Do Mandato Efêmero à Ação Histórica: Unidade, Centralismo Democrático e o Combate ao Oportunismo na Organização de Vanguarda

Resumo:
Este artigo, embasado na praxis marxista-leninista, discute o imperativo da unidade de ação para uma Organização de Vanguarda. Analisa-se como o princípio do Centralismo Democrático e os instrumentos estatutários são mobilizados para subordinar o sucesso individual – manifestado em postos como a presidência da República ministérios, secretarias, autarquias, empresas estatais, mandatos eletivos (em todos os níveis), e lideranças em estruturas sindicais, federações e associações – ao projeto coletivo de poder. A falha nesse acompanhamento dilui o caráter revolucionário do Partido, limitando sua ação a gestões efêmeras e social-democratas, e frustra a educação da militância na praxis.

  1. O Acumpliciamento Defensável e a Lógica de Vanguarda
    A consciência do pertencimento e do acumpliciamento defensável é a pedra angular da militância revolucionária. Ela rejeita a ideia de que a Organização é uma mera agremiação eleitoral e a afirma como o instrumento histórico de transformação social. A responsabilidade por “tudo que acontece ou deixa de acontecer nas fileiras partidárias” impõe que a atuação de cada quadro – o “orgânico” do Partido em qualquer esfera – seja vista como uma extensão da vontade e da linha política do Coletivo.
    A nossa atuação em postos de direção e representação (Presidência da República, ministérios e outras pastas executivas aos mandatos eletivos em todos os níveis, passando pelas centrais sindicais, federações e estatais) não pode se restringir a “gestões e representações efêmeras e sociais-democratas”. O projeto de poder da Vanguarda vai além: cada posto deve ser um centro de acumulação de forças, de intervenção na realidade e de educação da classe.
  2. O Centralismo Democrático como Escudo contra o Caos
    O princípio do Centralismo Democrático é o instrumento estatutário supremo para a manutenção da unidade e o combate ao “caos” (individualismo, oportunismo, carreirismo perspectivo). Ele é o mecanismo de subordinação que garante o caráter de Vanguarda, impedindo a diluição ideológica.
  • Subordinação do Êxito Individual: O sucesso de qualquer camarada que “vive e se sustenta direta ou indiretamente da estrutura do partido” (seja por um cargo, mandato ou liderança) deve ser integralmente revertido e subordinado ao Coletivo. O Centralismo exige que a voz, a agenda e os recursos do quadro nas secretarias, autarquias ou empresas estatais sejam a fiel execução da linha definida pela Direção Partidária.
  • A Inversão da Lógica Burguesa: O sistema capitalista eleva o indivíduo; o Centralismo o resgata para o Coletivo. Ele impede que a projeção em postos de poder se torne um fenômeno centrífugo, onde o quadro, ao crescer, abandona o Partido em busca de legendas com “melhor perspectiva” de carreira.
  1. A Praxis Marxista-Leninista e o Acompanhamento Integral
    A verdadeira Organização de Vanguarda só cumprirá seu papel histórico se a militância se educar e se preparar na praxis. Isto se traduz na exigência de um acompanhamento e orientação integral de todos os postos ocupados:
    3.1. Direção Coletiva e Prestação de Contas
    Nossos estatutos exigem que o líder ou o orgânico em qualquer função (seja a direção de um sindicato, de uma autarquia ou de uma pasta federal como o MCTI) atue sob a direção e a fiscalização do respectivo Comitê Partidário. Este é o instrumento que transforma a gestão individual em experiência coletiva. O Comitê deve fiscalizar e debater:
  • Como os acordos internacionais estão sendo utilizados para a formação de quadros do Partido e da classe.
  • Como as políticas das secretarias ou prefeituras estão impactando a organização de base.
  • Como as lideranças sindicais estão aplicando a linha política na luta econômica e ideológica.
    3.2. Formação da Militância na Gestão do Poder
    O acompanhamento não é apenas um ato de vigilância, mas de educação. Ao envolver o Coletivo Partidário no acompanhamento das contradições e dos avanços das gestões – do menor mandato à maior pasta ministerial – a militância se educa para a gestão do poder revolucionário. Prepara-se o quadro para ir além do mandato efêmero, dotando-o da capacidade de intervenção estratégica.
    3.3. Combate ao Desvio Oportunista
    Quando o quadro desvia-se, priorizando a carreira pessoal em detrimento da linha programática, ele introduz o “caos” e compromete o projeto histórico. O Centralismo Democrático deve ser aplicado com rigor para sanar tais desvios através da Crítica e Autocrítica, reafirmando que o Mandato e o Cargo pertencem à Organização. Sem essa disciplina, a vanguarda se dilui, perde a credibilidade perante a classe e não cumpre seu papel histórico e revolucionário.
    Conclusão: O Imperativo da Unidade Revolucionária
    A luta pela unidade é, em última instância, a luta pela sobrevivência da Organização de Vanguarda. Somente a ação organizada, integral e disciplinada, que subordina o sucesso individual à direção do Coletivo, garante que o nosso projeto de poder transcenda as representações transitórias. É na aplicação rigorosa do Centralismo Democrático que a militância consciente encontra o caminho para se educar na praxis e cumprir o seu papel na transformação histórica, resistindo à poderosa pressão das forças individualistas e social-democratas.
    Referências Bibliográficas e Estatutárias
  • Estatuto da Organização de Vanguarda. (Documento fundamental que estabelece o Centralismo Democrático, a Luta de Duas Linhas, os deveres dos filiados e as regras de subordinação do cargo ao Coletivo).
  • Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Art. 1º e Art. 17. (Base legal para a autonomia partidária, que permite à Organização estabelecer sua disciplina interna para cumprir seu papel no Estado).
  • Lênin, V. I. Um passo à frente, dois passos atrás. (Obra clássica sobre a disciplina, a organização e o Centralismo como condições para a existência do Partido de Vanguarda).
  • Lênin, V. I. Que Fazer? (Texto crucial sobre a distinção entre a organização de vanguarda e a espontaneidade da massa, e o papel da direção).
  • Mao Tsé-Tung. Sobre a Correção de Ideias Erradas no Partido. (Referência para o combate ao individualismo e ao subjetivismo na militância).
  • Documentos e Resoluções de Congressos da Organização. (Instrumentos de linha política que definem o projeto estratégico de poder e a conduta ética e política dos quadros em todos os níveis de gestão e representação).

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