​A Transição Geoportal e o Declínio da Hegemonia Unipolar: O Conflito na Ucrânia como Catalisador da Ascensão do Sul Global

Por José Evangelista Rios da Silva

Resumo: O presente artigo analisa a guerra na Ucrânia não apenas como um conflito regional, mas como o ponto de ruptura do sistema financeiro e militar liderado pelos EUA e pela OTAN. Através de uma lente classista, identifica-se o papel das elites financeiras globais (vanguarda de capital e fundos como BlackRock) na manutenção do conflito. Em contrapartida, observa-se o fortalecimento do BRICS+ como um mecanismo multilateral que desafia a obsolescência da ordem pós-1945.

​1. Introdução: A Falha da Estratégia de Contenção

​A tentativa histórica de isolar e destruir a Federação Russa através da instrumentalização de conflitos fronteiriços revelou-se um erro de cálculo estratégico. A premissa de “jogar uns contra os outros” ignorou a profundidade das alianças estratégicas na Eurásia. Sob o método PESC-MAPP, a política de expansão da OTAN colidiu com a medida russa de segurança existencial, gerando uma reacção que desmoralizou a aliança atlântica.

​2. A Lente Classista: Vanguarda de Capital e o Lucro da Guerra

​A guerra na Ucrânia serve como um laboratório de acumulação para o capital financeiro internacional.

  • Atores: Gigantes como a BlackRock e outros fundos de investimento já se posicionam para a “reconstrução” do país, transformando a dívida ucraniana e os seus recursos naturais em activos financeiros.
  • Processos: A transferência massiva de riqueza pública (impostos dos cidadãos europeus e americanos) para o complexo industrial-militar privado exemplifica a luta de classes a nível internacional, onde as populações sofrem com a inflação enquanto as elites de vanguarda lucram com o prolongamento das hostilidades.

​3. A Europa Derrotada e os EUA em Decadência

​A Europa, ao abdicar da sua autonomia energética e política em favor dos interesses de Washington, enfrenta hoje uma desindustrialização severa.

  • Impacto Social: O custo de vida na Europa subiu drasticamente, levando a uma perda de competitividade e ao enfraquecimento da coesão social.
  • Desmoralização da OTAN: A incapacidade de garantir uma vitória rápida, apesar do apoio tecnológico e financeiro ilimitado, expôs as limitações da doutrina militar ocidental frente a uma guerra de atrito de alta intensidade.

​4. O Sul Global e o Fortalecimento do BRICS+

​Enquanto o Norte Global se fecha em sanções, o Sul Global move-se para a multipolaridade.

  • Mecanismos Multilaterais: O fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e as trocas em moedas nacionais são medidas directas de desdolarização.
  • A Fila Anda: A humanidade, representada pela maioria global, demonstra pressa em superar o subdesenvolvimento imposto por regras assimétricas. O BRICS+ actua como o novo polo de gravidade política.

​5. Conclusão: A Humanidade tem Pressa

​A guerra na Ucrânia acelerou o que era inevitável: o fim da hegemonia absoluta do dólar e do comando militar unipolar. A fila da história avança em direcção a uma governança baseada na Carta da ONU, mas interpretada de forma verdadeiramente multilateral, e não como ferramenta de uma única visão de mundo.

​Referências Bibliográficas e Fontes Consultadas

  1. Carta das Nações Unidas (1945): Respeito pela soberania nacional e igualdade entre Estados (Mecanismo Multilateral Central).
  2. Tratado de Amizade e Cooperação da Eurásia: Documentos sobre a integração económica e de segurança entre China e Rússia.
  3. Relatórios Financeiros de Gestão de Activos (2024-2026): Dados sobre a participação da BlackRock na gestão de infraestruturas ucranianas.
  4. Estatutos do BRICS+: Protocolos de adesão e mecanismos de cooperação económica do Novo Banco de Desenvolvimento.
  5. Análise de Fluxos de Capital (Lente Classista): Estudos sobre a rentabilidade do complexo industrial-militar no contexto do conflito na Ucrânia.

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