Por José Rios
O processo eleitoral brasileiro de 2026 ingressa em sua reta final sob o signo da mais grave encruzilhada histórica das últimas décadas. Não estamos diante de um pleito rotineiro, regido pelas regras pacíficas da democracia liberal de compêndio, mas de um embate geopolítico de alta intensidade. No centro do tabuleiro estão a afirmação da soberania nacional, a autodeterminação dos povos e a sobrevivência do Estado Democrático de Direito contra as investidas desesperadas do imperialismo norte-americano e de seus lacaios domésticos.
A eleição brasileira transformou-se no front mais decisivo da disputa global entre a emergência da ordem multipolar — liderada pelo Sul Global e pelos BRICS — e a tentativa de restauração hegemônica do chamado “império do caos”.
1. A Ingerência Desavergonhada: O Império e Seus Capitães do Mato
A grande imprensa comercial brasileira busca tratar o processo eleitoral com um silêncio cúmplice e escandaloso a respeito daquilo que qualquer observador honesto da cena internacional já constatou: a intervenção direta dos centros de poder de Washington na tentativa de moldar o resultado político no Brasil.
Quando a candidatura da extrema-direita coloca em seus palanques bandeiras dos Estados Unidos, respalda ameaças de tarifas contra as exportações brasileiras e articula comissões para mendigar atestados de ingerência em solo estrangeiro, o que assistimos não é confronto partidário tradicional: é entreguismo e vassalagem. A burguesia compradora e as forças reacionárias locais reeditam o papel histórico das oligarquias que sempre odiaram o povo brasileiro e operaram como síndicas de interesses alienígenas.
┌────────────────────────────────────────────────────────────────────────┐ │ A PARALAXE DA DISPUTA DE 2026 │ ├───────────────────────────────────┬────────────────────────────────────┤ │ A FÁBULA DA GRANDE IMPRENSA │ A REALIDADE GEOPOLÍTICA │ ├───────────────────────────────────┼────────────────────────────────────┤ │ • "Eleição regular entre dois │ • Ofensiva do império para reba- │ │ projetos polarizados" │ nhar a América Latina como quintal│ │ • "Mercado exige sacrifício fiscal│ • Sabotagem econômica para garan- │ │ e reformas com o novo governo" │ tir a rapina do rentismo privado │ │ • "O debate político nas redes é │ • Guerra híbrida via fazendas de │ │ a expressão da liberdade total" │ robôs e manipulação cibernética │ └───────────────────────────────────┴────────────────────────────────────┘
2. Guerra Híbrida e Sabotagem Cibernética: O Desmoronamento da Farsa dos Bots
O desmonte de redes transnacionais de desinformação — escancarado pela prisão na Bolívia do consultor argentino Fernando Cerimedo — joga luz sobre o submundo da guerra híbrida na América do Sul.
As fazendas de automação (bot farms) abastecidas com centenas de dispositivos e conexões clandestinas comprovaram o que a esquerda classista sempre denunciou: a força virtual da extrema-direita não brota do sentimento espontâneo das ruas, mas da montagem industrial de mentiras, de pânico moral e da tentativa covarde de desacreditar a higidez do sistema eleitoral e das urnas. O recuo e a queda vertiginosa dos índices de engajamento desse polo após a quebra desses servidores provam que o castelo de cartas digital se sustenta na fraude tecnológica e no capital especulativo.
3. O Terrorismo do Capital: A Faria Lima e o Assalto ao Fundo Público
Paralelamente à farsa digital, opera o terrorismo econômico conduzido pelos porta-vozes da Faria Lima e pelos editoriais dos barões da mídia. Agitando o espantalho da dívida pública e a falácia do “colapso fiscal”, o capital financeiro tenta enquadrar preventivamente o presidente Lula e chantagear a classe trabalhadora.
Exigem para o próximo período o roteiro da destruição social:
- A desvinculação das aposentadorias do salário mínimo;
- O sepultamento da luta legítima dos trabalhadores pelo fim da escala extenuante 6×1;
- A asfixia dos investimentos estratégicos em saúde pública (SUS) e na universalização do ensino integral.
Enquanto a dívida brasileira gira em torno de 82% do PIB — contra mais de 120% dos próprios Estados Unidos e mais de 220% do Japão —, a chantagem rentista cala sobre as taxas exorbitantes de juros que transferem centenas de bilhões de reais do suor do povo para os cofres de meia dúzia de especuladores. A verdadeira modernização passa por taxar as grandes fortunas e lucros, não por punir o estômago de quem produz.
4. A Geografia do Poder e o Eixo Decisivo de São Paulo
Os dados recentes do Censo do IBGE demarcam a materialidade do terreno onde essa guerra de posições se desfecha:
- A Batalha do Sudeste: Concentrando 41,6% da população nacional, o Sudeste permanece o centro de gravidade da disputa eleitoral.
- A Trincheira Paulista: Com mais de 46 milhões de habitantes e 21,6% do colégio eleitoral, o estado de São Paulo abriga a maior densidade de periferias proletárias do país.
A vitória estratégica do projeto popular depende da capacidade de diálogo olho no olho com as periferias urbanas e com os trabalhadores precarizados por aplicativos, contrapondo o discurso obscurantista às conquistas materiais palpáveis: o Pé-de-Meia, a menor taxa de desemprego das últimas décadas, o controle da inflação de alimentos e a expansão das escolas técnicas federais.
5. A Tarefa Histórica: Vitória em Primeiro Turno e Maioria no Parlamento
Diante das manobras golpistas e da intenção aberta de desestabilizar as instituições para forçar um segundo turno conflagrado, a palavra de ordem da militância comunista, progressista e verdadeiramente patriótica não pode ser de vacilação:
- Liquidar a Fatura no Primeiro Turno: Mobilizar a classe trabalhadora de forma incansável nas ruas, nas portas das fábricas e nas comunidades para garantir a reeleição do presidente Lula sem conceder margem às provocações e sabotagens imperialistas.
- Eleger Bancadas Classistas e Soberanas: Alertar a população para o voto casado na Câmara dos Deputados e nas 54 cadeiras em disputa no Senado Federal. Não basta vencer na Presidência; é vital quebrar a hegemonia do capital financeiro no Parlamento para aprovar as reformas que o povo exige e barrar chantagens de bastidor.
- Vigilância Permanente e Mobilização de Massas: O respeito à soberania popular não será concedido pelas concessões à burguesia, mas assegurado pela força organizada da classe trabalhadora em defesa da Pátria.
O Brasil não será colônia de ninguém. A soberania e a dignidade de nosso povo vencerão a mentira, o entreguismo e o império do caos!
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