Autor: Analista Crítico de Relações Internacionais e Luta de Classes Instituição: Núcleo de Estudos em Geopolítica, Imperialismo e Soberania dos Povos
Por José Evangelista Rios da Silva
Resumo
Este artigo analisa, sob a perspectiva do materialismo histórico-dialético e do conceito de paralaxe classista, a articulação entre as conspirações da extrema-direita nacional e as diretrizes geoestratégicas do imperialismo estadunidense — aqui compreendido como o motor do “Império do Caos” no planeta. Examina-se o desespero do núcleo hegemônico global e de seus prepostos locais diante da perda de hegemonia econômica e da consolidação de blocos multilaterais soberanos, como os BRICS. O texto desvenda as tentativas de sabotagem eleitoral, a guerra híbrida e o lawfare, contrapondo-os aos princípios constitucionais brasileiros de autodeterminação e aos mecanismos multilaterais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Palavras-chave: Paralaxe classista. Imperialismo. Soberania nacional. Extrema-direita. BRICS. Direito internacional.
1. Introdução: A Paralaxe do Caos e a Crise Hegemônica do Imperialismo
A análise conjuntural contemporânea exige uma ruptura com as leituras superficiais que tratam os sobressaltos políticos do Brasil e do mundo como meros acidentes institucionais. Sob o prisma da paralaxe classista, o observador engajado percebe que as crises políticas, as tentativas de desestabilização democrática e as sanções econômicas articuladas pela extrema-direita interna e externa respondem a um movimento unificado: a defesa desesperada dos interesses do capital transnacional concentrado no centro do Império do Caos — a superpotência imperialista que utiliza a desestabilização regional, golpes de Estado e guerras híbridas como métodos de conservação de sua hegemonia unipolar em declínio.
2. O Império do Caos e o Desespero da Extrema-Direita Local
O conceito de “Império do Caos” traduz a dinâmica estrutural em que o imperialismo ocidental, liderado por Washington, converte a instabilidade, a destruição de cadeias produtivas soberanas e a manipulação ideológica em ferramentas de dominação.
- A Guerra Hibrida no Brasil: As manobras da extrema-direita brasileira — desde a arquitetura golpista até as recentes tentativas de instrumentalização do aparato diplomático e midiático estrangeiro para questionar a lisura do processo eleitoral — revelam subordinação servil aos centros hegemônicos do Norte Global.
- O Desespero do Chefete e do Clã: O cerco judicial e político ao ex-presidente brasileiro e sua corja familiar não decorre de perseguição abstrata, mas da constatação material de que seus projetos de poder dependiam da entrega de riquezas estratégicas nacionais (como o pré-sal, bases espaciais e empresas estatais) ao capital estrangeiro. O desespero expresso nas brigas intestinas do clã e na busca por mártires artificiais reflete a incapacidade de conter o avanço das forças populares soberanas por vias estritamente democráticas.
3. A Resposta Multilateral: Soberania, Autodeterminação e o Papel dos BRICS
Diante do intervencionismo e das tentativas de coerção externa — evidenciadas na recusa de vistos a emissários estrangeiros que pretendiam auditar ou desacreditar a soberania eleitoral brasileira —, o direito internacional e os blocos multilaterais emergentes operam como escudos fundamentais.
- O Princípio da Autodeterminação e a ONU: A Carta das Nações Unidas consagra nos seus artigos iniciais a igualdade soberana dos Estados e a proibição da intervenção nos assuntos internos de qualquer país. A tentativa de potências hegemônicas de tutelar democracias periféricas fere diretamente o arcabouço do direito internacional público.
- A Alternativa Geopolítica dos BRICS: Em contraposição unipolaridade bélica e caótica do imperialismo tradicional, o bloco dos BRICS consolida-se como o eixo motor de um novo arranjo multipolar. Fundamentado no respeito mútuo à soberania, na desdolarização do comércio internacional e na cooperação econômica livre de condicionalidades neoliberais, os BRICS oferecem o suporte material indispensável para que países do Sul Global resistam às chantagens do Império do Caos.
4. Conclusão
A articulação entre as armações da extrema-direita interna e as diretrizes do imperialismo em decadência evidencia que a luta pela democracia no Brasil é indissociável da luta anti-imperialista. Sob a ótica da paralaxe classista, conclui-se que o “Império do Caos” continuará a fomentar crises artificiais, mas encontra barreiras cada vez mais sólidas na consolidação da soberania nacional, na defesa intransigente dos princípios constitucionais e na expansão de alianças multilaterais estratégicas como os BRICS.
Referências Bibliográficas, Constitucionais e Multilaterais
- BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. (Art. 4º, incisos I, II, III, IV e V – Princípios que regem o Brasil nas suas relações internacionais, com destaque para a independência nacional, a prevalência dos direitos humanos, a autodeterminação dos povos e a não-intervenção).
- ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Carta das Nações Unidas. São Francisco, 1945. (Em especial o Artigo 2º, que estabelece os princípios da soberania igualitária dos Estados e a abstenção do uso da força ou da ameaça contra a integridade territorial).
- ASSEMBLEIA GERAL DA ONU. Resolução 2625 (XXV): Declaração sobre os Princípios do Direito Internacional relativos às Relações Amigáveis e à Cooperação entre os Estados. Nova York, 1970.
- ESCOBAR, Pepe. O Império do Caos. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2015.
- SANTOS, Boaventura de Sousa; MARTINS, Bruno Sena (Org.). O Pluriverso dos Direitos Humanos: A diversidade das lutas contra a globalização capitalista. Coimbra: Almedina, 2019.
- DECLARAÇÕES DA CÚPULA DOS BRICS. Documentos oficiais de cúpulas recentes sobre multipolaridade, reforma do sistema financeiro internacional e soberania dos Estados soberanos do Sul Global.
José Evangelista Rios da Silva é geógrafo (UCSal), pedagogo (UNEB) e especialista em Planejamento Estratégico e Situacional pelo CES-Nacional. Com formação em Economia Política pela Fundação Maurício Grabois, sua trajetória é marcada por mais de cinco décadas de atuação no setor de supermercados e no movimento sindical. Dirigente da FEC Bahia, define sua atuação pela “práxis militante”: a dedicação de um sonhador apaixonado pela causa dos trabalhadores, focado em construir pontes e soluções para a sua classe.
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