Por José Rios Blog REINTEGRAR-SER | Coluna: de ÔLHO no VOTO. O encerramento do ciclo eleitoral de 4 de outubro de 2026 na Bahia oferece à vanguarda política e ao movimento social uma oportunidade ímpar de balanço crítico. Sob a coordenação do professor Nilton Vasconcelos, o trabalho empreendido pela Comissão de Planejamento e pelo GT Eleitoral do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na Bahia materializou uma práxis que recusou o imediatismo conjuntural, fundindo a rigorosa leitura do materialismo histórico-dialético, a paralaxe classista, o Planejamento Estratégico Situacional (PESC-MAPP) e a intervenção dinâmica (PAID-MAPE).O resultado desse esforço metódico e militantemente rigoroso reflete-se não apenas no êxito numérico das urnas, mas na consolidação de um polo político anti-hegemônico estratégico no Nordeste brasileiro.1. O Método: Da Paralaxe Classista ao Planejamento SituacionalA análise empreendida pela comissão coordenada por Nilton Vasconcelos partiu de uma premissa fundamental: o processo eleitoral não se resume a uma disputa de superfície institucional ou de marketing político burguês, mas à expressão das relações materiais de produção e da apropriação do fundo público no território baiano. * A Operacionalização do PESC-MAPP: Sob a ótica do planejamento situacional de Carlos Matus, a comissão mapeou a correlação de forças real, diagnosticando séries históricas de votação, identificando vazamentos de capilaridade e estabelecendo prioridades táticas claras — como a preservação de mandatos estratégicos, a expansão de chapas qualificadas em ao menos dois terços dos municípios e o fortalecimento da Federação Brasil Esperança (FE Brasil). * A Intervenção Dinâmica (PAID-MAPE): O planejamento não ficou confinado aos gabinetes. Traduziu-se em um diagnóstico permanente da conjuntura e em uma ação direta orientada para a base social do partido (bancários, comerciários, servidores públicos, movimentos de mulheres negras e juventude).2. O Acúmulo Histórico: De 2022 a 2026A consistência da vitória acumulada pelo PCdoB na Bahia é fruto de uma curva ascendente de acumulação de forças desenhada ao longo dos últimos pleitos: * O Alicerce de 2022: A expressiva votação para a Assembleia Legislativa e a reeleição de bancadas sólidas (com destaques para Alice Portugal, Daniel Almeida, Olívia Santana, Fabrício Falcão e Zó) garantiram ao partido um patamar de representação institucional de destaque nacional. * A Capilaridade Municipal de 2024: A atuação decisiva no âmbito da Federação PT-PCdoB-PV permitiu ao partido eleger dezenas de prefeitos, vice-prefeitos e centenas de vereadores, fincando raízes profundas no interior do estado e contrapondo-se ao modelo oligárquico tradicional. * A Consagração de 2026: O ponto alto dessa trajetória manifestou-se na ampliação da bancada federal do partido de duas para três cadeiras, marcada pela eleição histórica de Olívia Santana — a primeira mulher negra a compor a bancada baiana na Câmara dos Deputados —, somada ao triunfo estratégico na reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e à vitória da dupla senatorial progressista com Rui Costa e Jaques Wagner.3. Síntese Dialética: Poder Institucional e Organização PopularO balanço coordenado por Nilton Vasconcelos comprova que a verdadeira força de um partido revolucionário reside na sua capacidade de articular o combate institucional com a organização de massas.A estratégia vitoriosa na Bahia demonstrou que, frente à ofensiva conservadora e às tentativas de cooptação do capital financeiro parasitário, a resposta correta não é o recuo, mas aprofundar o enraizamento territorial, valorizar os quadros orgânicos oriundos do mundo do trabalho e blindar a soberania popular.A vitória do PCdoB e do campo progressista baiano nas urnas de 2026 não representa um ponto de chegada, mas a abertura de um novo patamar tático. A práxis orientada pela comissão de planejamento serve de modelo pedagógico para demonstrar que a política, quando guiada pela ciência social marxista e pelo planejamento estratégico rigoroso, transforma-se em ferramenta real de emancipação da classe trabalhadora.Blog REINTEGRAR-SER | Coluna: de ÔLHO no VOTO
Deixe um comentário