A análise das disputas eleitorais no seio do Estado capitalista exige o afastamento rigoroso do idealismo liberal. Sob a paralaxe classista, o processo eleitoral não é um mercado neutro de ideias, mas uma arena de condensação da luta de classes. Enquanto a burguesia utiliza o pleito para chancelar a manutenção da sua hegemonia, para o proletariado a disputa representa um momento tático de acúmulo de forças, agitação ideológica e afirmação de direitos.
Na Bahia, o debate sobre as disputas proporcionais para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados expõe o surgimento do fetichismo digital. Criou-se a ilusão de que o capital político e a conversão eleitoral poderiam ser construídos de forma desterritorializada, pautados em engajamento de redes sociais e num suposto “voto de opinião” virtual. A experiência concreta da militância popular, contudo, demonstra que o engajamento digital sem ancoragem territorial é altamente volátil e de baixíssima conversão nas urnas.
A métrica apurada no trabalho de base da militância classista revela uma verdade matemática e política: o voto do trabalhador em candidaturas da sua própria classe é fruto direto do cadastramento, do acompanhamento individual e da presença física do partido e dos seus quadros. Em processos organizados na Bahia onde a mobilização produziu 4.000 cadastros diretos, a candidatura atingiu 4.044 votos nas urnas; em outro cenário, 1.900 cadastros resultaram em 1.976 votos. Essa margem de variação estrita (inferior a 2%) prova que não existe atalho tecnológico para a fidelização eleitoral.
Se para as candidaturas populares as redes sociais funcionam apenas como complemento informativo da presença física, para a reação e a extrema-direita elas são aparelhadas como estruturas industriais de manipulação comportamental. A operação de “fazendas de robôs”, a automação de perfis e a guerra de desinformação cibernética são expedientes financiados pelo capital para simular consensos artificiais, fragmentar a consciência de classe e burlar a legislação. Enquanto a classe trabalhadora depende da verdade histórica e da solidariedade orgânica no chão da vida real, o capital necessita da mistificação técnica para preservar a dominação.
Diante disso, a militância e a formação classista devem pautar sua intervenção por indicadores táticos centrados na base: o cumprimento rigoroso da agenda presencial do candidato nos bairros e locais de trabalho, o fortalecimento dos comitês de base ativos e o acompanhamento contínuo dos cadastros individuais. As plataformas digitais devem servir unicamente como caixa de ressonância da luta presencial, rejeitando métricas de vaidade. Somente a organização consciente do povo trabalhador, enraizada na presença territorial e na confiança de classe, é capaz de derrotar a força do dinheiro e garantir a vitória das candidaturas populares nas urnas.
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