✊ O Fogo da Agressão e o Forjar da Pátria Grande: A Unidade Latino-Americana contra o Império do Caos

Por José Rios, um Militante Classista pela Autonomia dos Povos
Introdução: O Despertar Pela Ameaça Comum
Em um cenário de escalada de tensões, onde o “Império do Caos” intensifica suas manobras de guerra híbrida – do uso de mercenários à retórica militarista –, a América Latina e o Caribe se encontram em um ponto de inflexão histórico. Nossa longa jornada de militância classista nos ensinou que a história dos povos livres é escrita na dialética da resistência. O que os estrategistas hegemônicos veem como fraqueza a ser explorada, a agressão, está se revelando o catalisador mais potente da nossa unidade e soberania regional.
A Venezuela, sob ataque constante, não é apenas um país sitiado; é o laboratório da resistência de toda a região. O que vemos agora, no clamor popular e na convergência de posturas governamentais, é a evolução da perspectiva de que o inimigo de Caracas é, em essência, o inimigo de Bogotá, Brasília e de toda a nossa Pátria Grande.
A Paralaxe da Unidade: Das Ruas ao Palácio
A essência da nossa análise reside em aplicar a paralaxe: contrastar a narrativa do poder imperial com a realidade sentida e construída pelos povos.

  • A Unidade que Vem da Base:
    A imprensa hegemônica busca descrever a crise venezuelana como um problema isolado, ignorando as raízes históricas de intervenção. Contudo, nas ruas de nossos países, a consciência classista atua como um farol. A voz que clama por união, seja nas manifestações pontuais ou no apoio militante aos projetos de defesa nacional na Venezuela, é a manifestação do internacionalismo proletário. O povo trabalhador da Colômbia, por exemplo, sabe intuitivamente que se o imperialismo conseguir desmantelar a soberania venezuelana e apoderar-se de seus recursos, a próxima vítima será a Colômbia, seguida pela desarticulação de todo projeto popular na região. O medo da agressão é sublimado em solidariedade de classe.
  • O Pragmatismo da Sobrevivência Governamental:
    A ameaça externa, personificada nas operações no Caribe e na retórica intervencionista, obriga até mesmo os governos, que poderiam ter divergências internas, a convergirem. Quando o Presidente colombiano Gustavo Petro adverte que uma agressão à Venezuela é um “ataque a toda a região,” ele está traduzindo o sentimento popular para a arena diplomática. O que está em jogo não é apenas a ideologia, mas a viabilidade da autonomia nacional de cada Estado. A defesa da Venezuela torna-se um imperativo de autodefesa regional, forçando a efetivação das alianças (como a CELAC) que estavam letárgicas.
    A Canalização da Indignação em Soberania Efetiva
    A indignação contra o “império do Caos” não é um sentimento estéril; ela é a energia motriz para a efetivação do nosso projeto soberano.
  • A Solidariedade como Dissuasão: A possível transferência de sistemas de defesa avançados para a Venezuela (como o míssil Oreshnik) é a resposta tática do Estado para elevar o custo da intervenção. Mas essa defesa só é robusta e legítima quando sustentada pela legitimidade popular. A união dos povos da América Latina e Caribe confere a essa defesa uma dimensão moral e política irrefutável no cenário global. A maior dissuasão não é o míssil, mas o povo unido.
  • O Projeto de Unidade no Caribe: A agressão em curso força as nações caribenhas e latino-americanas a abandonarem a inércia e a pensarem em mecanismos reais de defesa e integração econômica que sejam independentes dos ditames hegemônicos. É o momento de consolidar um bloco de resistência que, em uníssono, negue a Doutrina Monroe e avance em direção a um mundo multipolar e justo.
    Conclusão: O Despertar Final
    O fogo da agressão imperialista queima, mas não consome; ele está forjando. Está aquecendo a consciência de nossos povos, soldando as fissuras entre as nações e, o mais importante, canalizando a indignação acumulada de séculos de exploração em uma força coesa.
    Nossa experiência militante nos ensina: a história não perdoa a inação. O que começou como uma defesa da Venezuela está se transformando no projeto de resistência final da Pátria Grande contra o “Império do Caos.” A unidade não é mais uma aspiração, mas a única estratégia de sobrevivência soberana no século XXI. É hora de transformar o clamor das ruas em política de Estado, e a política de Estado, em defesa integral e classista da nossa autonomia.
    Referências Bibliográficas Relevantes e Necessárias
    Para sustentar a análise e o arcabouço teórico:
  • Bolívar, Simón. Carta da Jamaica (1815). Essencial para contextualizar a ideia histórica de unidade e “Pátria Grande” contra o poder hegemônico.
  • Galeano, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina (1971). Fundamental para entender as raízes históricas da exploração e a reação dos povos.
  • Chomsky, Noam. Hegemonia ou Sobrevivência: A Busca dos Estados Unidos pelo Domínio Global (2003). Crucial para analisar a estratégia do “Império do Caos” e a doutrina da guerra preventiva e intervenção.
  • Sader, Emir. O Novo Touro de Ouro: Crise da Civilização e a Dominação dos Mercados (1999). Ajuda a enquadrar o imperialismo moderno sob a ótica da dominação econômica e de classe.
  • Petras, James & Veltmeyer, Henry. Imperialism and Revolution in Latin America (2014). Oferece uma análise contemporânea da resistência popular e da estratégia do imperialismo no continente.

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