A Batalha da Paralaxe: Soberania Nacional e o Processo Eleitoral na Fronteira do Desenvolvimento

​Por José Evangelista Rios da Silva

A análise de conjuntura do Brasil contemporâneo exige o método da paralaxe: o deslocamento da perspectiva analítica que revela como um mesmo objeto — o processo eleitoral — muda radicalmente de forma conforme a posição de quem o observa. Para o campo nacional-popular, o pleito não representa um mero rito formal de alternância de poder, mas a arena decisiva onde se choca o projeto de desenvolvimento autônomo contra o cerco da dependência colonial.

​1. O Processo Eleitoral sob a Perspectiva da Paralaxe Geopolítica

​Na visão convencional da democracia liberal, as eleições são apresentadas como uma disputa asséptica entre propostas administrativas. Sob a lente da paralaxe geopolítica, contudo, o pleito revela-se como o palco de uma guerra híbrida contínua.

​A disputa central estabelece-se entre:

  • O Projeto de Autodeterminação e Desenvolvimento: Focado no domínio estatal sobre bens estratégicos (como as reservas petrolíferas da Margem Equatorial e os minerais críticos), na reindustrialização e no fortalecimento do mercado interno.
  • A Pressão do Centrismo Imperial e Agentes Internos: Operada por setores financeiros internacionais e frações das elites locais que atuam como quinta coluna, buscando manter o país na condição de primário-exportador e fornecedor subordinado de insumos brutos.

​2. Os Atores da Desestabilização: O Império do Caos e os Agentes Subservientes

​A manutenção da dependência exige a atuação coordenada de vetores que minam a soberania por dentro e por fora:

  • O Império do Caos e a Ingerência Externa: Estratégias de pressão política, diplomática e econômica que visam constranger a gestão soberana dos recursos naturais e barrar a consolidação do Brasil como potência tecnológica no Sul Global.
  • A Quinta Coluna e o Consórcio Midiático: Setores internos e aparelhos de hegemonia cultural/midiática que naturalizam a entrega do patrimônio público, atacam os instrumentos de planejamento do Estado e tentam criminalizar a pauta da soberania nacional.
  • A Ameaça ao Rito Democrático: O uso de narrativas golpistas e de desinformação como ferramentas de chantagem institucional para deslegitimar a soberania popular expressa nas urnas.

​3. A Soberania Digital e Energética como Eixo de Resistência

​Não há autodeterminação política sem independência econômica, energética e tecnológica. O controle estatal das reservas estratégicas de energia, somado ao avanço na infraestrutura digital e computacional própria, constitui a verdadeira blindagem contra a ingerência estrangeira. O voto e a participação popular funcionam, assim, como o aval indispensável para garantir que o subsolo, os dados e o trabalho nacional sirvam ao bem-estar do povo e ao fortalecimento do Estado-Nação.

Referências Bibliográficas de Apoio à Formação:

  • ​BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. A desordem mundial: O império americano e as redes de poder. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016.
  • ​FURTADO, Celso. A pré-revolução brasileira. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1962.
  • ​LOBATO, Monteiro. O Petróleo é Nosso!. São Paulo: Brasiliense, 1936.
  • ​PRADO JR., Caio. A revolução brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1966.
  • ​ŠIŽEK, Slavoj. A Visão em Paralaxe. São Paulo: Boitempo, 2008.

José Evangelista Rios da Silva é geógrafo (UCSal), pedagogo (UNEB) e especialista pelo CES-Nacional e pela Fundação Maurício Grabois. Técnico em Finanças e Investimentos com experiência em conselhos fiscais (Cooperbom) e consultivos (ex-conselheiro Sesc/Senac-BA), dedica-se há mais de 50 anos ao setor de supermercados e ao sindicalismo. Atualmente dirigente da FEC Bahia, define seu trabalho como uma “práxis militante” voltada à construção de soluções e pontes para a classe trabalhadora.

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