Por José Evangelista Rios da Silva
Resumo: O presente artigo investiga a materialidade da crise militar dos EUA, marcada pelo consumo de quase 50% de seu estoque estratégico de mísseis na conflagração contra o Irã. Analisa-se como o colapso da base industrial unipolar coincide com uma insurreição diplomática liderada pelo México e 120 países em defesa de Cuba e da soberania nacional. A análise conclui que a neutralização da capacidade ofensiva de Donald Trump é um imperativo civilizacional, exigindo a reconstrução de mecanismos da ONU que impeçam a ascensão de necropolíticas de extrema-direita.
1. O Elemento Objetivo: A “Marinha de Papel Moeda” e o Esgotamento do Arsenal
A materialidade dos fatos nas últimas 24 horas revela que o “policial do mundo” atingiu o seu ponto de culminação logística:
- Insolvência Bélica: O gasto de 1.100 mísseis Tomahawk e 1.200 interceptores Patriot representa o consumo de décadas de produção em poucos meses. O Eixo do Caos não possui capacidade de reposição em tempo real, deixando comandos na Ásia e Europa desguarnecidos. É a prova material de que o capital financeiro (bolha de US$ 2 trilhões) não produz munição real.
- Cegueira Estratégica e Perigo Nuclear: A tentativa de Donald Trump de acessar códigos nucleares após o fracasso da guerra convencional confirma a tese de psicopatologia política no comando unipolar. A contenção interna exercida por setores do Pentágono é a única barreira física que impediu uma catástrofe planetária diante da exaustão tática.
2. A Lente Classista: A Insurreição Diplomática e a Defesa de Cuba
A articulação da diplomacia mexicana, acompanhada por 120 nações, demonstra que o Aparelho Ideológico de Estado unipolar não consegue mais isolar o Sul Global:
- Fim da Arrogância: O apoio massivo a Cuba na ONU é a negação dialética do bloqueio e da necropolítica imperial. A humanidade identifica em Trump e no seu Eixo do Caos o espelhamento histórico de tendências fascistas que, há 80 anos, foram derrotadas pela união das nações soberanas.
- Necropolítica como “Novidade”: A extrema-direita utiliza a fanatização de vulneráveis para ocultar a sua incapacidade de gerir a economia real. A guerra contra o Irã foi a tentativa desesperada de “queimar estoque” e gerar lucro para o complexo industrial-militar, resultando apenas em insolvência e desonra.
3. Materialidade Dialética: O Papel dos Mecanismos Multilaterais
A prática histórica exige que a ONU seja refundada sobre bases técnicas e soberanas:
- Contenção do Fascismo: Para evitar que o genocídio se repita sob novas vestes, a humanidade deve institucionalizar a paridade técnica. A lição do Irã (produção doméstica) e do Brasil de Lula (soberania alimentar) prova que a dependência do dólar e da tecnologia unipolar é o que permite a chantagem fascista.
- Artigo 51 e Além: A legítima defesa deve ser estendida à soberania econômica. O bloqueio contra Cuba ou as sanções contra o Irã devem ser classificados como crimes de agressão, puníveis com o isolamento total do agressor nos mercados do Sul Global.
4. TENDÊNCIAS E PROJEÇÕES: O FUNERAL DA UNIPOLARIDADE (PES-C)
- Cenário de Queda (Eixo do Caos): Um império sem munição e sem aliados morre de inanição logística. A queda de Trump, seja por impeachment ou isolamento total, é o desfecho necessário de uma política que tentou substituir a produção real pela ameaça nuclear.
- Cenário de Soberania (Sul Global): Consolidação de um sistema de segurança coletiva fora da órbita da OTAN. A vitória diplomática mexicana e a resistência física iraniana são os pilares da nova ordem multipolar, onde o fascismo genocida será arquivado como uma patologia histórica superada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (SISTEMA ABNT)
- ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos de Estado. Rio de Janeiro: Graal, 1970.
- CARRATO, Angela. O Colapso do Soft Power e a Falência da Hasbará. Brasília: Ed. Brasil 247, 2026.
- FARINAZZO, Robinson. Cegueira Tecnológica e a Marinha de Papel Moeda. Rio de Janeiro: Arte da Guerra, 2026.
- MATUS, Carlos. Planejamento Estratégico Situacional (PES-C/MAPP). Caracas: IVEPLAN, 2026.
- ONU. Carta das Nações Unidas: Artigo 51 e Declaração sobre a Inadmissibilidade da Intervenção e Interferência nos Assuntos Internos dos Estados. San Francisco, 1945.
- WOLFF, Richard D. A Insolvência Econômica do Império. New York: Democracy at Work, 2026.
José Evangelista Rios da Silva é geógrafo (UCSal), pedagogo (UNEB) e especialista em Planejamento Estratégico e Situacional pelo CES-Nacional. Com formação em Economia Política pela Fundação Maurício Grabois, sua trajetória é marcada por mais de cinco décadas de atuação no setor de supermercados e no movimento sindical. Dirigente da FEC Bahia, define sua atuação pela “práxis militante”: a dedicação de um sonhador apaixonado pela causa dos trabalhadores, focado em construir pontes e soluções para a sua classe.
Dica de mestre: Se o seu blog permitir
Deixe um comentário