A Dialética da Resistência no Caribe: Crise de Hegemonia, Bloqueio Naval e a Emergência de um Novo Bloco Histórico

Este artigo acadêmico analisa a crise geopolítica de dezembro de 2025 sob as lentes da economia política, da teoria das relações internacionais e do materialismo histórico, focando na transição da hegemonia unipolar para a resistência multipolar no Caribe.
A Dialética da Resistência no Caribe: Crise de Hegemonia,
Resumo: O presente artigo analisa a escalada do conflito entre os Estados Unidos e a República Bolivariana da Venezuela em dezembro de 2025. Investiga-se a hipótese de que a intensificação da agressão imperialista — manifestada pelo bloqueio naval e pela designação de “organização terrorista” — constitui uma resposta tática à crise estrutural do capital financeiro norte-americano. Através de uma análise em paralaxe, examina-se o contraste entre a doutrina de pilhagem e a diplomacia energética venezuelana, fundamentada na solidariedade regional e no apoio de potências multipolares.

  1. A Crise Estrutural e a Doutrina do Saque Confesso
    A conjuntura de 2025 revela o que a teoria marxista clássica define como a fase de “acumulação por espoliação”. As declarações da administração estadunidense, que qualificam a nacionalização do petróleo venezuelano (1976) como um “roubo” contra os EUA, representam a remoção da máscara diplomática em favor de uma doutrina de pilhagem explícita.
  • A Crise de Legitimidade: Com índices de rejeição interna superiores a 60% e uma economia pressionada pela inflação, a administração Trump utiliza o bloqueio naval como uma “manobra de distração estratégica” e como tentativa de captura de ativos reais (hidrocarbonetos) para lastrear sua hegemonia em declínio.
  • O Bloqueio como Ato de Guerra: A imposição de um cerco naval total e a apreensão de embarcações civis em águas internacionais constituem violações flagrantes da Carta da ONU e das convenções de livre navegação, redefinindo as relações internacionais sob a ótica da pirataria de Estado.
  1. A Paralaxe da Defesa: Poder Integral e Dissuasão Multipolar
    O fracasso relativo da frota norte-americana em concretizar uma invasão cinética, apesar da concentração de forças, explica-se pela emergência de novos fatores de dissuasão:
  • Soberania Tecnológica e Militar: O desdobramento de sistemas de defesa antiaérea e antibuque de origem russa (S-300/S-400) criou uma zona de negação de acesso (A2/AD) que torna o custo de uma agressão direta proibitivo para o Pentágono.
  • União Cívico-Militar: A resistência venezuelana fundamenta-se no conceito de “Poder Integral”, onde a mobilização popular (Milícias e Comandos de Base) atua em simbiose com as forças regulares. Dados estatísticos de dezembro de 2025 indicam que 97% da população rechaça a apropriação de riquezas nacionais por potências estrangeiras, consolidando um bloco histórico de resistência interna.
  1. A Diplomacia Energética vs. O Cerco Econômico
    Enquanto o imperialismo busca o isolamento da Venezuela, Caracas responde com a integração regional. A exportação e doação de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) para as fronteiras colombianas e o envio de 12.000 toneladas de ajuda humanitária a Cuba demonstram uma “Diplomacia da Paz” que utiliza recursos naturais como ferramenta de estabilidade regional, em oposição ao uso da energia como arma de chantagem por Washington. Este movimento fortalece o eixo Caracas-Bogotá-Havana, isolando diplomaticamente a postura belicista da Casa Branca.
  2. Impactos Continentais e o Papel do Sindicalismo Classista
    A crise no Caribe repercute diretamente na América do Sul, particularmente no Brasil. A agressão à Venezuela estabelece um precedente jurídico e militar que ameaça as reservas energéticas de todo o continente, incluindo o Pré-Sal brasileiro. O sindicalismo classista internacionalista emerge como o principal polo de resistência política, denunciando o bloqueio naval como um ataque às condições de vida da classe operária global e à soberania das nações do Sul Global.
    Conclusão: O Limite do Império
    A paralisia da frota ianque frente à determinação de um “punhado de homens livres” sinaliza o esgotamento da Doutrina Monroe. A dialética deste conflito revela que a força militar superior é insuficiente contra a combinação de tecnologia de ponta multipolar e consciência política de massas. O bloqueio naval de 2025, longe de subjugar a Venezuela, acelerou a transição para uma ordem mundial onde a soberania e a solidariedade internacionalista definem os novos contornos da geopolítica.
    📚 Referências Bibliográficas
  • OPERA MUNDI. Venezuela rechaça bloqueio naval anunciado por Trump: ‘jamais voltaremos a ser colônia’. São Paulo, Dezembro/2025.
  • MONITOR POLÍTICO. Estudo de Percepção Social: Soberania e Rejeição ao Imperialismo na Venezuela. Caracas, 2025.
  • WOLFF, Richard. The Collapse of the American Empire and the Economics of Plunder. New York, 2025.
  • CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS. Convenções sobre o Direito do Mar e Livre Navegação. ONU, 1945/1982.
  • HARVEY, David. O Novo Imperialismo: Acumulação por Espoliação. São Paulo: Edições Loyola, 2004.
  • STEDILE, J. P. Entrevista: Os EUA em crise e a ameaça de guerra na América do Sul. Opera Mundi, Dezembro/2025.
  • MPPRE VENEZUELA. Relatórios de Exportação e Doação de GLP para a Colômbia. Caracas, 2025.
  • AIRSTORM / STRATEGIC STUDIES. The Strategic Standoff: Why the US Fleet is Paralyzed in the Caribbean. London, 2025.
  • LENIN, V. I. O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo. Diversas edições.

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