Por José Evangelista Rios da Silva
Resumo
O presente estudo analisa a função ontológica e epistemológica do partido político revolucionário na superação da alienação social. Explora como o arcabouço do materialismo dialético oferece uma estrutura de desenvolvimento “helicoidal” do conhecimento, impedindo a estagnação intelectual do militante. Discute-se, ainda, a mística da recepção — simbolizada pela saudação “Bem-vindo, camarada!” — como o marco inicial do rompimento com a ilusão de classe e o ingresso na práxis transformadora.
- A Estrutura Helicoidal do Conhecimento Dialético
Diferente das concepções lineares ou circulares de história, o Materialismo Dialético propõe um desenvolvimento em espiral (helicoidal). Nesta perspectiva, o retorno a temas e conflitos anteriores não ocorre no mesmo nível, mas em um patamar superior de síntese e complexidade.
Para o militante inserido em um partido fundamentado nesta ciência, o conhecimento nunca é estático. A análise de conjuntura torna-se um exercício constante de “paralaxe”, onde a mudança de posição do observador (a classe que produz a vida) altera a percepção do objeto (a realidade social), permitindo a identificação das contradições motoras do sistema capitalista. - A Ruptura com a “Bolha” e a Superação da Alienação
O modelo de vida neoliberal impõe uma subjetividade fragmentada, o que se pode denominar “bolha de ilusão de classe”. Nela, o indivíduo é induzido a crer na meritocracia e no isolamento competitivo.
A transição da “classe em si” para a “classe para si” exige um choque epistemológico. O ingresso no Partido representa o momento em que a alienação — a separação do produtor do seu produto e do seu ser genérico — começa a ser desconstruída. A acolhida institucionalizada pelo bordão “Bem-vindo, camarada!” não é apenas formalidade, mas um ato político de reconhecimento mútuo e solidariedade de classe que rompe o isolamento imposto pelo capital. - Protagonismo Coletivo: Do Sonho à Construção da Realidade
A máxima frequentemente atribuída à tradição socialista de que o “sonho sonhado junto é o início da realidade” sintetiza a negação do idealismo utópico em favor do materialismo militante. Ao organizar-se, a classe trabalhadora deixa de ser objeto da história para tornar-se sujeito.
O Partido funciona como o “Intelectual Coletivo”, conforme formulado por Gramsci, onde a vontade individual se funde a um projeto histórico de longo prazo. Ser pioneiro protagonista, neste contexto, significa compreender que a superação do modelo “neófito” de existência — baseado no consumo e na passividade — só é possível através da organização política disciplinada e consciente.
Considerações Finais
A filiação a um partido de matriz marxista-leninista oferece ao indivíduo mais do que uma legenda eleitoral; oferece uma bússola metodológica. A gratificação da militância advém da certeza de que o desenvolvimento humano segue leis dialéticas e que, embora o caminho seja tortuoso, a organização coletiva é o único instrumento capaz de transformar o desejo subjetivo de justiça em uma força material concreta.
Referências Bibliográficas
- ENGELS, Friedrich. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico. São Paulo: Expressão Popular, 2011.
- GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
- LUKÁCS, György. História e Consciência de Classe. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
- MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004.
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