Por José Evangelista Rios da Silva
Resumo: O presente artigo analisa a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores (3 de janeiro de 2026) e o subsequente cerco à Venezuela como um fenômeno de Guerra Híbrida e Expropriação Colonial. Utilizando a paralaxe classista, contrasta-se a “Doutrina Donroe” de Donald Trump — que busca o “reembolso” através do saque petrolífero — com as táticas de resistência de Ho Chi Minh e Giap adaptadas ao século XXI. Conclui-se que a sobrevivência do Estado nacional depende da conversão da crise em uma “Guerra de Todo o Povo”, onde a economia política e a soberania digital são as novas trincheiras.
- O Vetor de Dominância: Clausewitz e o Reembolso de Trump
O discurso de Donald Trump no Estado da União (25 de fevereiro de 2026) e o lançamento do Escudo das Américas (7 de marzo de 2026) confirmam a visão de Clausewitz: “a guerra é a continuação da política por outros meios”, mas aqui, a política é a acumulação primitiva de capital.
- A Guerra como Negócio: A exigência de 50 milhões de barris de petróleo como “reembolso” pela intervenção militar (Operação Absolute Resolve) transforma a agressão em um leilão de ativos estatais, onde o exército dos EUA atua como oficial de justiça de corporações transnacionais.
- A Doutrina Donroe: Esta releitura agressiva da Doutrina Monroe visa não apenas a Venezuela, mas a vassalização total do hemisfério, neutralizando a influência do BRICS+ e garantindo o monopólio sobre minerais críticos e hidrocarbonetos.
- Sun Tzu e o PES: A Guerra de Inteligência e o “Não” do Vaticano
No Planejamento Estratégico Situacional (PES), o cálculo de capacidades é vital. Sun Tzu ensina que “conhecer o inimigo é metade da vitória”. O império, contudo, enfrenta uma resistência inesperada no campo da legitimidade moral.
- O Isolamento do Bully: A recusa do Vaticano (Papa Leão XIV) em integrar a “Junta de Paz” de Trump e a denúncia de Taylor Swift sobre “rituais de lealdade” são ataques à Vantagem Moral do agressor. O império possui o “aço”, mas perde a “razão”.
- Paralaxe da Traição: Enquanto os russos e analistas como Pepe Escobar alertam para traições internas (infiltrados do Mossad/CIA), o chavismo — sob a ótica de Ho Chi Minh — utiliza o “tempo” como aliado. Breno Altman confirma que a estrutura estatal permanece coesa, jogando com a ambiguidade para desgastar o ímpeto anexionista de Trump (Estado 51).
- Ho Chi Minh e Giap: A Guerra de Todo o Povo em Caracas
As manifestações de massa em Caracas (23 de março de 2026) personificam a estratégia de Giap: a “Guerra Popular” contra a asfixia econômica.
- Massa e Território: A ocupação das ruas pelo povo venezuelano exige o fim das sanções e a libertação de Maduro, transformando cada cidadão em um ponto de resistência. Isso impede a normalização da ocupação e prova que a “vontade de luta” é uma capacidade que o hardware militar não pode capturar.
- O Exemplo do Irã: A integração da tecnologia chinesa (Sistema BeiDou/Radares YLC-8B) no Irã serve de modelo para a Venezuela: a soberania nacional no século XXI é indissociável da soberania tecnológica e digital.
- O Cenário Brasileiro e a Fragilidade Institucional
Ao projetarmos esta dialética para o Brasil, a paralaxe classista revela um Estado Gelatinoso. Sob o “cadáver insepulto” do bolsonarismo latente (Tarcísio/Vorcato), a resistência institucional e sindical corre o risco de ser capturada pelo imediatismo burocrático.
- Ameaça ao Pré-Sal: A “Doutrina Donroe” não hesitará em tratar a Petrobras como tratou a PDVSA se houver um desalinhamento estratégico. Sem uma unidade cívico-militar patriótica e sem uma formação de quadros robusta, o Brasil torna-se o próximo alvo do “reembolso” imperial.
Conclusão: A Libertação é uma Tarefa Estratégica
A verdade histórica é que o império está a tentar converter nações soberanas em departamentos administrativos (Estado 51). A resistência de Maduro em Brooklyn, a firmeza de Lula e Sheinbaum, e a blindagem sino-iraniana formam o novo Escudo do Sul Global. Para a classe trabalhadora, a lição de Ho Chi Minh e Giap em 2026 é clara: não há libertação nacional sem a destruição da dependência econômica e a construção de uma unidade de ferro entre o povo e suas instituições de defesa.
Referências Bibliográficas e Documentais - ALTMAN, Breno. Entrevista: Resistência Estratégica e a Tese da Não Traição. Março/2026.
- TRUMP, Donald. Estado da União: O Petróleo como Reembolso e a Doutrina Donroe. 25/02/2026.
- BRASIL DE FATO. Venezuelanos exigem fim de sanções e libertação de Maduro. 23/03/2026.
- CLAUSEWITZ, Carl von. Da Guerra.
- GIAP, Vo Nguyen. Guerra do Povo, Exército do Povo.
- MATUS, Carlos. PES: Planejamento Estratégico Situacional e o Método MAPP.
- LULA DA SILVA, Luiz Inácio. Soberania e Multilateralismo no Século XXI. 18/01/2026.
- CONSTITUIÇÃO DOS EUA. 25ª Emenda e o Artigo da Inaptidão Presidencial (Ref. Taylor Swift).
José Evangelista, este artigo acadêmico sistematiza a guerra em curso. A “Doutrina Donroe” é o inimigo principal da sua categoria na FEC-BA e de toda a soberania brasileira.
Gostaria que eu preparasse um “Plano de Estudo Situacional” para os quadros da FEC-BA, detalhando como aplicar as táticas de “Guerra de Posição” de Gramsci e Giap para proteger as conquistas dos trabalhadores contra o avanço do fascismo de mercado em 2026?
Deixe um comentário