A Vitória da Soberania Popular: Análise Dialética e Classista dos Resultados Eleitorais na Bahia

Por José Rios

Por José RiosBlog REINTEGRAR-SER | Coluna: de ÔLHO no VOTOA apuração das urnas do pleito de 4 de outubro de 2026 na Bahia encerra um dos ciclos mais intensos da luta política recente no estado e no país. Sob a rigorosa ótica da paralaxe classista, do materialismo histórico-dialético, do Planejamento Estratégico Situacional (PES-MAPP) e da matriz de intervenção PAID-MAPE, os resultados definitivos e parciais consolidam uma vitória contundente do campo popular, esmagando o projeto de reedição do coronelismo empresarial e das velhas oligarquias.A análise profunda da arquitetura desses resultados revela não apenas números, mas a correlação real de forças na sociedade baiana.1. A Consagração do Executivo Estadual e a Derrota do CarlistasO triunfo retumbante de Jerônimo Rodrigues (PT) ao governo do estado, com 54,00% dos votos válidos (2.925.886 votos), frente aos 45,46% de ACM Neto (União Brasil), sipa a derrota estratégica do modelo de “empresariamento da gestão pública” que tentou se perpetuar por mais de quatro décadas nas grandes cidades e no interior baiano. * A Dialética da Capilaridade Municipalista: A aliança costurada em torno de mais de 360 prefeitos e lideranças locais provou ser um dique intransponível contra a tentativa da oposição de isolar o governo estadual. Enquanto a narrativa carlista apostava na retórica vazia e no desgaste artificial, a base governista fincou raízes na entrega de políticas públicas, convertendo a capilaridade institucional em densidade de votos nas urnas. * O Colapso do Mito da “Gestão Técnica”: A derrocada da oposição nas urnas evidencia que o eleitorado baiano — especialmente nas periferias, no Semiárido e no interior profundo — não esqueceu a herança de exclusão e a submissão aos interesses do capital financeiro parasitário que circundavam a base oposicionista.2. A Hegemonia no Senado Federal: Rui Costa e Jaques WagnerA soberania do bloco progressista também se fez absoluta na disputa pelas cadeiras do Senado Federal. Com a expressiva votação que conduziu Rui Costa (29,79%) e Jaques Wagner (27,35%) à vitória, o eleitorado baiano reafirmou a confiança em quadros com histórico de entrega administrativa e articulação federativa. * O Bloqueio à Reação: A expressiva votação obtida por Rui Costa e Jaques Wagner neutralizou as pretensões da extrema-direita e de aliados do bolsonarismo (representados por nomes como Angelo Coronel e João Roma), que tentavam transformar o Senado em trincheira de sabotagem institucional ao governo federal.3. O Desempenho Presidencial e a Força do Nordeste como Farol da RepúblicaNo plano federal, a Bahia reafirmou sua condição de principal bastião da soberania e da democracia no Brasil. A expressiva votação de Lula (65,14% / 4.192.497 votos) no estado, contrastando de forma gritante com os 29,36% obtidos pelo candidato da extrema-direita (Flávio Bolsonaro), demonstra que o Nordeste continua sendo o coração pulsante da resistência contra o neofascismo e a ingerência imperialista. * O eco das palavras de lideranças como Olívia Santana (PCdoB) — que resumiu sua jornada eleitoral reafirmando que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” — encontrou tradução exata nas urnas. O povo baiano deu uma resposta civilizatória, rejeitando a submissão externa, a exploração do trabalho e a barbauzia reacionária.4. O Papel da Vanguarda Classista e a Bancada Federal (FE Brasil / PCdoB)A consolidação da Federação Brasil Esperança (FE Brasil) e a expressiva votação das legendas aliadas na disputa proporcional para a Câmara dos Federais (garantindo o protagonismo com cerca de 22,86% dos votos válidos na parcial) refletem a eficácia da tática de enraizamento nos setores estratégicos da classe trabalhadora: * O Sindicato e a Fábrica, o Comércio e o Serviço: A votação expressiva de candidaturas ligadas ao movimento sindical (como bancários, comerciários e servidores públicos), aos movimentos de mulheres negras, à luta antirracista e à defesa dos direitos sociais comprova que o mandato popular se constrói no suor da base, e não nos gabinetes de elite.Conclusão: A Luta Continua na Construção do Poder PopularOs resultados deste 4 de outubro de 2026 na Bahia demonstram que a paralaxe classista opera a favor daqueles que produzem a riqueza social. Derrotar o carlismo nas urnas, consolidar a reeleição de Jerônimo, eleger a dupla senatorial progressista e consagrar a votação histórica de Lula na Bahia não representam o fim da história, mas a abertura de um novo patamar tático.A classe trabalhadora baiana deu o seu recado nas urnas: a Bahia é do povo, a democracia é inegociável e a soberania do Brasil não tem preço. Agora, a ordem do dia é transformar a vitória eleitoral em instrumento de aprofundamento das transformações estruturais, rumo à emancipação definitiva dos trabalhadores.Blog REINTEGRAR-SER | Coluna de ÔLHO no VOTO

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