiscal, projeta-se um corte brutal de gastos sociais, atingindo de forma fulminante os orçamentos da saúde pública, da educação básica e da seguridade social. A desregulamentação radical da Consolidação das Leis do Trabalho e a destruição dos mecanismos de proteção coletiva visam transformar a massa trabalhadora urbana em um contingente atomizado de mão de obra informal, destituído de jornada delimitada, descanso semanal remunerado e representação sindical combativa.Paralelamente, o cerco sistemático à previdência pública cumpre uma função elementar de acumulação primitiva por espoliação. Ao propor a quebra da indexação constitucional que garante o reajuste das aposentadorias de acordo com os ganhos reais do salário mínimo, o consórcio patronal planeja o confisco planejado da renda de milhões de idosos e famílias dependentes. O objetivo subjacente consiste em asfixiar o sistema público solidário para viabilizar a privatização da previdência, abrindo um mercado cativo multibilionário para conglomerados bancários transnacionais, ao mesmo tempo em que se isentam os setores dominantes da tributação progressiva sobre o grande capital.A essa ofensiva contra os direitos laborais soma-se a tentativa de aparelhamento e fechamento das instituições estatais. O projeto de alteração das regras do processo político — pretendendo a extensão autoritária de mandatos legislativos e executivos e a blindagem contra o controle popular — espelha o temor da classe dominante em submeter seu programa antipopular ao crivo soberano do voto da maioria trabalhadora. Essa estratégia de antecipação golpista, combinada com chantagens abertas contra magistrados que impõem limites à ilegalidade golpista, revela que a burguesia não hesitará em suspender as garantias democráticas formais sempre que seus lucros extraordinários forem ameaçados pela soberania popular.3. A Falsa Consciência e o Resgate da Consciência de ClasseA contradição mais aguda do cenário político manifesta-se na manipulação ideológica da fração precarizada do proletariado e das camadas médias empobrecidas. Mediante o recurso incessante à guerra cultural, a apelos moralistas artificiais e a teorias de conspiração infundadas, a extrema-direita patronal canaliza o descontentamento material gerado pela própria crise capitalista em favor do projeto que agrava essa mesma exploração. Induz-se o trabalhador assalariado a um suicídio político, conclamando-o a sufragar as forças políticas que tramitam projetos explícitos de destruição da estabilidade profissional, de liquidação da aposentadoria e de extinção dos estoques públicos de alimentos que freiam a inflação de itens de primeira necessidade.A paralaxe classista dissipa a névoa desse moralismo punitivista. As acusações abstratas de corrupção e os espantalhos ideológicos servem de cobertura para desviar a atenção da classe operária do fato econômico concreto: quem financia e comanda a oposição de extrema-direita é o rentismo financeiro ligado a redes fraudulentas de especulação bancária e os cartéis predatórios do agronegócio que esvaziam os celeiros do país para priorizar a exportação primária desregulada. Nenhuma retórica familiar abstrata sustentará o sustento do lar quando o direito ao salário digno for extinto e a mesa operária estiver desprovida do alimento básico.4. A Práxis do Movimento Sindical e a Ofensiva Popular nas RuasA reversão desse cenário sombrio e a conquista da vitória histórica no pleito decisivo dependem do despertar imediato da vanguarda sindical e da infantaria de massas da classe trabalhadora. O movimento operário e popular não pode adotar uma postura de conciliação passiva diante da agressão orquestrada pela finança e pelas elites subservientes ao imperialismo. Como demonstrado pelas mobilizações massivas que tomaram as avenidas e praças nas capitais e no interior, a juventude trabalhadora e estudantil aponta o caminho da insubmissão ao romper a inércia do primeiro turno e ocupar as ruas em defesa da soberania nacional e dos direitos sociais.O movimento sindical classista deve transformar as duas semanas decisivas em um período permanente de mobilização, formação e agitação nos locais de trabalho: * Ocupar os chão de fábrica, as portas de bancos, os canteiros de obras e os centros de logística de transporte, estabelecendo o diálogo direto e pedagógico com a base da categoria sobre os impactos materiais imediatos de um retrocesso eleitoral. * Organizar comitês e brigadas territoriais de voluntários para atuar nas periferias e bairros operários, combatendo o abstencionismo e assegurando que o trabalhador idoso e as famílias beneficiárias de programas de renda compareçam em peso às urnas. * Fiscalizar ativamente nos municípios e regiões metropolitanas a aplicação integral e incondicional da gratuidade no transporte público no dia da votação, impedindo que a carência de recursos materiais restrinja o exercício do sufrágio proletário. * Desmistificar a falsa oposição entre soberania nacional e demandas corporativas, evidenciando para cada categoria profissional que a preservação do patrimônio público, das estatais de energia e das reservas minerais é a base material indispensável para garantir emprego formal, renda valorizada e previdência pública sustentável.A classe trabalhadora é a única criadora de toda a riqueza social e a verdadeira depositária do destino histórico da nação. Ao unir a força organizativa dos sindicatos, a combatividade da juventude nas ruas e o esclarecimento paciente e resoluto das massas populares, o povo brasileiro quebrará o garrote da reação imperialista, sepultará o neofascismo nas urnas em 25 de outubro e abrirá uma nova etapa de desenvolvimento soberano, altivo e democrático voltado à emancipação do trabalho.
Deixe um comentário