Como militante classista, acompanho com profunda preocupação os movimentos do imperialismo em nossa região. A ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, mascarada sob o pretexto de combate ao narcotráfico, não é um evento isolado. É um capítulo de uma longa história de agressão e dominação, um reflexo do desespero de um “império do caos” em franco declínio que aposta no roubo do petróleo e na subjugação dos povos para manter sua hegemonia.
O material em debate, com as análises do g1, a voz de resistência da deputada Tânia Díaz e a postura firme do presidente Nicolás Maduro, nos oferece um quadro claro. A mobilização militar dos EUA não se justifica pelo combate às drogas, como bem mostra o relatório da ONU. Sua verdadeira natureza é revelada por seus próprios objetivos: o controle sobre as imensas reservas de petróleo da Venezuela e a contenção da influência da China e da Rússia na América Latina.
A declaração de Tânia Díaz de que a Venezuela é alvo de uma “guerra multimodal” ou “híbrida” ressoa com a nossa visão de mundo. Não se trata apenas de tanques e mísseis, mas de um cerco econômico, uma guerra de propaganda e uma campanha para desestabilizar o governo e, em última instância, submeter o povo venezuelano. A desconstrução da narrativa do “Cartel dos Sóis” como uma “ficção de Hollywood” é vital para desmascarar a farsa imperialista.
Nesse cenário, a resposta de Nicolás Maduro — “Não há como entrarem na Venezuela” — não é um blefe. É a expressão de uma nação consciente de sua soberania e disposta a defendê-la com a mobilização de seu povo. Essa postura firme serve como um farol para todos os países da América Latina: a única forma de resistir à agressão é a união e a defesa intransigente da autodeterminação.
É aqui que o nosso papel como brasileiros e militantes classistas se torna urgente. A ameaça à Venezuela é, em última análise, uma ameaça ao Brasil. Se o império se sente à vontade para intervir em nosso vizinho, não hesitará em fazê-lo em nosso país. A lógica é implacável: depois da Venezuela, virão o México, o Brasil e o restante da América Latina para fechar o pacote da dominação.
A nossa resposta deve ser imediata e implacável. Precisamos unir o povo brasileiro em defesa da soberania nacional, tendo a Constituição Federal como nossa bússola. A Constituição é clara ao defender nossa autonomia e ao exigir que a política externa seja pautada pela não intervenção e pela autodeterminação dos povos.
É nosso dever denunciar e combater os “traidores da pátria” que, por alinhamento ideológico ou por interesses financeiros, enfraquecem nossas defesas e se ajoelham diante do império. A luta de classes não se restringe às fábricas e ao campo; ela se manifesta na defesa da soberania, na recusa em ceder aos caprichos do imperialismo e na construção de um futuro onde nosso povo seja verdadeiramente livre.
É hora de mobilizar a sociedade organizada, criar conselhos de defesa da soberania e lutar para que a vontade do povo brasileiro prevaleça sobre os interesses do capital internacional. A nossa vitória está na união e na consciência de que a luta pela soberania é a luta pela nossa própria liberdade.
Referências Relevantes
- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988:
- Art. 1º (Soberania como fundamento da República)
- Art. 4º (Princípios das Relações Internacionais, como a não intervenção e a autodeterminação dos povos)
- Título V (Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas)
- Relatório Mundial sobre Drogas da ONU (2025): Para refutar a narrativa de que a Venezuela é a principal origem de drogas para os EUA.
- Artigos da imprensa:
- g1: “Cerco de Trump contra regime Maduro indica preparação para ‘intervenção militar’ dos EUA na Venezuela, diz analista”
- CartaCapital: “‘Não há como entrarem na Venezuela’, diz Maduro após mobilização militar dos EUA”
- Entrevista com a deputada Tânia Díaz: Disponível em youtube.com/live/JlhZMDIW7Ik?si=6nhwgFvy0bYa8IBY
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