Título: O Instrumental da Unidade na Ação: Disciplina, Coletivo e o Combate ao Caos Individualista nas Conquistas da Vanguarda

Resumo
Este artigo aborda a luta dialética entre a unidade de ação e a disciplina coletiva versus as forças desagregadoras do individualismo (o “caos” ou faccionismo) nos espaços de poder conquistados pela vanguarda. Analisamos como o princípio do Centralismo Democrático deve ser aplicado rigorosamente – não apenas em órgãos de governo (como o MCTI, secretarias, autarquias, estatais, mandatos eletivos) – mas também em entidades da sociedade civil organizada (centrais sindicais, federações, sindicatos, associações), nas quais os militantes orgânicos exercem a liderança. O foco está na subordinação do êxito individual ao projeto estratégico do Coletivo, garantindo a sobrevivência e o crescimento da organização.
O Centralismo Democrático: O Escudo Contra a Desagregação
O princípio do Centralismo Democrático é o alicerce filosófico e estatutário que sustenta a capacidade de uma organização de vanguarda de atuar de forma coesa e estratégica. Sua aplicação transcende o plano eleitoral, tornando-se uma ferramenta de gestão política e social em todos os espaços onde a organização exerce influência.
O “caos” que se manifesta como individualismo, oportunismo e carreirismo prospera exatamente onde o Centralismo Democrático é flexibilizado ou negligenciado, permitindo que a luz do quadro ofusque e se desvincule do Coletivo. A disciplina imposta por este princípio deve garantir:

  • Democracia na Decisão: Amplo debate interno e direito à crítica antes que a posição seja definida.
  • Centralismo na Execução: Uma vez definida a linha (seja uma política no MCTI, uma estratégia sindical em uma Central ou o plano de governo em uma Prefeitura), todos os militantes — e seus espaços de poder — devem defender e executar a posição coletiva publicamente.
    Quando um quadro em um mandato eletivo, em uma estatal ou em uma direção sindical age por “espontaneidade individual” ou utiliza o espaço de poder para um “carreirismo perspectivo”, ele rompe esta unidade e, de fato, contribui para o enfraquecimento da organização que o projetou.
    A Extensão da Disciplina aos Espaços de Liderança Orgânica
    A unidade não é testada apenas nas eleições, mas no dia a dia da execução do poder:
    | Espaço de Conquista e Liderança | O Risco do Caos (Individualismo/Utilitarismo) | A Exigência do Centralismo (Unidade) |
    |—|—|—|
    | Poder Executivo: MCTI, Secretarias, Autarquias, Empresas Estatais, Governos Estaduais e Federal | O líder orgânico se isola em sua gestão, utilizando o aparelho estatal como meio para seu projeto pessoal, sem devolver recursos, inteligência e visibilidade ao Coletivo. | A gestão deve ser integralmente subordinada ao Comitê Político da organização, com relatórios constantes, compartilhamento de informações estratégicas e uso dos espaços para a formação e ampliação da influência do Partido. |
    | Mandatos Eletivos: Todos os Níveis | O eleito adota a lógica do personalismo midiático, transformando o mandato (que é do Coletivo) em sua propriedade privada, priorizando sua marca em detrimento da linha programática. | O mandato deve ser exercido como um Mandato Coletivo, com prestação de contas periódica, alinhamento total da agenda e uso da estrutura para a mobilização da militância e da base social. |
    | Entidades de Classe: Centrais Sindicais, Federações, Sindicatos, Associações | O líder orgânico se dissolve na burocracia do movimento social ou sindical, perdendo a combatividade classista e ignorando a direção política da vanguarda. | A linha da entidade deve ser articulada e fiscalizada pelo Coletivo da vanguarda, garantindo que o espaço de representação de classe seja um instrumento tático a serviço da estratégia política maior da organização. |
    A saída de quadros de projeção é a prova mais dolorosa da falha na aplicação dessa disciplina. O êxito individual que não se traduz em êxito orgânico para o Coletivo é um sinal de que a lógica burguesa do carreirismo venceu a lógica revolucionária do Centralismo.
    Conclusão: A Luta pela Integralidade
    A sobrevivência, a consolidação e o crescimento da vanguarda exigem que a ação seja organizada e integral, jamais individual e espontânea. Os instrumentos estatutários de acompanhamento (reuniões de célula, Comitês de Direção, prestação de contas) não podem ser meros formalismos; devem ser a força coercitiva da unidade.
    A disciplina de uma organização de vanguarda que atua em todos os níveis do poder deve ser a subordinação consciente do militante à estratégia coletiva. Este é o único caminho para que o esforço em áreas estratégicas – seja no fomento à microeletrônica no MCTI ou na condução de um sindicato – reverta-se no fortalecimento e na visibilidade do Coletivo, transformando a vitória individual em um ativo para a luta de classes.
    Referências Bibliográficas e Estatutárias
  • Estatutos da Organização de Vanguarda. [Referência estatutária fundamental para a análise do Centralismo Democrático, deveres do militante e a relação entre o quadro eleito/nomeado e o Coletivo Partidário].
  • Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Art. 17 (Dos Partidos Políticos). [Referência constitucional que garante a autonomia para que a organização estabeleça seus mecanismos de disciplina interna].
  • Lênin, V. I. O que fazer? (1902). [Referência teórica sobre a necessidade de uma organização de vanguarda coesa, disciplinada e combativa, capaz de superar o espontaneísmo].
  • Lênin, V. I. Um passo à frente, dois passos atrás. (1904). [Referência teórica sobre a importância do centralismo e da disciplina para a unidade tática e estratégica].
  • Gramsci, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Diversas edições). [Referência teórica para a compreensão do Partido como Intelectual Coletivo e a luta contra o oportunismo na formação de quadros dirigentes].

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