A grande imprensa, como a Folha de S.Paulo, não opera no vácuo. Ela é parte da superestrutura de uma sociedade capitalista, cuja função é reproduzir as relações de produção e a ideologia dominante. Nesse sentido, a narrativa jornalística não apenas relata fatos, mas os seleciona, enquadra e interpreta de uma maneira que serve aos interesses da classe dominante.
A Inversão Materialista: Da Luta de Classes à Disputa de Personalidades
A análise da Folha sobre a conjuntura política, como a tensão entre Lula e Trump, ou a polarização em torno de Bolsonaro e Moraes, é um exemplo clássico de como a narrativa domina os fatos.
- Fato Material: A luta de classes é a força motriz da história. Em escala global, essa luta se manifesta na contradição entre o centro imperialista e a periferia em desenvolvimento. A ascensão do BRICS e do Sul Global representa um movimento objetivo de resistência à hegemonia do capital financeiro e militar do “império do caos”.
- Narrativa da Folha: O jornalismo da Folha desvia o foco desse fato material. Em vez de analisar o BRICS como um bloco de países que busca um multipolarismo e uma desdolarização, desafiando a estrutura de poder global, a narrativa se concentra em aspectos secundários ou puramente diplomáticos. A luta entre classes é substituída pela “briga de personalidades”, como Lula versus Trump, ou a polarização entre Bolsonaro e a oposição.
Essa inversão é crucial. Ao individualizar o conflito, a Folha oculta a sua verdadeira natureza de classe. A luta por sanções contra Moraes não é uma questão de ética ou legalidade em abstrato; é uma disputa sobre a soberania nacional frente a pressões externas. O ato bolsonarista não é apenas uma manifestação política; é a expressão de uma fração da burguesia e da pequena burguesia que se alinha aos interesses do imperialismo e busca desestabilizar um governo que tenta uma nova inserção geopolítica.
A Omissão do BRICS como Prova do Dominio Narrativo
A ausência de uma análise que reconheça o BRICS como um polo dinâmico de resistência é uma evidência do controle narrativo. A Folha, como parte do PIG, não pode dar voz a uma narrativa que questione a ordem global. Isso porque tal questionamento poderia levar o leitor a questionar a própria ordem interna, as relações de propriedade e o papel dos meios de produção na sociedade.
A crítica de Vinicius Mota sobre “famílias e oligarquias” que se apossam do poder, por mais que pareça radical, é na verdade uma crítica funcional. Ela aponta para os “excessos” do sistema, mas não para o sistema em si. A mensagem é que a corrupção é o problema, e não a estrutura de classes que a produz. O jornalismo, ao fazer isso, atua como um mecanismo de defesa ideológica.
Referências Teóricas e Constitucionais
Para aprofundar essa análise, a perspectiva de materialismo dialético e histórico exige a consulta de obras clássicas e a busca por fundamentos constitucionais que reforçam a soberania nacional e a autodeterminação. - Karl Marx e Friedrich Engels: Obras como O Manifesto Comunista e O Capital fornecem o arcabouço teórico para a compreensão da luta de classes como motor da história e da função ideológica da superestrutura (que inclui a imprensa).
- Vladimir Lênin: O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo é fundamental para entender a dinâmica de poder global, a exportação de capital e a disputa entre potências.
- Constituição Federal de 1988: O Artigo 4º estabelece os princípios que regem as relações internacionais do Brasil, como a independência nacional, a prevalência dos direitos humanos, a autodeterminação dos povos e a não intervenção. Esses princípios são diretamente contrastantes com as pressões imperialistas e a narrativa que as legitima.
- Princípios da Luta de Classes: A análise se baseia nos conceitos de infraestrutura (base econômica) e superestrutura (estado, cultura, ideologia) e na tese de que a superestrutura serve para manter as relações de produção existentes.
Em conclusão, a análise da Folha de S.Paulo a partir do meu ponto de vista classista revela que a grande imprensa não apenas falha em não relatar a ascensão do BRICS como um polo de resistência, mas ativamente o omite para manter a hegemonia de uma narrativa que desvia a atenção da luta de classes para conflitos superficiais e pessoais. O objetivo é impedir que o povo e a classe trabalhadora compreendam a verdadeira natureza das relações de poder e as razões estruturais por trás das crises.
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