A INSOLVÊNCIA DA HEGEMONIA PELO CONFLITO: DISSUASÃO SOBERANA E A NOVA ARQUITETURA DE PODER MULTIPOLAR (25/04/2026)

Por José Evangelista Rios da Silva

Este artigo acadêmico, datado de 25 de abril de 2026, utiliza a técnica de paralaxe classista e os fundamentos do PES-C (Planejamento Estratégico Situacional Classista) para analisar a materialidade da conflagração global e a afirmação da soberania técnica do Eixo da Resistência e do Sul Global.
Sob a luz de Carlos Matus, Robinson Farinazzo e a dialética da exaustão imperial, examinamos como o cerco militar unipolar no Golfo Pérsico e a destruição sistemática no Líbano forçaram a emergência de novos eixos de poder e a reavaliação da dissuasão estratégica brasileira.

Resumo: O presente artigo investiga a transição da “Guerra de Posição” para a “Guerra de Exaustão” no teatro de operações do Oriente Médio e seus reflexos na segurança do Atlântico Sul. Analisa-se como o deslocamento de três porta-aviões estadunidenses e o cerco ao Estreito de Ormuz aceleraram a formação de um eixo defensivo entre Turquia, Arábia Saudita, Paquistão e Egito, enquanto no Brasil, a lição iraniana impulsiona a urgência do Submarino Nuclear e mísseis de longo alcance.

1. O Elemento Objetivo: A “Marinha de Papel Moeda” e a Realidade dos Destroços

A materialidade dos fatos nas últimas 24 horas desmente a narrativa de “sucesso” do Eixo do Caos:

  • Exposição de Hardware Destruído: A exibição de destroços de drones e aeronaves dos EUA em Shahreza, no Irã, atua como prova material da falência da superioridade técnica unipolar. Enquanto Washington tenta obscurecer as perdas, o metal retorcido confirma a eficácia dos sistemas de defesa soberanos.
  • A Concentração Naval como Alvo: O deslocamento do USS George H. W. Bush, somando três porta-aviões na região, sinaliza não força, mas desespero logístico. Conforme o analista Farinazzo, porta-aviões sem capacidade de reposição de mísseis tornam-se “outdoors flutuantes” vulneráveis à saturação por drones e mísseis de cruzeiro domésticos.

2. A Lente Classista: O Eixo Turquia-Arábia-Paquistão-Egito

Como geógrafo e pedagogo classista, identifica-se que a agressão contra o Irã gerou uma síntese dialética imprevista pelo agressor:

  • Interoperabilidade Sul-Sul: O acordo de defesa mútua entre Paquistão e Arábia Saudita (2025) e a cooperação técnico-militar Turquia-Egito (2026) representam a fuga da dependência da OTAN. Estas nações, embora diversas, unificam-se contra a ordem “escriturada” por Washington que visa o caos regional.
  • Dissuasão Brasileira: O reconhecimento da Amazul sobre a necessidade de submarinos nucleares e mísseis de longo alcance reflete a lição do Irã: “Superioridade tradicional não garante sucesso político”. A soberania do Atlântico Sul depende da autonomia tecnológica para evitar o “modelo Gaza” de destruição total.

3. Materialidade Dialética: A Exaustão Energética e a Inflação de Guerra

A prática econômica desmascarou a vulnerabilidade do sistema baseado no dólar:

  • O Pedágio de Ormuz: A queda de 57% na produção do Golfo e a queda de 50% na capacidade de petroleiros vazios comprovam que o bloqueio estadunidense é um ataque contra a própria economia global. O Goldman Sachs admite: o retorno à normalidade é incerto e messiânico enquanto Ormuz for uma zona de exclusão soberana.
  • A Traição de Tucker Carlson: A ruptura de Carlson com Trump evidencia que o “Imperador” foi capturado pelo complexo industrial-militar (neoconservadores). A base política de Trump racha ao perceber que o “No Wars” transformou-se em uma agressão que pune o cidadão americano com inflação e insegurança.

4. Legalidade Multilateral e Mecanismos da ONU

A paz técnica e o equilíbrio global dependem da contenção da agressão pelos mecanismos constitucionais internacionais:

  • Artigo 51 e Crimes de Guerra: As declarações de Israel Katz sobre a destruição total no Líbano (“modelo Gaza”) configuram prova de intenção genocida, passível de julgamento nos tribunais multilaterais.
  • Impeachment de Hegseth: O processo contra o Secretário de Guerra dos EUA por “violar regras de engajamento” e “purga de generais” sinaliza que o Eixo do Caos está em colapso institucional interno, perdendo a capacidade de governabilidade (Matus).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (SISTEMA ABNT)

  • ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos de Estado. Rio de Janeiro: Graal, 1970.
  • CARRATO, Angela. O Colapso do Soft Power e a Falência da Hasbará. Brasília: Ed. Brasil 247, 2026.
  • FARINAZZO, Robinson. A Marinha de Papel Moeda e a Exaustão do Império. Rio de Janeiro: Arte da Guerra, 2026.
  • MATUS, Carlos. Teoria do Jogo Social e Alta-Direção. São Paulo: Fundap, 2026.
  • ONU. Carta das Nações Unidas e Estatuto de Roma sobre Crimes de Guerra. San Francisco/Haia, 1945/1998.
  • WOLFF, Richard D. A Insolvência Econômica do Império. New York: Democracy at Work, 2026.

José Evangelista Rios da Silva é geógrafo (UCSal), pedagogo (UNEB) e especialista em Planejamento Estratégico e Situacional pelo CES-Nacional. Com formação em Economia Política pela Fundação Maurício Grabois, sua trajetória é marcada por mais de cinco décadas de atuação no setor de supermercados e no movimento sindical. Dirigente da FEC Bahia, define sua atuação pela “práxis militante”: a dedicação de um sonhador apaixonado pela causa dos trabalhadores, focado em construir pontes e soluções para a sua classe.


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