Por José Evangelista Rios da Silva
RESUMO
Este artigo analisa, sob a técnica de paralaxe e os fundamentos do Planejamento Estratégico Situacional Classista (PES-C), o estágio atual do conflito entre o Eixo do Caos (Washington-Tel Aviv) e o Eixo da Resistência. Examina-se a materialidade da exaustão logística dos EUA, simbolizada pela retirada do porta-aviões USS Gerald R. Ford, e a quebra da superioridade tecnológica aérea com o impacto contra o caça F-35. Conclui-se que a prática — critério da verdade — desmascara as narrativas de invulnerabilidade e aponta para uma reconfiguração da ordem mundial.
- A MATERIALIDADE DO DECLÍNIO: O CASO GERALD FORD
Em 20 de março de 2026, a retirada do porta-aviões USS Gerald R. Ford da zona de combate para a Grécia constitui um vetor de prova sobre a insolvência operacional da superpotência.
- Exaustão e Logística: Após 10 meses de mar, sem passar pelo porto base e tendo operado na agressão contra a Venezuela antes do redirecionamento ao Oriente Médio, a tripulação atingiu o limite da fadiga. O incêndio a bordo, que destruiu cerca de 600 leitos, é o sintoma físico de uma máquina de guerra sobrecarregada e sem suporte de retaguarda eficiente.
- Contradição de Comando: Enquanto o Pentágono tenta sustentar a narrativa de prontidão, as fontes de inteligência confirmam a necessidade de reparos críticos. A retirada de um ativo de US$ 13 bilhões esvazia a capacidade de projeção de força do Eixo do Caos no Golfo Pérsico.
- O FIM DO MITO “INVISÍVEL”: O IMPACTO NO F-35
O dia 19 de março marcou o colapso da metafísica da invulnerabilidade tecnológica. O caça F-35, pilar da supremacia aérea ocidental, foi atingido por defesas iranianas e forçado a um pouso de emergência.
- A Verdade é a Prática: O abate parcial do avião “invisível” prova que o Eixo da Resistência logrou êxito em decifrar o escudo eletrônico da Operação Epic Fury. O “sangramento” do F-35 nos céus de Teerã desmoraliza o lifestyle de domínio total prometido por Pete Hegseth.
- Insolvência de Inteligência: O erro “acidental” que levou ao lançamento de 15 toneladas de explosivos sobre o Iraque (em vez do Irã) devido a dados obsoletos reforça que a superpotência perdeu a dominância da informação, operando agora em um estado de cegueira tática e desespero logístico.
- A FRACTURA DO CONSENSO: ALEMANHA E O EIXO EUROPEU
A dialética do conflito gerou uma dissidência interna no bloco ocidental. A Alemanha, através do seu Ministro das Relações Exteriores, descartou publicamente a solução militar e a mudança de regime no Irã.
- Diplomacia vs. Coerção: Berlim propõe agora negociações urgentes com o Irã e os países árabes para estabilizar o transporte marítimo. Esta posição marca a desvinculação europeia da agressividade de Trump, priorizando a economia real e o abastecimento energético sobre as aventuras bélicas de Washington.
- A LENTE CLASSISTA: RESISTÊNCIA COMO ATO DE BRAVURA
Sob a ótica do PES-C e do Materialismo Histórico, a resistência do Irã não é apenas militar, mas estratégica e civilizacional.
- Expertise Milenar vs. Máquina de Caos: O Irã utiliza sua profundidade estratégica para impor uma guerra de exaustão que a economia dos EUA não pode suportar. Enquanto o Eixo do Caos semeia o terrorismo de Estado, a Resistência isola o agressor ao garantir o apoio do Sul Global e da Eurásia.
- O “Não” Soberano: O exemplo do Brasil de Lula, que suspendeu exportações de alimentos para os EUA e manteve o fornecimento a parceiros neutros, é a materialização da arma da sobrevivência. A dignidade de não se ajoelhar perante a nova face do imperialismo — que renasce com táticas autoritárias nos EUA — é o que define a glória da humanidade neste século, tal como foi a derrota do nazismo em 1945.
- CONCLUSÃO E TENDÊNCIAS: O CREPÚSCULO DO IMPÉRIO
As projeções para este 20 de março indicam que o Eixo do Caos está encurralado por suas próprias contradições:
- Hemorragia Econômica: A perda de US$ 1 bilhão por dia pelos aliados do Golfo e a inflação galopante nos EUA forçam Trump a um regozijo público contra Netanyahu, numa tentativa vã de conter o caos que ele mesmo desencadeou.
- Multipolaridade de Fato: Com o apoio humanitário chinês e a logística russa via Azerbaijão, o Irã consolidou-se como um polo inexpugnável, enquanto os EUA enfrentam drones não identificados sobre suas próprias bases em Washington D.C..
- Queda da Máquina de Mentiras: A prática destruiu a narrativa. O império que se dizia invencível não consegue proteger seus generais em casa, nem seus aviões no exterior, nem seu prato de comida sem a anuência do Brasil.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos de Estado.
- CARRATO, Angela. O Colapso do Soft Power e a Falência da Hasbará. Brasília, 2026.
- FARINAZZO, Robinson. Emboscada ao Lincoln e o Fim da Era dos Porta-Aviões. Canal Arte da Guerra, 2026.
- GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere.
- MATUS, Carlos. Planejamento Estratégico Situacional (PES-C).
- RETRATOS DA ÁFRICA. Brasil Levanta-se: Soberania Alimentar e o Fim da Intimidação. Março de 2026.
- WOLFF, Richard D. A Insolvência Econômica do Império. 2026.
Conclusão: O Eixo do Caos comete o erro clássico de todos os impérios em queda: tenta resolver com mais violência um problema que é de exaustão material e falência moral. O orçamento militar trilionário não pode comprar a vitória quando a prática desmascara a mentira e o Sul Global assume as rédeas da própria história.
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