A Vingança da História: Como o Golpe de 2016 Deu Lugar à Trincheira Anti-Imperialista de Dilma no NDB

Por José Rios

A dialética da história não perdoa os lacaios do imperialismo. Quando as forças mais reacionárias da oligarquia brasileira, consorciadas ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos e ao grande capital financeiro, desfecharam o infame golpe parlamentar de 2016 contra a presidenta legítima Dilma Rousseff, cantaram vitória antes da hora. Julgavam ter sepultado de vez o projeto soberano de desenvolvimento nacional e alinhado o Brasil, de forma subserviente e perpétua, aos ditames de Washington e de Wall Street.

O que se seguiu no plano interno foi a barbárie anunciada: o sexênio da vergonha, inaugurado pelo usurpador Michel Temer e aprofundado pelo neofascismo obscurantista de Jair Bolsonaro. Foram seis anos de um verdadeiro apagão econômico e civilizatório. Vimos o congelamento criminoso dos investimentos públicos com o famigerado Teto de Gastos, a destruição dos direitos históricos da classe trabalhadora pela via da regressão trabalhista, a entrega vergonhosa do Pré-Sal e da Eletrobras e, no ápice do cinismo das classes dominantes, o retorno humilhante do Brasil ao Mapa da Fome da ONU. No plano internacional, transformaram nossa pátria em um pária mundial, um satélite rastejante a bater continência para a bandeira norte-americana.

Mas a história não anda em linha reta; ela dá saltos revolucionários. A mesma mulher que desceu a rampa do Palácio do Planalto de cabeça erguida, sem negociar seus princípios éticos e a soberania do povo brasileiro, hoje comanda a principal trincheira financeira e geopolítica da resistência global contra a hegemonia decadente dos Estados Unidos: o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do BRICS.

A Desdolarização como Arma da Emancipação dos Povos

Sob a presidência firme de Dilma Rousseff, o NDB não é apenas uma alternativa burocrática aos falidos e draconianos instrumentos de Bretton Woods — o FMI e o Banco Mundial, historicamente utilizados como correias de transmissão do endividamento, da submissão e do neocolonialismo. O NDB converteu-se na ponta de lança da desdolarização do comércio e dos investimentos entre os países do Sul Global.

O império das sanções ilegais, do bloqueio criminoso e da pirataria financeira — que congela reservas de países soberanos que não se curvam aos seus caprichos, como a Rússia e o Irã — vê ruir o chão sob seus pés. Ao definir que até 30% de suas operações de crédito sejam realizadas estritamente em moedas locais, ultrapassando os US$ 42 bilhões em financiamentos sem condicionalidades políticas que firam a integridade dos Estados, Dilma desfere um golpe certeiro no coração do rentismo parasitário ocidental.

Com 11 nações filiadas — os fundadores Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, somados à vanguarda de novos membros como Argélia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Bangladesh, Uzbequistão e a vizinha Colômbia —, o banco consolida aquilo que os povos em desenvolvimento há séculos reivindicam: uma arquitetura multilateral construída pelo Sul Global e voltada para as necessidades concretas dos povos do Sul Global.

A Nova Ordem Multipolar em Marcha

Enquanto a OTAN e a Casa Branca insistem na política de terra arrasada, alimentando guerras eternas por procuração, provocando escaladas militares e impondo bloqueios unilaterais contra a Federação Russa, a República Popular da China e a República Islâmica do Irã, o eixo gravitacional da geopolítica do século XXI deslocou-se irreversivelmente para a Eurásia e as nações não alinhadas.

A liderança de Dilma Rousseff à frente do NDB dialoga em sintonia fina com a ofensiva diplomática e soberana conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a firmeza estratégica de Xi Jinping e Vladimir Putin, com a postura progressista de Claudia Sheinbaum no México e com as lideranças emergentes da Turquia, do Sudeste Asiático e de toda a América Latina e Caribe. Não se trata de uma simples disputa mercantil por cotas de mercado; trata-se da construção de uma ordem mundial multipolar, democrática e anti-hegemônica, assentada no respeito irrestrito à Carta das Nações Unidas, no princípio da não intervenção e na autodeterminação inalienável dos povos.

A ironia materialista que salta aos olhos desmascara os arautos do atraso: os mesmos setores golpistas que apearam Dilma para saquear as riquezas nacionais assistem hoje, atônitos e impotentes, à sua consagração nos centros do poder internacional. A dignidade de Dilma Rousseff personifica a própria dignidade do Brasil soberano que não se ajoelha diante do império do caos. A história fez a sua justiça: o golpe de 2016 apodreceu nos escombros do obscurantismo, enquanto os povos do mundo avançam, a passos firmes, rumo ao horizonte da sua definitiva libertação nacional e civilizatória.

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