Por José Rios
Introdução: A Crise Hegemônica e a Lente da Paralaxe ClassistaA aproximação das eleições gerais de 2026 conduz a luta de classes na formação social brasileira ao seu estágio de maior condensação histórica e política. O processo em curso ultrapassa os limites dos ritos convencionais da democracia burguesa representativa: expressa-se a contradição inconciliável entre a consolidação de um projeto nacional de desenvolvimento autônomo, produtivo e multilateral, ancorado no Sul Global sob a condução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a contraofensiva de recolonização e guerra híbrida patrocinada pelo imperialismo decadente do capital rentista internacional, consorciada à burguesia compradora e a setores subordinados da extrema-direita dependente.Compreender essa totalidade sob o rigor analítico do materialismo histórico-dialético exige a mobilização da categoria da paralaxe classista. A paralaxe, compreendida como o deslocamento epistêmico que desfaz a aparência unificada do discurso das classes dominantes, expõe as fraturas materiais da superestrutura política: de um lado, a fração rentista que mascara a espoliação do trabalho e o saque ao fundo público sob a roupagem de falsos valores morais; do outro, a classe trabalhadora que reivindica a preservação da renda, a integridade da sua soberania e a emancipação da sua jornada laboral.A aplicação conjugada do Planejamento Estratégico Situacional, formulado por Carlos Matus, e do Processo de Análise e Intervenção Dinâmica orienta a vanguarda e a militância para a concentração de esforços na reta final. A estabilidade verificada nas sondagens de intenção de voto aponta para uma cristalização de posições de classe: a liderança consolidada de Lula nas manifestações espontâneas aproxima o campo popular da maioria absoluta dos votos válidos, transformando a vitória no primeiro turno em uma possibilidade material concreta, condicionada à disciplina e à mobilização organizada nos territórios.A Fenda Geopolítica: A Cúpula Histórica de Brasília e a Nova Ordem MultipolarA paralaxe classista ensina que aquilo que a ideologia dominante tenta circunscrever a meros protocolos cerimoniais encobre a rotação dos eixos mundiais de poder e a disputa pelo excedente econômico planetário. A perspectiva de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva desenha a futura posse presidencial como um dos acontecimentos mais profundos do hemisfério sul, antecipando a presença histórica de líderes proeminentes da arquitetura multipolar, como os chefes de Estado da China e da Rússia, ao lado de estadistas do Sul Global e dos países emergentes integrados aos BRICS+.Essa confluência de lideranças internacionais no coração da República desautoriza qualquer pretensão de tutela imperial, neutralizando as tentativas de cerco econômico, tarifas unilaterais e ameaças de intervenção desferidas pelos centros hegemônicos de Washington. Ao consolidar um eixo diplomático estratégico com as grandes potências emergentes, o Estado brasileiro reposiciona-se como formulador soberano de políticas de comércio, moeda e tecnologia, rompendo os laços de dependência colonial.Essa altivez no plano internacional contrasta dialeticamente com a desagregação da reação doméstica. Enquanto a Presidência da República afirma a soberania do país nas Nações Unidas e consolida parcerias estratégicas como a aliança biofarmacêutica entre Brasil e México para a produção autônoma de vacinas e medicamentos públicos voltados a trezentos e cinquenta milhões de cidadãos, a extrema-direita afunda sob investigações que comprovam financiamento estrangeiro irregular em seus comitês de campanha, cumplicidade com o submundo da fraude bancária e o comprometimento de recursos públicos em benefício de interesses privados.A Base Material: Usura Financeira, Proteção da Renda e o Mundo do TrabalhoA determinação econômica da conjuntura expõe o colapso do projeto neoliberal. A espoliação financeira operada pelo consórcio entre operadores bancários e prepostos políticos atingiu as contas públicas e o contracheque dos servidores, drenando mais de um bilhão e oitocentos milhões de reais de reservas previdenciárias de estados e municípios, além de transferir recursos ilícitos para paraísos fiscais destinados à propaganda ideológica no exterior.A contraface necessária desse enfrentamento traduziu-se na decisão soberana do Poder Executivo de combater a usura das apostas eletrônicas predatórias e dos cassinos virtuais. Essa modalidade de rentismo digital subtraía cerca de trinta e sete bilhões de reais por ano do orçamento das famílias assalariadas, gerando adoecimento mental coletivo e corrosão do consumo básico. A intervenção estatal para interromper essa sangria, somada à retomada do programa de renegociação de dívidas, reafirma o primado do fundo