A trajetória do ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal (STF), de jurista indicado por um governo progressista a “esperança” da ultradireita, é um caso paradigmático das consequências catastróficas da confusão ideológica no campo da esquerda. A ilusão de que é possível dividir assentos na mesa do poder com a velha e arcaica elite do atraso, violenta em sua natureza, leva a uma submissão ao império do caos e ao abandono dos princípios de classe.
O movimento sindical e o governo que o indicou, embalados pela crença na conciliação de classes, agiram como o bondoso e ingênuo sapo. O sapo, ao ver a tarântula se aproximar de uma enxurrada, a socorre, ignorando a natureza traiçoeira da aranha. A tarântula, que se “aliou” ao sapo em um momento de perigo, o picou, pois sua natureza é trair. A ilusão de que se pode neutralizar a burguesia e sua elite jurídica se sentando à mesa com ela é um erro fatal.
A Confusão Ideológica: A Armadilha da Conciliação de Classes
Na política, uma aliança tática é uma união momentânea de forças para um objetivo específico e limitado, mantendo a autonomia e os princípios de cada lado. Já a conciliação de classes é a crença de que os interesses dos trabalhadores e dos capitalistas podem coexistir harmoniosamente, diluindo a luta em prol de uma suposta paz social. O caso de Luiz Fux demonstra que o que parecia ser uma aliança tática se revelou uma conciliação que levou a uma derrota estratégica.
- A Ilusão da Neutralidade: O erro da esquerda foi acreditar que as instituições do Estado burguês, como o STF, são neutras. Acreditou-se que a “competência técnica” de um jurista e sua suposta “sensibilidade social” seriam suficientes para garantir uma atuação minimamente favorável aos trabalhadores. Mas a experiência mostra que a burguesia não joga por regras, mas sim por interesses.
- O Habitus da Elite do Atraso: Fux, mesmo com origem de classe média, foi rapidamente absorvido pelo habitus da elite do poder judiciário. Sua ambição pessoal de ascensão falou mais alto do que qualquer compromisso com a base que o indicou. Ele se moveu de acordo com as correlações de força do poder e, com a ascensão da ultradireita, alinhou-se ao establishment que o acolheu. Sua lealdade é, acima de tudo, ao sistema que o promoveu.
As Consequências Catastróficas: A Tarântula no Poder
A traição não se manifesta apenas em um ato. No caso de Fux, ela foi revelada em sua atuação como relator no mensalão, onde se tornou um dos principais carrascos do partido que o indicou, ganhando o capital político que o “redimiu” perante a direita. Em vez de defender a justiça social, ele se tornou um guardião da instituição, um operador do sistema, que, quando pressionado, se revela conservador.
A ultradireita o enxerga como um pragmático conservador, previsível e avesso a aventuras que possam desestabilizar o núcleo duro do poder. O ministro se tornou um “herói” da ultradireita porque ele é, e sempre foi, um homem do establishment jurídico. A confiança que a burguesia e o latifúndio depositam nele não é por sua ideologia, mas por sua natureza, que é a de defender o sistema que o criou.
A lição é clara. O movimento sindical e as forças progressistas não podem se iludir. As instituições do Estado burguês não servem aos trabalhadores. A luta de classes não termina com uma eleição ou com a ocupação de assentos no poder. É um processo constante. A confusão ideológica, que leva a crer que se pode dividir o poder com a burguesia, é uma armadilha que leva à derrota. - A elite do atraso não tem alma. A única coisa que ela entende é o poder e a submissão.
- A luta de classes não é negociável. A história de Luiz Fux é um lembrete cruel de que a natureza da tarântula é trair. E o sapo, se não aprender a nadar sozinho, será picado.
Referências Relevantes - Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: especialmente os artigos que tratam do Poder Judiciário (art. 92 a 126), para entender as funções constitucionais dos ministros.
- Artigo acadêmico “O Judiciário e a Luta de Classes no Brasil: uma análise crítica”, de autores como Alysson Mascaro ou Ricardo Antunes, que oferecem uma perspectiva marxista sobre o papel das instituições estatais.
- Artigo “A Tese da Conciliação de Classes no Brasil”, de Florestan Fernandes.
- Livros de autores como Jessé Souza (“A Elite do Atraso”), para entender a formação histórica das classes dominantes no Brasil.
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