Introdução: O Assassinato Recorrente do Presidente
A vitória de José Antonio Kast no Chile, concebida na analogia de um “Pinochet civil”, não é apenas um revés eleitoral; é um evento que se inscreve na trágica sequência histórica da região: “voltaram a matar o presidente.” Assim como a vitória de um Cabal ou um Rubio na Colômbia, o resultado chileno é um golpe simbólico à ideia da autodeterminação e um lembrete de que as elites oligárquicas, “a oligarquia branca e velha,” não toleram ser dirigidas por um “professor de calçada” (como o caso de Castillo no Peru) ou por uma militante comunista que encarna as demandas sociais.
A derrota chilena é, portanto, o último episódio de um cerco de ódio que busca desmembrar e isolar o projeto da Grande Colômbia libertária e o Caribe.
1. O Cerco: Presidentes Presos e a Gestão do Medo
A tática descrita nesta análise é a de acorrentar a própria ideia de um projeto nacional e democrático. O avanço do fascismo civil é instrumentalizado através da cooptação da justiça e da guerra híbrida:
- A Tática do Encarceramento: O padrão de líderes progressistas como o presidente Arce da Bolívia e o ex-presidente Castillo do Peru sendo “presos” (fisicamente ou politicamente) é uma forma de neutralizar a resistência sem recorrer ao golpe militar clássico. É a demonstração de que a oligarquia utiliza a lei e o aparato judicial para impedir que o poder emane das maiorias sociais.
- A Expansão do Ódio: A figura de Rubio ou Cabal simboliza o braço executor deste cerco, estendendo a divisão e o ódio, inclusive chegando a fragmentar “divisões indígenas na Bolívia.” O objetivo é a desintegração social, a desconfiança e a desautorização de qualquer líder que represente a soberania popular.
2. A Dimensão Poética da Resistência
Em meio à urgência geopolítica, o texto invoca a fibra cultural da resistência através da figura de Pablo Neruda. A lembrança da felicidade frente ao “mar bravio” onde jaz o túmulo do poeta é um ato de afirmação vital contra o niilismo que o fascismo tenta impor.
- Abraçar a Vida: A consigna dirigida à juventude chilena — “abracem a vida e não se juntem com a morte jamais” — é a antítese direta do fascismo, cuja essência é a morte, a repressão brutal e a desconfiança. A resistência, neste sentido, é um ato de vitalismo, de solidariedade e de memória histórica.
- O Coração Vital do Mundo: Ao declarar que o projeto libertário é o “coração vital do mundo,” a análise transcende a derrota eleitoral. É um chamado à consciência da região como centro de um projeto civilizatório que resiste. Este coração não pode morrer ante os liberticidas.
3. O Mandato da História: Resistência e Soberania
A advertência de que “O fascismo no Chile não durará 40 anos” é um reconhecimento de que os tempos mudaram. A guerra híbrida e o cerco midiático são mais sutis, mas também mais frágeis diante de uma consciência popular organizada.
O isolamento de Lula, Petro e Yamandú, somado à pressão sobre a Venezuela, consolida um cerco estratégico que busca devolver a região à órbita exclusiva da Doutrina Monroe.
A única resposta possível é a União Inadiável de todas as forças nacionalistas e democráticas, elevando a luta a um plano de soberania inquebrantável. A resistência que se manteve por “cinco séculos” tem o dever histórico de continuar e, finalmente, gritar Liberdade! na Grande Colômbia que ainda não foi completada.
Referências Bibliográficas Relevantes e Necessárias
- Neruda, Pablo. Canto Geral e Residência na Terra. (Para a compreensão da épica americana, o compromisso político e a resistência poética ante o imperialismo e a ditadura).
- García Márquez, Gabriel. Cem anos de Solidão. (Referência fundamental para entender o isolamento e a recorrência trágica dos ciclos políticos e a solidão continental).
- Borón, Atilio A. América Latina na Geopolítica do Imperialismo. (Análise sobre o cerco geopolítico, a pressão dos EUA e a coordenação de governos de direita na região).
- Chomsky, Noam; Herman, Edward S. A Fabricação do Consenso: A Economia Política dos Meios de Comunicação de Massa. (Ferramenta para entender como a “guerra híbrida” e a desinformação criam a sensação de medo e insegurança para justificar a repressão e o controle da elite).
- Bolívar, Simón. Carta da Jamaica. (Marco teórico e conceptual para a visão da Grande Colômbia e o ideal da união libertária e soberana da América do Sul).
Deixe um comentário