A BATALHA PELA JORNADA É A BATALHA PELA VIDA: DERROTAR A SABOTAGEM PATRONAL CONTRA O FIM DO 6X1

Por José Rios

A ofensiva das forças conservadoras e da direita parlamentar contra o fim da escala 6×1 não constitui mero apego a velhas fórmulas econômicas: trata-se da expressão crua da luta de classes e do caráter predatório do capitalismo dependente brasileiro. O debate em torno da redução da jornada para o regime 5×2 — sem redução salarial — coloca no centro da arena nacional a contradição fundamental entre a vida dos trabalhadores e a insaciável acumulação capitalista.

A Anatomia da Sabotagem no Congresso

As recentes declarações de dirigentes do União Brasil, do PL e do Republicanos expõem a estratégia articulada entre o grande empresariado e seus prepostos no Parlamento: sabotar a tramitação a qualquer custo.

Ao admitirem a portas fechadas que a proposta é imbatível caso chegue a voto aberto em plenário, os representantes do capital confessam o isolamento político de suas teses. A manobra consiste em engavetar as matérias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), esvaziar quóruns e manufactured crises institucionais artificiais.

Trata-se de uma tática diversionista que se desdobra em duas frentes:

  1. O terrorismo fiscal e econômico: O discurso patronal retoma o velho dogma do “desastre produtivo”, omitindo deliberadamente que os saltos tecnológicos de produtividade foram inteiramente apropriados pela fração burguesa, enquanto a intensidade do trabalho no comércio e nos serviços atingiu níveis insuportáveis.
  2. O contrabando ideológico da “flexibilização”: Setores da extrema-direita articulam “PECs paralelas” para legalizar o trabalho pago por hora. Sob o verniz enganoso da “autonomia”, buscam institucionalizar a precarização absoluta, transformando o trabalhador em mão de obra intermitente sem renda previsível e desprovida de garantias constitucionais.

O Chão de Fábrica e o Balcão do Comércio: A Realidade Material

A escala 6×1 impõe uma rotina de esgotamento crônico que atinge de forma implacável operadores de caixa, repositores, balconistas, motoristas e pessoal da limpeza. O argumento elitista de que “o excesso de ócio degrada o povo” resgata a mentalidade senhorial e colonialista, que enxerga o tempo livre do proletariado como risco à ordem social.

O tempo roubado pela escala 6×1 é o tempo de viver, de conviver com os filhos, de estudar e de se organizar politicamente. A extração de mais-valia no Brasil combina a jornada extensiva com o arrocho salarial e o ritmo alucinante das metas eletrônicas, transformando o cansaço em norma e a doença ocupacional em rotina estatística.

A Dialética da Luta Institucional e a Força das Massas

A atuação do governo federal e do presidente Lula no diálogo com as presidências das Casas legislativas é um passo tático necessário para romper o cerco da gaveta patronal. Contudo, como ensina a experiência histórica do movimento comunista e classista: nenhum direito estrutural é concedido de cima para baixo pela generosidade do parlamento burguês.

O avanço na CCJ e o eventual destravamento da pauta só se consolidarão como vitória real se sustentados pela mobilização direta nas ruas, nos locais de trabalho e nas portas de lojas e supermercados. A correlação de forças no Congresso Nacional é desfavorável aos trabalhadores; portanto, a pressão precisa ser exercida onde a classe operária tem poder real: na sua capacidade de mobilização, paralisação e denúncia pública dos parlamentares a serviço do capital financeiro e do varejo explorador.

Fortalecer o Polo Classista e Sindical

A luta pelo fim da escala 6×1 exige a recomposição urgente da força material dos sindicatos, brutalmente atacados pelas reformas neoliberais dos últimos anos. Iniciativas que garantem oxigênio econômico e institucional às entidades de base são instrumentos de sustentação indispensáveis, mas devem servir primordialmente à elevação da consciência e da combatividade da categoria.

O momento exige unidade de ação entre as centrais sindicais, as federações de trabalhadores do comércio e os movimentos sociais progressistas. Enterrar a escala 6×1 e conquistar a jornada máxima de 40 horas (ou 36 horas) em regime 5×2, com manutenção integral dos salários, é a tarefa imediata para impor uma derrota política e moral ao bloco reacionário e devolver à classe trabalhadora o tempo roubado pelo capital.

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