Por José Rios
Introdução: A Crise Histórica e a Lente da Paralaxe ClassistaA aproximação das eleições gerais de 2026 conduz a luta de classes no Brasil ao seu ponto de maior condensação política. O processo em curso ultrapassa os ritos convencionais da democracia representativa burguesa: manifesta-se o choque aberto entre a consolidação de um projeto nacional de desenvolvimento soberano, solidário e multilateral e a tentativa de restauração neofascista tutelada pela fração rentista do capital financeiro e pelos centros hegemônicos do imperialismo.Examinada pelo método do materialismo histórico-dialético e pelo conceito fundamental da paralaxe classista, a realidade brasileira não pode ser compreendida pela superfície dos editoriais dominantes nem pela intuição empírica de gabinetes burocráticos. A paralaxe — enquanto deslocamento do ponto de observação que fratura a aparente harmonia do discurso das classes dominantes — evidencia as contradições materiais da formação social: de um lado, a burguesia compradora, que se imagina elite cosmopolita enquanto opera como camada parasitária a espoliar o fundo público; do outro, a massa trabalhadora, que reivindica segurança em seus territórios, a preservação do poder de compra do salário e a libertação da jornada extenuante de trabalho.A aplicação rigorosa do Planejamento Estratégico Situacional formulado por Carlos Matus e o instrumental do Processo de Análise e Intervenção Dinâmica exigem reconhecer a dinâmica dessa reta final. A estabilidade observada nas sondagens de intenção de voto não expressa imobilismo social, mas a cristalização de posições antagônicas. Quando o presidente Lula consolida ampla liderança nas pesquisas espontâneas e se aproxima da maioria absoluta dos votos válidos, a decisão no primeiro turno converte-se em possibilidade concreta, condicionada unicamente à capacidade de direção política e de mobilização ativa das forças populares.A Fratura Material: Usura Financeira, Degradação Moral e Saque PrevidenciárioA paralaxe classista ensina que aquilo que a imprensa corporativa apresenta como tecnicismo processual ou disputa ética indistinta encobre, na verdade, a mecânica da acumulação por espoliação. O colapso da extrema-direita decorre da própria lógica do capital financeiro mais predatório associado à mercantilização da consciência popular.As investigações oficiais documentaram a existência de um consórcio entre operadores bancários, lideranças neopentecostais mercantilizadas e prepostos políticos do bolsonarismo. A emissão massiva de papéis sem respaldo pelo Banco Master não apenas drenou dezenas de bilhões de reais de garantias do sistema financeiro, mas atingiu diretamente os institutos previdenciários de servidores públicos de dezoito estados e municípios, acumulando perdas superiores a um bilhão e oitocentos milhões de reais no Rio de Janeiro, no Amapá e no Amazonas. Na Bahia, essa espoliação desdobrou-se na exploração de crédito consignado com juros extorsivos sobre o contracheque do funcionalismo público.A essa drenagem soma-se a captura de setores do aparelho estatal. Documentos apreendidos pela autoridade policial revelaram contratos de honorários no montante de quatrocentos e vinte e sete milhões de reais atrelados a decisões sobre precatórios bilionários no Poder Judiciário, acompanhados de vantagens pessoais, custeio de estadias nababescas e transferências milionárias. Esse mesmo circuito articulou remessas ilegais de dezenas de milhões de reais para o exterior, destinadas ao financiamento de propaganda política para o clã reacionário.Em contrapartida, as famílias trabalhadoras sofrem a asfixia provocada pelo avanço das plataformas digitais de apostas eletrônicas. Esse cassino de bolso drena dezenas de bilhões de reais por ano do orçamento doméstico, adoece a população periférica e transfere excedentes do trabalho para praças financeiras desregulamentadas. A denúncia desses mecanismos desfaz a farsa dos discursos moralistas sobre família e tradição, desnudando a conivência da extrema-direita com a usura que sangra a renda da classe trabalhadora.A Geopolítica da Altivez e a Nova Doutrina da SoberaniaNo cenário internacional, o contraste torna-se absoluto. Enquanto o candidato da reação esquiva-se de debates públicos por incapacidade de explicar seus vínculos materiais com o submundo da fraude bancária, o presidente da República comparece à abertura dos debates gerais da Organização das Nações Unidas, em Nova York, consolidando a estatura do Brasil como liderança incontornável do Sul Global e dos países emergentes reunidos nos blocos multilaterais.A palavra brasileira na tribuna internacional ergueu uma demarcação categórica: o país não aceita figurar como área subordinada de qualquer potência hegemônica. Essa diretriz rebate de forma direta as ameaças de intervenção militar e cerco coercitivo desferidas pelo governo norte-americano contra nações latino-americanas. A doutrina brasileira demonstrou que a soberania no século presente já não se restringe à integridade das fronteiras físicas; ela abrange a preservação de sistemas públicos e gratuitos de pagamentos como o Pix contra o assédio privatista de cartéis bancários internacionais, o