O BRASIL NÃO É FEITORIA: A DERROTA DO GOLPISMO DE TOGA, O DESESPERO DO FASCISMO E O CHAMADO HISTÓRICO DAS URNAS

Por José Rios (Artigo de Análise e Opinião para a coluna “De Olho no Voto” do Blog REINTEGRAR-SER)

A luta política no Brasil aproxima-se do seu momento culminante sob a tensão direta de um conflito geopolítico e histórico irreconciliável. De um lado, ergue-se a afirmação de um país soberano, altivo, que se recusa a ser tutelado e assume papel central na construção da multipolaridade ao lado dos BRICS+ e do Sul Global. Do outro, rasteja a reação neocolonial capitaneada pelo imperialismo decadente — o autêntico “império do caos” — e executada por seus serviçais domésticos, que não vacilam em correr a Washington para implorar sanções, tutelas e desestabilização contra a própria pátria.

Em ato histórico realizado em Curitiba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enunciou a resposta que sintetiza a dignidade nacional: “Esse país não é um país de vira-latas. Não é republiqueta de bananas. A escolha de um governador, de um deputado e do presidente é única do povo brasileiro”. O recado ecoa como um trovão contra a burguesia compradora. Incapaz de derrotar o projeto popular no terreno da economia real — onde o desemprego recua, a inflação alimentar é contida, o programa Pé-de-Meia ampara a juventude e a seguridade social atinge fluxo regular e desreprimido —, a extrema-direita e suas frações aliadas no rentismo tentam desesperadamente incendiar as instituições para melar o processo eleitoral de 4 de outubro.

O XEQUE-MATE NO LAWFARE: A RELATORIA CASSADA E A QUEDA DO SIGILO

A tentativa de desestabilização institucional sofreu uma derrota estratégica fulminante nas entranhas do Supremo Tribunal Federal. O plano do lawfare endógeno consistia em transformar gabinetes isolados em comitês eleitorais da reação: vazavam-se relatórios inconclusivos produzidos sob medida em 72 horas, atropelavam-se as prerrogativas constitucionais da Procuradoria-Geral da República e blindavam-se os verdadeiros operadores da agiotagem que drenavam o sangue do povo trabalhador.

A articulação firme de ministros que exigiram a entrega irrestrita da cópia integral dos dados extraídos dos aparelhos de Daniel Vorcaro, somada ao posicionamento contundente do procurador-geral da República, Paulo Gonet, desbaratou a armadilha. Ao avocar os autos, cassar a condução monocrática do ministro André Mendonça sobre o caso e fixar prazo de 24 horas para a Polícia Federal atestar a integridade do material, a presidência do STF aplicou um xeque-mate nas manobras de gabinete. A luz do sol da publicidade integral expõe agora o que a reação pretendia esconder: o destino real das dezenas de milhões de reais em corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro que transitaram entre o banqueiro do Banco Master, emendas parlamentares e figuras centrais do clã bolsonarista.

O pânico que se instalou na oposição é visível e patético. O senador Flávio Bolsonaro, sob o peso de investigações formais no STF e desmoralizado perante a opinião pública após o desnudamento do co-habitat físico de sua empresa com a quadrilha que desviou dois bilhões de reais de quatro milhões de aposentados do INSS, tenta reagir em palanques esvaziados no Rio de Janeiro acompanhado pelo operador das “rachadinhas”, Fabrício Queiroz. O discurso raivoso contra a Suprema Corte não engana mais ninguém: é o estertor de quem sabe que a blindagem ruiu e que a materialidade dos fatos soterrou sua máscara moralista. A deserção pública de lideranças evangélicas de sua própria base, como o pastor Otoni de Paula, que veio a público denunciar a farsa ética do bolsonarismo e questionar o enriquecimento ilícito do clã na compra de dezenas de imóveis com dinheiro vivo, atesta o grau de decomposição interna da extrema-direita.

