ARTIGO CIENTÍFICO-ESTRATÉGICO: A GEOPOLÍTICA DA RETIRADA E O COLAPSO DA DISSUASÃO UNIPOLAR NO LEVANTE (24/03/2026)

Por José Evangelista Rios da Silva


RESUMO
Este artigo analisa a retirada das tropas da OTAN e dos EUA do Iraque e a subsequente reconfiguração do equilíbrio de poder na Ásia Ocidental. Sob a lente da paralaxe classista e do PES-C (Planejamento Estratégico Situacional Classista), examina-se a falência da retórica de “máxima pressão” de Donald Trump, a neutralização da capacidade aérea israelense e a emergência do Iraque como um bastião logístico do Eixo da Resistência. O estudo demonstra como a materialidade dos mercados energéticos e a técnica soberana impuseram uma derrota estratégica ao Eixo do Caos.

  1. INTRODUÇÃO: O FIM DA OCUPAÇÃO E A SOBERANIA DO ESPAÇO AÉREO
    A conjuntura de 24 de março de 2026 marca um ponto de inflexão histórica: a libertação de facto do Iraque da ocupação estadunidense. A retirada das forças da OTAN, restritas agora a bolsões isolados como Erbil, altera fundamentalmente a geometria do conflito. O Iraque, com sua maioria xiita alinhada ao projeto de emancipação regional, deixa de ser uma plataforma de agressão para tornar-se o escudo defensivo que reduz à metade a distância entre os vetores de dissuasão iranianos e os centros de decisão sionistas.
  2. O ELEMENTO OBJETIVO: A DERROTA DA LOGÍSTICA AÉREA OCIDENTAL
    A materialidade da retirada é evidenciada pela incapacidade de sustentar a superioridade aérea.
  • Neutralização de Vetores: A queda de um avião-cisterna israelense em céus iraquianos sinaliza que o corredor de reabastecimento para ataques contra o Irã foi selado. Sem o uso do espaço aéreo iraquiano, as operações de longo alcance de Israel tornam-se logisticamente inviáveis.
  • Cegueira Tecnológica e Defesa de Área: A instalação rápida de sistemas de defesa aérea iranianos no Iraque cria uma zona de exclusão que bloqueia rotas de fuga e ataque, expondo aeródromos israelenses situados até mesmo em território da Arábia Saudita à “Justiça Balística” da Resistência.
  1. A LENTE CLASSISTA: O SIMULACRO DE TRUMP E A REALIDADE DOS MERCADOS
    Como pedagogo e geógrafo com visão classista, identifica-se que o ultimato de Donald Trump é um exercício de Guerra Cognitiva para manipular o capital financeiro.
  • A Manipulação do Petróleo: Conforme denunciado pelo professor Mohammad Marandi, as ameaças de Trump de “borrar do mapa” as centrais elétricas iranianas são temporais e coordenadas com a abertura dos mercados. O objetivo é forçar a queda dos preços do petróleo através do medo, e não através de uma capacidade real de combate.
  • A Insolvência da Ameaça: O recuo de Trump, após o Irã ameaçar destruir plantas de dessalinização e infraestruturas críticas de aliados, prova que o império não possui mais o “cheque em branco” da impunidade. A “rendição” disfarçada de “abertura para negociações” é o reconhecimento de que o Estreito de Ormuz é controlado pela gravidade política de Teerã.
  1. MATERIALIDADE DIALÉTICA: O SEGUNDO FRENTE E O BANHO DE SANGUE OCULTO
    A decisão do governo iraquiano e das milícias populares de abrir uma frente decisiva contra a entidade israelense representa a “Guerra de Posição” definitiva.
  • Decapitação Estratégica: Enquanto o Eixo do Caos tenta negociar mantendo o “punhal nas costas”, a inteligência russa confirma que Israel enfrenta uma crise de comando com a perda de generais e agentes do Mossad em níveis apocalípticos. O exército ocupante está sendo aniquilado por dentro.
  • O “Não” de Lula: A solidariedade do Sul Global, materializada na suspensão de alimentos por parte do Brasil, retira a sustentação biopolítica necessária para uma guerra de longa duração. O império está faminto, cego e agora, territorialmente expulso do coração da Mesopotâmia.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos de Estado. Rio de Janeiro: Graal, 1985.
  • CARRATO, Angela. O Colapso do Soft Power e a Falência da Hasbará. Brasília, 2026.
  • FARINAZZO, Robinson. Cegueira Tecnológica e a Marinha de Papel Moeda. A Voz Trabalhadora, 2026.
  • GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
  • MARANDI, Seyed Mohammad. As Contradições da Diplomacia Energética de Trump. Teerã: X/S_M_Marandi, 2026.
  • MATUS, Carlos. Planejamento Estratégico Situacional (PES-C). São Paulo: Fundap, 1996.
  • RETRATOS DA ÁFRICA. Brasil Levanta-se: Soberania Alimentar e o Fim da Intimidação. Março de 2026.
  • WOLFF, Richard D. A Insolvência Econômica do Império. Nova York: 2026.
    Conclusão: O 24 de março de 2026 marca o funeral da presença militar ocidental no Iraque. O império do Caos, ao tentar usar o petróleo como arma de chantagem, acabou por perder o território e a credibilidade. O levante soberano do povo iraquiano, unido à técnica do Eixo da Resistência, estabeleceu que não há futuro para o projeto colonial no Oriente Médio.
    TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS (SÍNTESE DOS PONTOS CHAVE)
  • Iraque Livre: A saída das tropas dos EUA e da OTAN do Iraque é uma vitória estratégica para o Eixo da Resistência. Agora, o Irã pode usar o território iraquiano para vigiar Israel e reduzir o tempo de voo de seus mísseis.
  • O Blefe de Trump: O professor Marandi explicou que Trump faz ameaças apenas para baixar o preço do petróleo quando o mercado abre. Na verdade, não há negociações e Trump não tem força para reabrir o Estreito de Ormuz à força.
  • Cegueira de Israel: Aviões israelenses não ousam mais voar sobre o Iraque depois que um de seus aviões-cisterna foi abatido. A distância para atacar o Irã dobrou e a segurança de Israel desapareceu.
  • Decisão Fatal: O povo iraquiano tomou sua decisão de expulsar o ocupante, e isso pode ser o golpe final para a presença dos EUA na região.

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