Por José Rios (Artigo de Análise e Opinião )
O processo eleitoral brasileiro de 2026 entrou em sua fase mais aguda e definitiva. Longe de constituir um mero ritual de alternância institucional, o que se trava neste momento histórico é a confrontação aberta entre dois projetos inconciliáveis: de um lado, a afirmação altiva da soberania nacional, alinhada à construção de uma ordem mundial multipolar com o Sul Global e os BRICS+; de outro, a tentativa desesperada de recolonização do país capitaneada pelo imperialismo decadente — o autêntico “império do caos” — e executada por seus serviçais domésticos.
A grande novidade deste momento é que a iniciativa política mudou de mãos. Enquanto o campo reacionário se esfarela em contradições morais e crimes corporativos, a classe trabalhadora e os movimentos populares retomam o seu palco natural: as ruas, as praças e os territórios. Os atos de mobilização em Olinda com o frevo e a militância nas ladeiras, convocados pela senadora Teresa Leitão sob a palavra de ordem de que esta é a eleição das nossas vidas, somados à Plenária dos Movimentos Sociais em Fortaleza com Elmano de Freitas, Cid Gomes e Luizianne Lins, confirmam que o Nordeste brasileiro se ergue mais uma vez como a trincheira inexpugnável da dignidade nacional.
A força que brota do chão popular é a resposta concreta ao medo que os setores dominantes tentaram incutir na sociedade. Quando o povo trabalhador se coloca em marcha, as intrigas de gabinete e as manipulações algorítmicas perdem a capacidade de paralisar a Nação.
O Desmoronamento Ético da Extrema-Direita
A paralaxe classista — método que nos ensina a enxergar a realidade por trás das aparências — cobra agora a sua fatura histórica. Durante anos, a extrema-direita construiu um império de mentiras baseado no falso moralismo, apresentando-se como arauto da família, da pátria e do combate à corrupção. Essa fraude ruiu de forma definitiva e constrangedora.
A revelação de que a empresa Bravo Grafeno, pertencente ao senador Flávio Bolsonaro, operava no mesmíssimo endereço em Brasília que abrigava nada menos que dezesseis empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes — o “Careca do INSS”, preso na Papuda pelo desvio escandaloso de dois bilhões de reais de mais de quatro milhões de aposentados e pensionistas — é o atestado material da pilhagem. O esquema, articulado durante o governo de Jair Bolsonaro e desarticulado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União na atual gestão, expõe quem verdadeiramente assaltou a renda dos mais pobres. Enquanto o governo do presidente Lula devolveu o dinheiro aos idosos e colocou os criminosos na cadeia, os herdeiros do bolsonarismo dividiam o teto com o operador do roubo previdenciário.
Não bastasse isso, a formalização do Inquérito 5026 no Supremo Tribunal Federal para investigar Flávio Bolsonaro por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no escândalo do Banco Master — envolvendo pedidos de mais de cento e trinta milhões de reais ao banqueiro Daniel Vorcaro sob o pretexto de bancar uma cinebiografia patriótica — arrancou a última máscara da candidatura da direita. Até mesmo o tradicional jornal O Estado de S. Paulo, voz histórica das elites liberais paulistas, viu-se forçado a estampar em editorial que Flávio Bolsonaro sofreu “falência ética” e não possui condições morais nem mesmo para disputar cargos eletivos. Quando a própria imprensa burguesa abandona o barco do clã, fica nítido que o projeto golpista perdeu qualquer sustentação política séria.
O Fracasso do Lawfare Endógeno
Diante do esgotamento de suas narrativas e do pânico com as entregas materiais do governo popular — que zerou a fila do INSS para um fluxo contínuo de 34 dias, gerou emprego formal e valorizou o salário mínimo —, a reação tentou uma cartada derradeira: o lawfare endógeno.
Tentou-se utilizar a máquina jurisdicional para fabricar escândalos artificiais na reta final, violando o sigilo de apurações preliminares em 72 horas e ameaçando afastar a cúpula da Polícia Federal a pedido de agremiações partidárias. Tratava-se de um plano sórdido para colocar em dúvida a integridade dos próprios órgãos encarregados de conduzir e diplomar o resultado do pleito.
Contudo, a manobra foi desarticulada por dentro das próprias instituições. A reação firme de ministros que exigiram a abertura total dos autos e dos anexos do caso Master inverteu o jogo: quem pretendia sangrar o governo viu-se obrigado a expor as investigações represadas sobre as relações perigosas entre a finança predadora e os parlamentares da oposição. O tiro do golpismo saiu pela culatra.
A Tarefa Histórica do Voto Casado
O entusiasmo que contagia Pernambuco, Ceará, Piauí, Bahia e os cinturões operários do Sudeste não pode, entretanto, descambar para o triunfalismo ingênuo. A advertência dos veteranos da luta de classes é clara: eleição não se vence por antecipação, mas com disciplina e combatividade até o fechamento da última urna no dia 4 de outubro.
Para que a vitória seja completa e o Brasil possa avançar nas transformações estruturais, a classe trabalhadora precisa compreender a profunda verdade da metáfora formulada pelo ministro Rui Costa. O presidente Lula é o timoneiro que guia a nau do Estado em direção ao desenvolvimento e à justiça social; mas o Congresso Nacional é formado pelos remadores. Votar em Lula para presidente e escolher deputados e senadores da direita ou do Centrão fisiológico significa colocar sabotadores a bordo, prontos para remar para trás, travar o reajuste salarial, barrar o fim da escala 6×1 e chantagear o Executivo com emendas secretas e ameaças de impeachment.
A disputa pelas cinquenta e quatro vagas do Senado Federal é o coração dessa batalha. É no Senado que o grande capital tenta erguer um muro de contenção para paralisar indicações soberanas e sabotar as reformas do povo. Portanto, a palavra de ordem é o voto casado: cada voto em Lula deve ser acompanhado pelo voto nas bancadas da Federação Brasil da Esperança — formada pelo PT, PCdoB e PV — e em seus aliados programáticos.
O povo brasileiro já sentiu na própria pele o custo amargo do fascismo, da entrega das riquezas nacionais e da carestia. Neste momento em que a esperança volta a desfilar com frevo em Olinda e com a força dos movimentos sociais em Fortaleza, a convocatória é uma só: ocupar as ruas, dialogar de porta em porta, desmontar a farsa dos vendilhões da pátria e assegurar uma vitória maiúscula, popular e soberana para reconstruir o Brasil e devolver o futuro à sua classe trabalhadora.
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