📰 O Contratorpedeiro, o Gás e a Doutrina Monroe Revisitada: A Guerra Híbrida do Império do Caos na América Latina

Introdução: A Farsa da “Guerra às Drogas”
A recente escalada de tensões no Caribe, marcada pela presença ostensiva do contratorpedeiro dos EUA, USS Gravely, em águas vizinhas à Venezuela e a subsequente retaliação econômica de Caracas contra Trinidad e Tobago, não pode ser lida como um incidente isolado. A partir da perspectiva da militância classista, este é um episódio direto da luta de classes em escala internacional, uma agressão imperialista clássica disfarçada sob o eufemismo da “Guerra às Drogas”.
A análise em paralaxe revela a profunda contradição entre o Pretexto Formal (combate ao narcotráfico) e o Objeto Material (anulação da soberania e controle dos recursos energéticos), expondo um jogo armado sistematicamente para reconduzir toda a América Latina e Caribe à tutela do que se convencionou chamar de “Império do Caos”.
I. O Eixo da Coerção: O Militarismo como Sombra da Economia
O deslocamento de forças navais para o Caribe, incluindo grupos de ataque de porta-aviões, constitui a maior concentração militar dos EUA na região em décadas. A justificativa de “combate ao narcotráfico” serve como uma cortina de fumaça ideológica para a projeção de poder, despolitizando a agressão e transformando uma disputa geopolítica em uma mera “operação policial”.

  • A Paralisia de Trinidad e Tobago: A declaração da primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar, que explicitamente apoiou a presença militar dos EUA e até endossou o assassinato de “supostos traficantes”, é a chave para a articulação tática do Império. Trinidad e Tobago, uma nação soberana, é reduzida ao papel de agente subalterno regional, oferecendo cobertura legal e geográfica para a ação imperialista. O Estado-ilha é cooptado para legitimar o que, de outra forma, seria uma violação direta do Direito Internacional, transformando-se no “porta-aviões do Império”, como denunciado pela Venezuela.
  • O Alvo Material: O Gás Dragón: A suspensão imediata do acordo de gás pela Venezuela, em retaliação ao alinhamento de Port of Spain com Washington, desvela o verdadeiro cerne do conflito. A pressão militar e as sanções não visam apenas a desestabilização política, mas o controle da soberania energética venezuelana. Ao exigir uma “licença especial” para a exploração do gás, os EUA submetem o desenvolvimento econômico da Venezuela e seus parceiros (como Trinidad e Tobago) ao seu comando regulatório, garantindo que o fluxo de capital beneficie apenas os interesses hegemônicos.
    II. A Lógica da Submissão: A Peça do Quebra-Cabeça no Brasil
    A estratégia imperialista não se limita às fronteiras da Venezuela; ela busca desestabilizar a região e garantir a submissão de governos-chave. O Brasil surge como um ponto de vulnerabilidade através de suas elites internas.
    A intervenção do senador Flávio Bolsonaro, ao sugerir que os EUA ataquem militarmente embarcações na Baía de Guanabara, atesta a ação coordenada de agentes internos do Império do Caos.
  • Afronta à Soberania e Chamado à Intervenção: O senador não apenas ecoa a retórica de “narco-terrorismo” dos EUA, mas comete um ato de flagrante submissão, pedindo por uma intervenção militar estrangeira no território brasileiro.
    💥 A Paralaxe do Genocídio: Do Caribe à Favela
    O elo mais cruel dessa cadeia de tensões, no entanto, é a coincidência brutal entre a ofensiva militar no Caribe e a escalada da violência estatal no Rio de Janeiro. A mesma justificativa (“guerra às drogas”) que ampara as execuções extrajudiciais navais no Pacífico é usada para o genocídio promovido pelo governo de Cláudio Castro (o governador bolsonarista no Rio de Janeiro).
    A matança de mais de 130 pessoas nas favelas do Rio de Janeiro sob a mesma retórica de combate ao crime não é casual. A paralaxe é clara:
  • A política de extermínio no plano local (Rio de Janeiro) é a materialização da mesma ideologia de segurança que Washington exporta para o plano internacional (Caribe).
  • O assassinato de “supostos narcoterroristas” por forças militares dos EUA no Caribe legitima moralmente o genocídio de classe e racial perpetrado pelas forças de segurança brasileiras nas periferias.
    Isso cumpre dois objetivos do Império do Caos: 1) Cria um precedente de intervenção, validado pela elite submissa brasileira; e 2) Demonstra a eficácia da retórica genocida como ferramenta de controle social e eliminação física da classe trabalhadora empobrecida.
    III. A Denúncia Classista: O Custo Humano do Imperialismo
    A militância classista deve, acima de tudo, denunciar o custo humano dessa agressão sistêmica:
  • Genocídio Transnacional: As 62 mortes no Caribe e as mais de 130 vítimas nas favelas cariocas sob a mesma justificativa demonstram que a “Guerra às Drogas” é, na verdade, uma guerra de classe de caráter genocida, promovida pelo Império do Caos e executada por seus agentes regionais e internos.
  • Guerra Econômica contra o Povo: As sanções estadunidenses, que exigem a “licença” para o desenvolvimento do gás, estrangulam a economia venezuelana e agravam a crise humanitária, impactando diretamente a classe trabalhadora e o povo pobre da Venezuela, forçando o êxodo e a miséria para desestabilizar o governo.
    Conclusão: Pela Soberania da Pátria Grande
    A crise do Caribe, vista em paralaxe com as tensões internas no Brasil, não é sobre drogas. É sobre quem controla os recursos e quem define o futuro da América.
    O contratorpedeiro é o símbolo da Doutrina Monroe (determinação militar), enquanto a suspensão do acordo de gás é a resposta da soberania a essa ameaça. A militância classista vê em cada um desses atos a luta constante pela emancipação dos povos contra o poder do capital global. A luta pela soberania nacional é, neste contexto, a luta pela libertação das classes trabalhadoras do Brasil, do Caribe e da Venezuela.
    📚 Referências Conceituais e Constitucionais Necessárias
    Para fundamentar a análise e a denúncia, é essencial recorrer a quadros teóricos e jurídicos que balizam a perspectiva anti-imperialista e classista:
  • Obras Fundamentais da Crítica Imperialista e Classista:
  • LÊNIN, V. I. Imperialismo: Fase Superior do Capitalismo. (Para entender a lógica da expansão do capital e a disputa por recursos).
  • GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Para analisar a luta pela hegemonia e o papel das elites intelectuais e subalternas).
  • MONTEIRO, Hélio. A Doutrina Monroe: Ensaio de História Diplomática. (Para compreender a base ideológica da intervenção dos EUA na América).
  • Princípios do Direito Internacional e Constitucionais (Antifascistas/Anti-imperialistas):
  • Carta das Nações Unidas (ONU): Artigo 2, parágrafo 4 – Proibição do uso da força ou da ameaça de força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.
  • Constituição Federal Brasileira de 1988: Artigo 4º, Inciso IV – Defesa do princípio da não-intervenção e da autodeterminação dos povos.
  • Constituição da República Bolivariana da Venezuela de 1999: Artigos 1º e 3º – Afirmação da independência, soberania e integridade territorial como valores irrenunciáveis da nação.

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