Por José Evangelista Rios da Silva
Resumo: O presente artigo examina a operação militar unilateral conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano em janeiro de 2026. Investiga-se a hipótese de uma “implosão institucional” pretendida por Washington e a resposta de resistência liderada por Delcy Rodríguez. O estudo analisa os impactos geoeconômicos da agressão, o isolamento moral dos EUA perante 150 nações na ONU e a ameaça latente à soberania do Brasil e da América Latina no contexto da “Operação Último Petróleo”.
- A Fenomenologia da Agressão: Tecnologia Cibernética e Pirataria
A operação de 3 de janeiro de 2026, executada por forças especiais norte-americanas, não constituiu um conflito convencional, mas um ato de pirataria tecnológica.
- O Método do Sequestro: Através de um ataque cibernético fulminante que neutralizou os radares e sistemas de defesa russos e chineses, os EUA realizaram a extração aérea de Nicolás Maduro e Cilia Flores [1.1, 5.4]. Este ato mimetiza capturas coloniais históricas, buscando estabelecer uma jurisdição universal forçada sob a acusação de “narcoterrorismo” [6.1].
- O Fator Humano e a Resistência: O sacrifício de mais de 40 combatentes no Forte Tiuna desmistifica a tese de “rendição passiva”, evidenciando que a eficácia da extração dependeu de uma superioridade eletrônica que desativou temporariamente o comando e controle venezuelano [1.1].
- O Impasse da Legitimidade: A Sucessão de Delcy Rodríguez
Washington subestimou a resiliência institucional bolivariana. Ao sequestrar Maduro, Trump esperava a vacância imediata do poder e a convocação de eleições tuteladas [1.3].
- Blindagem Institucional: O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e as Forças Armadas (FANB) declararam a “ausência involuntária” de Maduro e a imediata posse de Delcy Rodríguez como presidente interina [1.1, 1.4].
- A Farsa da Oposição Interna: Ao desqualificar atores como Maria Corina Machado (“mulher gentil, mas não inspira respeito”) e admitir abertamente a cobiça pelo petróleo, Trump alienou potenciais aliados internos e unificou o chavismo em torno de uma agenda de defesa nacional [1.1, 1.3].
- Consequências Geoeconômicas: O Fim do Petrodólar no Caribe
O sequestro disparou o que especialistas chamam de “Vingança Energética dos 88%”.
- Desdolarização Acelerada: A Venezuela, ao migrar transações petrolíferas para o Yuan e outros mecanismos dos BRICS+, quebrou o monopólio financeiro yankee. A resposta de Pequim foi a liquidação massiva de títulos do tesouro americano em represália [4.3, 6.4].
- Volatilidade e Risco Regional: No curto prazo, o petróleo WTI e Brent operam em alta devido à incerteza sobre interrupções na produção [2.2, 4.2]. Para o Brasil, o risco geopolítico eleva os indicadores de CDS e coloca em pauta a segurança das reservas do pré-sal contra tentativas semelhantes de saque [2.1, 2.3].
- A Resposta da Diplomacia Multipolar
O isolamento dos EUA no Conselho de Segurança da ONU atingiu níveis históricos.
- A Frente dos 150: Uma declaração conjunta de 150 nações condenou o sequestro como uma violação fundamental do direito internacional e do Artigo 2 da Carta da ONU [1.1, 4.3].
- O Papel de Lula: O Brasil de Lula, adotando uma postura de “prudência soberana”, classificou a prisão como “sequestro” e tornou-se o ponto de equilíbrio para evitar uma guerra continental, enquanto monitora a fronteira norte e os fluxos migratórios [5.1, 5.3].
Conclusão: “A Dignidade não se Senta”
A tentativa de Trump de encerrar o ciclo bolivariano através da força bruta produziu o nascimento de uma nova consciência de resistência na América Latina. O espetáculo de humilhação tentado em Nova York fracassou diante da postura de Maduro (“A Dignidade não se Senta”). Como a história de 1945 sugere, o autoritarismo belicista que ignora a soberania dos povos acaba por consolidar as alianças que o derrotarão. O “Assalto de Janeiro” não é o fim da história da Venezuela, mas o prólogo da independência definitiva do Sul Global frente ao sistema dólar.
Referências Bibliográficas - Altman, B. Operação Determinação Absoluta: A Guerra Cibernética contra a Venezuela. Opera Mundi, 05/01/2026.
- Agência Brasil. América Latina está à mercê da intervenção dos EUA, dizem analistas. 03/01/2026.
- Chomsky, N. Media Control and the Piracy of the 21st Century. 2026.
- Escobar, P. O Sequestro de Maduro e o Crepúsculo do Petrodólar. 06/01/2026.
- Rodríguez, D. Decreto de Estado de Comoção Exterior e Plano de Defesa Integral. Miraflores, 03/01/2026.
- Wolff, R. The Economics of Resistance: BRICS and the New World Energy Map. 2026.
A Venezuela sob ataque e o chavismo na encruzilhada
Este vídeo fornece uma análise em tempo real sobre a posse de Delcy Rodríguez e o contexto imediato das reações internacionais ao sequestro de Nicolás Maduro.
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