controle nacional sobre reservas estratégicas de minerais raros e lítio com agregação de valor interno, e o combate intransigente à pilhagem da renda familiar.A construção de alianças diplomáticas amplas no exterior reforça essa posição. Ao dialogar com lideranças progressistas internacionais e chefes de Estado vizinhos, a diplomacia brasileira consolida uma barreira de legitimidade política para garantir o reconhecimento imediato e irrevogável do resultado das urnas, neutralizando de antemão quaisquer arroubos golpistas tutelados de fora [source: 1]. Essa altivez diplomática dialoga com a base material interna: a defesa da ciência e da saúde pública, respaldada internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde, contrasta com o negacionismo que custou centenas de milhares de vidas no período recente.Vetores de Capacidade Popular e o Chão da Vida MaterialSob a ótica do Planejamento Estratégico Situacional, a correlação de forças não é um dado estático, mas uma relação dinâmica que se vence pela ativação metódica das capacidades acumuladas pelo bloco popular.O avanço eleitoral está ancorado nas conquistas concretas da maioria social: o reajuste do programa de transferência de renda, a política de valorização sistemática do salário mínimo com ganhos acima da inflação e a desoneração tributária para rendimentos do trabalho de até cinco mil reais. Essa orientação materializa-se nos investimentos estatais em infraestrutura, como o destravamento de anéis viários estratégicos com apoio do banco público de fomento, a reabertura de portos abandonados e o aporte de recursos bilionários na reativação da indústria naval catarinense, gerando dezenas de milhares de postos de trabalho qualificado.No plano regional, a inserção orgânica da Federação Brasil da Esperança traduz a representação dos setores historicamente explorados. Na Bahia, a tradição de combate operário e popular apresenta candidaturas fundamentais para a Câmara dos Deputados: a experiência parlamentar de Alice Portugal na saúde pública e nos direitos dos servidores, a trajetória sindical de Daniel Almeida no chão das lutas trabalhistas e a combatividade da pedagoga Olívia Santana, defensora da educação e da igualdade racial. Esse enraizamento articula-se aos mandatos de representação no parlamento estadual com Bobô Tavares, Fabrício Falcão e Zó Lima, somando-se à presença de lideranças indígenas, da pesca artesanal e da juventude trabalhadora.Essa base objetiva encontra impulso na mobilização de massas. A participação cívica dos cidadãos idosos nas praças públicas, unida ao pronunciamento de intelectuais e artistas que quebram a coação do discurso conservador, confere dinamismo à campanha. A pauta do trabalho ganha centralidade incontestável na reivindicação pelo fim da escala de seis dias de trabalho por apenas um de descanso, assegurando a jornada semanal máxima de quarenta horas com dois dias de descanso e sem nenhuma redução nos vencimentos. O trabalhador compreende que o projeto popular defende o tempo de vida, o convívio com os filhos e a saúde da classe.A Condução Tática e o Imperativo do Voto CasadoO Processo de Análise e Intervenção Dinâmica adverte que os dias finais exigem disciplina e pedagogia política direta nos locais de produção, estudo e moradia. As sondagens eleitorais científicas apontam que a vitória no primeiro turno é plenamente viável. A atração da parcela de eleitores indecisos e dispersos depende da clareza do contraste entre o projeto do trabalho e o da usura financeira.Entretanto, a governabilidade popular no período pós-eleitoral demanda uma compreensão rigorosa sobre o equilíbrio de poder no Estado. O presidente da República atua como o timoneiro encarregado de direcionar a embarcação nacional rumo ao desenvolvimento soberano; o Congresso Nacional, por sua vez, constitui o corpo de remadores.Conquistar a presidência e dispersar o sufrágio parlamentar em candidaturas do grande capital, do agronegócio predatório ou de lobistas de bancos fraudulentos equivale a colocar sabotadores no interior da embarcação [source: 3]. Um Parlamento dominado por setores conservadores travará a redução da jornada de trabalho, tentará impedir a valorização do salário mínimo e chantageará o Poder Executivo mediante o sequestro de verbas orçamentárias [source: 3].A diretriz para o dia quatro de outubro é precisa e irrevogável: * A eleição do presidente Lula para assegurar a autodeterminação nacional e a ampliação das conquistas da classe trabalhadora; * A eleição de governadores alinhados à defesa da cidadania e dos direitos sociais nos estados; * O voto casado e disciplinado na chapa completa de deputados federais e nas duas vagas do Senado Federal pela Federação Brasil da Esperança e forças leais da esquerda popular.A história não recua perante as ameaças da reação nem se rende aos balcões da especulação parasitária. No dia quatro de outubro, com a verdade material esclarecendo a consciência popular e a organização coletiva nas ruas, a classe trabalhadora brasileira transformará a sua força em poder político soberano, abrindo uma etapa de justiça social, emancipação do trabalho e dignidade para toda a Nação.
Deixe um comentário