Por José Evangelista Rios da Silva
A metáfora do esporte é implacável: um time que apenas se exercita em treinos fechados, evitando o atrito dos jogos reais para não encarar o adversário, jamais estará apto a vencer quando a partida exigir a defesa de seu povo. Transposta para a geopolítica, a soberania e a autodeterminação constroem-se no enfrentamento contínuo das contradições materiais — ou capitulam ante o temor do confronto, abrindo brechas para a agressão externa.
O debate contemporâneo sobre o Estado Democrático de Direito no Brasil exige ultrapassar a aparência dos embates eleitorais. A soberania popular não se consolida como abstração jurídica, mas como resultado da correlação concreta de forças produtivas, da capacidade dissuasória do Estado e da organização da classe trabalhadora.
No século XXI, o assédio às nações periféricas detentoras de recursos estratégicos opera pela ação coordenada do capital transnacional através de pressões econômicas, cercamento tecnológico e cooptação de elites locais. No âmbito interno, essa dinâmica encontra eco nas “quintas colunas” e no papel do monopólio midiático em promover o apassivamento popular e a entrega de ativos públicos.
Analisar esse fenômeno em paralaxe desnuda a luta de classes: a classe dominante compradora prefere alienar reservas minerais, fontes energéticas e o parque industrial a permitir um projeto soberano sob controle popular. Preferem “fazer gol contra” e atuar como linha de frente do capital financeiro a fortalecer a integração nacional.
A soberania é uma totalidade indissociável. O envio de minérios brutos sem agregação local de valor fragiliza a autonomia produtiva. Paralelamente, a dependência em relação a suprimentos estrangeiros no setor de defesa compromete o poder de dissuasão do Estado. Garantir a integridade nacional exige o domínio autônomo de tecnologias críticas e uma base industrial soberana.
Frente às pressões globais, o pragmatismo estéril equivale à capitulação antecipada. A organização dos trabalhadores é a única muralha real contra as investidas desestabilizadoras. Somente a práxis transformadora permitirá ao Brasil disputar o jogo histórico e defender seu patrimônio e seu povo.
Deixe um comentário