público na salvaguarda da reprodução social da classe trabalhadora.Essa defesa da vida material ganha centralidade na pauta do mundo do trabalho. A disputa pela juventude e pelos setores operários manifesta-se na exigência civilizatória pelo fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, assegurando a jornada máxima de quarenta horas semanais sem corte salarial. Trata-se de contrapor à precarização uberizada e ao discurso patronal o direito elementar ao descanso, ao estudo, ao convívio comunitário e à cultura.Os Vetores de Capacidade Popular e a Matriz SituacionalSob o instrumental do Planejamento Estratégico Situacional, o avanço eleitoral está amparado na ativação metódica dos vetores de capacidade acumulados pelo bloco histórico popular:Primeiramente, a capacidade econômico-social alicerça-se no aumento real do salário mínimo acima da inflação, no piso garantido do Bolsa Família, na isenção do Imposto de Renda para rendimentos do trabalho até cinco mil reais e na menor taxa de desocupação formal das últimas décadas, associada à reativação de obras estruturantes e da indústria produtiva nacional.Em segundo lugar, a autoridade político-cultural expressa-se na adesão mobilizada de centenas de intelectuais, artistas e formuladores da sociedade civil que, ao apoiarem a reeleição presidencial, reivindicam com maturidade que a política cultural assuma a condição de vetor estratégico de reindustrialização e emancipação das periferias.Em terceiro lugar, o enraizamento territorial e social ganha respaldo na atuação cívica dos movimentos populares, na marcha das gerações idosas nas praças contra a abstenção e na firmeza de lideranças religiosas progressistas — a exemplo do episcopado popular na Bahia —, que rejeitam a instrumentalização fundamentalista e proclamam que a fé autêntica exige compromisso com os pobres, com o meio ambiente e com a soberania nacional.A Síntese Tática e a Ordem Orgânica do Voto Casado de ClasseO Processo de Análise e Intervenção Dinâmica estabelece que a vitória no Poder Executivo é condição indispensável, porém insuficiente se desprovida da correlata sustentação no Poder Legislativo e nos governos estaduais.A formulação expressa pelo ministro Rui Costa sintetiza a verdade institucional do Estado: o presidente da República é o timoneiro encarregado de apontar a rota soberana da Pátria; o Congresso Nacional e os parlamentos representam o corpo de remadores.Eleger o timoneiro e simultaneamente dispersar o voto legislativo em prepostos da oligarquia rentista ou porta-vozes do atraso equivale a colocar sabotadores no interior da embarcação. Um parlamento dominado por frações conservadoras atuará para paralisar a redução da jornada laboral, travar a valorização do salário mínimo e chantagear o Executivo mediante o sequestro de verbas orçamentárias.Na Bahia, a aplicação do voto casado de classe exige a conformação unitária do projeto histórico em todos os níveis do sufrágio: * A consagração de Lula 13 Presidente, garantindo a soberania nacional, a inserção multipolar do país e a ampliação das conquistas da classe trabalhadora; * A reeleição de Jerônimo Rodrigues 13 Governador, consolidando a interiorização do desenvolvimento, os investimentos na educação pública e a segurança cidadã no território baiano; * O preenchimento consciente das duas vagas ao Senado Federal com as candidaturas de Rui Costa 133 e Jaques Wagner 130, afiançando governabilidade executiva e articulação política firme no Congresso Nacional; * A eleição da bancada combativa de deputadas e deputados federais da Federação Brasil da Esperança pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), fortalecendo a representação operária, antirracista e popular com Olívia Santana 6550, Alice Portugal 6522 e Daniel Almeida 6565; * A sustentação na Assembleia Legislativa da Bahia mediante a eleição integral da chapa de deputadas e deputados estaduais do PCdoB, reconduzindo e elegendo referências territoriais e de massas como Bobô Tavares 65888, o professor Fabrício Falcão 65333, a representação do sertão com Zó Lima 65555, somados à combatividade de João Felipe 65789, à liderança feminina de Juliete Barreto 65100 e Luciana Tavares 65123, ao compromisso dos educadores com o Professor Rui, à ancestralidade dos povos originários com o Cacique Aruã, à organização dos trabalhadores da pesca com Ajax Tavares e à presença ativa da juventude trabalhadora.A história das nações não se curva perante a chantagem colonial nem se rende aos balcões da usura financeira. Com a consciência de classe desperta e a organização coletiva nas ruas e nos locais de trabalho, a classe trabalhadora brasileira transformará a sua mobilização em poder soberano no dia 4 de outubro, garantindo o triunfo definitivo da democracia, do trabalho e da dignidade da Nação.
Deixe um comentário