A FACE CRUEL DA COVARDIA FASCISTA E A SABOTAGEM REGIONAL

Sentindo o terreno escapar sob os pés, o fascismo aciona o seu método predileto: a violência física, o preconceito racial e a intimidação territorial. O relato estarrecedor da Paraíba, onde uma jovem trabalhadora de campanha foi agredida fisicamente no rosto e submetida a insultos racistas vis simplesmente por panfletar, enquanto militantes são abordados e constrangidos pelo uso de um chapéu com a estrela de Lula, desnuda o projeto reacionário. É a ideologia do ódio, a mesma que produziu os campos de concentração do século XX, tentando impor a censura pela truculência contra a mulher, a juventude negra e a classe trabalhadora.

Essa brutalidade nas ruas caminha de mãos dadas com a sabotagem orçamentária dos governos da direita no Sul do país. A denúncia de que mais de seis bilhões de reais liberados pelo governo federal para a reconstrução social e de infraestrutura foram boicotados ou retidos por politicagem rasteira de administrações locais revela o desprezo dessa casta pelas dores do povo. Preferem submeter a população trabalhadora ao desamparo e à lama para forjar narrativas de ineficiência estatal, confirmando a advertência histórica de que o fascismo faz do sofrimento humano instrumento de poder.

O CHAMADO À MEMÓRIA: QUEM DERRUBOU A DITADURA NÃO FICA EM CASA

Diante dessa encruzilhada histórica, a convocação cívica dirigida à geração com mais de 70 anos — formulada com sensibilidade e vigor por Clara Ant e Julio Benchimol Pinto — ecoa como uma exigência de consciência. Aos veteranos da luta de classes, que enfrentaram a noite escura da ditadura militar, construíram a resistência na Vila Euclides, reconstruíram a UNE e conquistaram a anistia e a redemocratização com sangue e coragem, a história faz um chamado definitivo.

O voto dos mais velhos pode ter se tornado facultativo perante a frieza da lei formal, mas a memória histórica nunca é facultativa. Não é hora de recolhimento nem de desilusão. Aqueles que viram o Brasil sair do terror da censura e da perseguição não podem permitir que o ódio, o deboche da morte e o entreguismo colonial apaguem as luzes da Nação novamente. A presença consciente dos idosos nas seções eleitorais de todo o país, somada à energia vibrante da juventude trabalhadora, é a força moral que sepultará o golpismo nas urnas.

A LINHA DE FRENTE DA COLUNA “DE OLHO NO VOTO”

A coluna De Olho no Voto do Blog REINTEGRAR-SER assume a linha de frente do combate pedagógico nas duas semanas decisivas que antecedem o 4 de outubro. Nossa tarefa como militantes forjados no materialismo histórico e no planejamento situacional é transformar cada fato concreto em instrumento de agitação e esclarecimento de massas.

A vitória da soberania popular exige romper a cerca da abstenção induzida. A “caça ao voto” convocada pelo ministro Wellington Dias no Nordeste e a ocupação festiva e corajosa das ladeiras de Olinda e das praças do Ceará precisam ser replicadas nas fábricas, nos terminais de transporte e nos bairros da Grande São Paulo, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

Mas a vitória só será completa e transformadora se o povo compreender a profunda advertência da metáfora de Rui Costa: o presidente Lula é o timoneiro, mas o Congresso Nacional são os remadores. Reeleger o timoneiro e entregar o Parlamento aos partidos do rentismo, da agiotagem do Banco Master e dos generais de pijama é colocar sabotadores para afundar a embarcação da Pátria. A disputa das cinquenta e quatro vagas do Senado Federal é o escudo essencial para barrar a chantagem de emendas, aprovar a reforma tributária sobre os super-ricos e enterrar a escala desumana 6×1.

A ordem de marcha é o voto casado de classe: consolidar a vitória popular no Planalto e eleger bancadas combativas da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) e de seus aliados de esquerda. O Brasil pertence ao seu povo trabalhador e não será colônia de ninguém. Com a memória dos que lutaram, a coragem das ruas e a firmeza de nossa vanguarda, derrotaremos o fascismo e consagraremos nas urnas a liberdade, a soberania e a dignidade do povo brasileiro!

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