Manifesto do Povo Brasileiro: O Nome do Trabalho e a Soberania de Pindorama

Por José Rios

Aos trabalhadores e trabalhadoras, aos herdeiros de Pindorama e das resistências que erguem este país todos os dias:Nenhum povo no mundo traz no próprio nome a marca inequívoca da sua força de trabalho como o nosso.Enquanto as nações imperiais e as oligarquias coloniais buscaram gentílicos de linhagem, território estático ou aristocracia, nós fomos batizados com o sufixo “-eiro” — a mesma terminação do pedreiro, do ferreiro, do padeiro e do carpinteiro. O “brasileiro”, antes de ser o cidadão de um Estado-Nação, foi o operário do pau-brasil, o explorado da terra, o degredado que deitava o suor no solo tropical sob o chicote e o jugo da metrópole lusitana.Mas a história não é o monumento frio do opressor: ela é a práxis viva dos oprimidos. Em um ato de insurreição linguística e soberania popular, a nossa gente tomou o insulto das elites coloniais e o transformou no nosso maior estandarte de pertencimento. Nós transformamos o nome da nossa exploração na nossa certidão de nascimento e dignidade.A Matriz do Trabalho e a Dialética da TerraNão nascemos do decreto de imperadores nem da pena de burocratas. A nossa formação social nasceu do encontro violento, mas criativo, da força de trabalho com a natureza monumental do continente.Como nos ensinou a dialética da história e da natureza, o ser humano transforma a si mesmo ao transformar o mundo. Das savanas e bacias hidrográficas de Pindorama ao saber agrícola, minerário e tecnológico dos povos originários e das populações africanas barbaramente escravizadas, foi a inteligência e os braços da classe trabalhadora que moldaram a infraestrutura material deste país.O capital mercantil e o imperialismo buscaram aqui a pilhagem das nossas riquezas. O povo brasileiro respondeu refundando a vida: * Transformou o cativeiro em trincheira de resistência cultural e política. * Torceu a língua do colonizador para criar o pretuguês, o ritmo, a poesia e o afeto da nossa fala. * Rebatizou a geografia oficial da violência, transformando Florianópolis na carinhosa Floripa, Salvador na Roma Negra e o território espoliado em solo de esperança.Pindorama contra o Imperialismo e a TiraniaA soberania nacional não é uma abstração de gabinete nem um privilégio das elites que se curvam ao capital financeiro internacional. Como nos convoca a luta anti-imperialista, a verdadeira soberania reside na autodeterminação do povo trabalhador e na afirmação intransigente da nossa identidade.A nossa cultura é o “povo novo” de Darcy Ribeiro e a capacidade criativa de transformar escassez em abundância simbólica: a nossa Monarquia do Afeto. Aclamamos os nossos reis e rainhas no futebol, no samba, no axé, no baião e dentro das nossas casas, porque reconhecemos a nobreza no talento, na ginga e no abraço — jamais na herança de sangue ou no título de propriedade.É por isso que declaramos: nesta terra, os tiranos não se criam.O fascismo, o autoritarismo e as tentativas de tutela imperialista encontram em Pindorama um solo ontologicamente hostil. A tirania exige o medo, a tristeza, a rigidez e a servidão. O povo brasileiro, erguido pela diversidade de potiguares, capixabas, mineiros, soteropolitanos, acreanos e gaúchos, é a antítese viva do arbítrio. A nossa alegria e a nossa capacidade de organização comunitária não são conformismo: são a nossa tecnologia política de sobrevivência e rebeldia.A Pátria do Povo em ConstruçãoO Brasil não é um projeto acabado das classes dominantes; é uma utopia em constante construção, empurrada pela luta de classes.Contra o complexo de vira-lata, contra a espoliação das nossas riquezas pelo capital estrangeiro e contra a tentativa de desarmar a nossa memória, erguemos a bandeira da Pátria Trabalhadora: * Pela Soberania Popular: O único soberano legítimo deste solo é quem nele trabalha, produz e constrói a vida. * Pela Valorização da Memória e da Identidade: Nenhum direito a menos para os povos originários e para a maioria negra que ergueu e sustenta esta nação. * Contra a Tirania e a Tutela: Recusa inflexível a qualquer forma de fascismo, autoritarismo ou submissão geopolítica aos impérios do Norte.Nós somos os herdeiros do pau-brasil, da terra roxa, das minas e da roça. Somos a síntese viva da resistência de Palmares, de Canudos e das lutas sindicais e populares de todo o território nacional.Erga a cabeça, povo brasileiro: o teu nome é o próprio trabalho, e o teu destino é a liberdade!Pindorama Viva! Soberania Popular e Luta Anti-imperialista Já!

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