A Chantagem do Mercado: Soberania não é Custo, é Liberdade Por: Um Observador Classista e Militante
A manchete é sempre a mesma, apenas a roupagem muda: “Com retomada econômica dos EUA, isolamento do Brasil vai custar caro.” Essa frase não é uma análise econômica neutra; é uma ferramenta de chantagem política utilizada pela elite do atraso, seus rentistas e seus vassalos políticos, incluindo o bolsonarismo.O objetivo é claro: desestabilizar governos democráticos que ousam buscar caminhos próprios e forçar o Brasil a se ajoelhar perante o “Império do Caos” e seus “vassalos do Ocidente Coletivo”. Para os trabalhadores e o povo brasileiro, é crucial compreender e desarmar essa armadilha.O Mito do “Custo Caro” e a Farsa do “Isolamento”O argumento central da elite do atraso opera em duas frentes: * A Projeção do Medo: Eles usam a retomada econômica ou a estabilidade do capitalismo central (como nos EUA) não como uma oportunidade de crescimento global, mas como uma ameaça. A mensagem é: “Se você não fizer exatamente o que nós queremos, o capital fugirá e você pagará o preço.” * A Redefinição da Soberania: O termo “isolamento” é a chave da farsa. Para a elite, “isolamento” significa qualquer política externa que não seja o alinhamento automático e servil aos interesses de Washington e do capital financeiro internacional. No entanto, o que eles chamam de “isolamento”, a militância classista chama de autonomia e diversificação de parceiros.O verdadeiro “custo caro” que a elite teme não é para o país, mas sim para o seu próprio lucro fácil. O custo caro é a perda da capacidade de chantagear o governo para impor reformas regressivas – como a privatização do patrimônio nacional, a desregulamentação do trabalho e a austeridade fiscal que esmaga os serviços públicos.Para Quem Serve a Chantagem?A chantagem é uma arma ideológica que serve a três grupos principais: * Os Rentistas Nacionais: Aqueles que vivem da renda financeira e da especulação. Eles lucram com a dependência do Brasil ao ciclo de juros e capitais internacionais, pressionando por taxas de juros altíssimas que transferem a riqueza produzida pelo trabalho para o sistema bancário. * A Elite do Atraso: A burguesia interna que se associou ao capital externo e que não tem projeto de desenvolvimento soberano. Eles se contentam em ser intermediários, vendendo recursos primários e aceitando a posição do Brasil como país periférico e fornecedor de mão de obra barata. * Os Golpistas e a Extrema-Direita (Bolsonarismo): Estes usam a desestabilização econômica (real ou fabricada) como plataforma política. A crise (ou a ameaça dela) é o fermento que lhes permite justificar o autoritarismo e a restrição de liberdades democráticas como o único meio de “salvar a economia”. A agenda autoritária é, na verdade, a garantia de que as políticas neoliberais de submissão do país serão implementadas sem resistência popular.Desarmando a Armadilha: A Resposta ClassistaA única forma de desmontar essa chantagem é expor seu mecanismo de classe e defender um projeto nacional que priorize o trabalhador: * Soberania é Desenvolvimento: O Brasil deve aprofundar a parceria com o Sul Global (BRICS, América Latina, África). Isso não é ideologia; é a única forma pragmática de construir cadeias produtivas independentes, gerar empregos industriais de alta qualidade e reduzir nossa vulnerabilidade às crises do centro capitalista. * O Foco na Produção, Não na Especulação: O governo democrático deve ser apoiado na sua busca por atrair capital produtivo (que gera fábricas e empregos) e não capital especulativo (que é volátil e só busca lucro rápido). O desenvolvimento de longo prazo exige investimento estatal e controle sobre os setores estratégicos. * A Constituição é o Nosso Escudo: O povo deve se apoiar nos princípios da Constituição Federal de 1988, que determina que a Ordem Econômica tem por finalidade assegurar a existência digna (Art. 170), e que a soberania nacional é um de seus fundamentos (Art. 1º). A chantagem do “isolamento” é, na verdade, um ataque direto à soberania e à dignidade do povo brasileiro.Lutar contra a narrativa de submissão é lutar pelo emprego, pelo salário e pelo futuro do país. O verdadeiro patriotismo é defender o Brasil das elites que querem vê-lo de joelhos.Referências Constitucionais e Bibliográficas RelevantesReferências Constitucionais (Brasil) * Constituição Federal de 1988: * Art. 1º, Inciso I: Fundamentos da República Federativa do Brasil: A Soberania. (Base para a autonomia nacional). * Art. 3º, Inciso III: Objetivos Fundamentais da República: Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. (Base para políticas internas que superem a austeridade do mercado). * Art. 4º, Inciso I e IX: Princípios de Relações Internacionais: Independência Nacional e cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. (Base legal para a diversificação de parceiros e a política Sul-Sul). * Art. 170: Ordem Econômica: Tem por fim assegurar a existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados, entre outros, a função social da propriedade e a busca do pleno emprego. (Contrapõe-se à prioridade absoluta do lucro rentista).Referências Bibliográficas (Para Análise Crítica) * Furtado, Celso. Formação Econômica do Brasil. (Essencial para entender a estrutura histórica da dependência e do subdesenvolvimento brasileiro). * Prebisch, Raúl; e a Teoria da Dependência (Vários autores, como Vânia Bambirra e Theotônio dos Santos). (Análise fundamental sobre como a economia do “centro” se desenvolve à custa da “periferia” e a necessidade de industrialização autônoma). * Gramsci, Antonio. Cadernos do Cárcere. (Para a compreensão dos conceitos de hegemonia e como a classe dominante usa a cultura e a ideologia (incluindo a econômica) para manter seu poder sem a necessidade de força bruta). * Chomsky, Noam. Hegemonia ou Sobrevivência: A Busca dos EUA pelo Domínio Global. (Para entender a política externa do “Império do Caos” e como ela impõe a submissão aos países).
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