A Ira do Império do Caos: Ataques à Soberania Brasileira e a Defesa de um Mundo Multipolar

As recentes ações dos Estados Unidos contra o Brasil, especialmente as tarifas protecionistas anunciadas por Donald Trump e as investigações sobre o Pix, revelam mais do que meras disputas comerciais. Elas são sintomas da ira de um império em declínio, que busca manter sua hegemonia global impondo o caos e a instabilidade a nações que ousam trilhar caminhos autônomos. A perspectiva da militância classista nos permite decifrar essas investidas como tentativas de reafirmar a subordinação periférica e frear o avanço de um mundo multipolar.
O “Tarifaço” de Trump: A Vingança da Hegemonia Deteriorada
A ameaça de sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, um “tarifaço” imposto sem justificativa econômica clara, é um exemplo contundente da política unilateral e coercitiva que caracteriza a fase atual do imperialismo. Sob a fachada de “práticas comerciais desleais”, o que se esconde é a intolerância à autonomia e a tentativa de punir nações que buscam diversificar suas parcerias e reduzir a dependência.
Para a classe trabalhadora brasileira, essa medida significaria a perda de empregos e a diminuição da competitividade de setores estratégicos, penalizando a base produtiva em favor de interesses externos. A reação do presidente Lula, ao denunciar o ato e reafirmar a soberania nacional, ecoa a necessidade histórica de o Brasil não se curvar a pressões externas que visam minar seu desenvolvimento autônomo. O expressivo apoio popular contra o tarifaço (72%, segundo pesquisa Quaest) demonstra que a sociedade brasileira compreende a dimensão política e anti-nacional dessa agressão.
O Ataque ao Pix: A Inveja da Autonomia Tecnológica Financeira
Mais insidioso ainda é o ataque ao Pix. A inclusão dos “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo” em uma investigação de “práticas comerciais desleais” revela a verdadeira agenda do império: minar a soberania tecnológica e financeira de outras nações. O sucesso do Pix no Brasil, com sua inclusão financeira massiva e a facilidade de transações, é uma ameaça direta ao oligopólio das grandes corporações financeiras e de tecnologia americanas (como as bandeiras de cartão de crédito e as plataformas como WhatsApp Pay).
Sob uma ótica classista, o Pix é uma conquista da luta pela desmercantilização de um serviço essencial e pela democratização do acesso a ferramentas financeiras. Ele representa uma quebra da lógica de extração de valor por intermediários privados, oferecendo uma alternativa eficiente e barata. O fato de o Pix ser uma alternativa ao dólar em algumas transações internacionais é o que realmente acende a “ira” imperial. A hegemonia do dólar não é apenas uma questão monetária, mas um instrumento de controle geopolítico que permite aos EUA ditar regras, impor sanções e monitorar fluxos de capital globalmente. Atacar o Pix é atacar um pilar de nossa soberania econômica em construção.
A Urgência de um Novo Plano Nacional de Desenvolvimento e a Afirmação do Sul Global
Diante da “ira do império do caos”, a resposta do Brasil deve ser inequívoca e estratégica. É imperativo que o Novo Plano Nacional de Desenvolvimento (NPND) seja implementado com a máxima urgência e profundidade, servindo como a principal ferramenta para:

  • Diversificar a economia: Romper com a dependência da exportação de commodities e investir massivamente em industrialização, ciência, tecnologia e inovação, agregando valor à nossa produção e garantindo empregos de qualidade.
  • Fortalecer a indústria nacional: Proteger e fomentar setores estratégicos para reduzir a vulnerabilidade a choques externos e construir uma base produtiva sólida e autônoma.
  • Aprofundar a integração Sul-Sul: Construir alianças sólidas com países da América Latina, África e Ásia, formando um bloco de poder capaz de negociar em termos de igualdade e de construir um sistema multilateral mais justo e equitativo. Isso inclui o desenvolvimento de infraestruturas e mecanismos financeiros próprios, independentes dos centros hegemônicos.
  • Afirmar a soberania digital e financeira: Defender e expandir o Pix, investindo em tecnologias nacionais e em uma arquitetura financeira que sirva aos interesses do povo brasileiro e do Sul Global, e não aos do capital transnacional.
    Conclusão: A Soberania se Conquista na Prática
    A “ira do império do caos” não é um sinal de força, mas de desespero diante da emergência de um mundo multipolar. As agressões contra o Brasil são tentativas de frear um movimento inevitável de redistribuição de poder global. Para a militância classista, a resposta não pode ser a submissão, mas a intensificação da luta pela soberania nacional e popular.
    Isso significa fortalecer as instituições democráticas, garantir a autodeterminação em nossos processos internos e externos, e, fundamentalmente, construir um projeto de desenvolvimento que priorize o bem-estar do povo brasileiro e a solidariedade entre os povos oprimidos. A verdadeira soberania não é um discurso vazio, mas uma prática diária de resistência e construção de alternativas à lógica do império. O grande dia será quando o Brasil, e com ele o Sul Global, puder respirar sem a asfixia das garras de um império em decadência.
    Referências Disponíveis e Relevantes (Sob uma Ótica Classista)
    A compreensão das ações do “império do caos” e a defesa da soberania brasileira exigem o constante recurso a marcos legais e análises críticas:
  • Constituição Federal de 1988:
  • Art. 4º – Princípios das Relações Internacionais: Fundamenta a postura do Brasil na defesa da independência nacional, autodeterminação dos povos, não intervenção e igualdade entre os Estados. Estes princípios são a base legal para a denúncia de qualquer tentativa de tutela ou coerção.
  • Art. 170 – Ordem Econômica: Define a soberania nacional como princípio da ordem econômica, ao lado da redução das desigualdades e da função social da propriedade. Isso valida a busca por um desenvolvimento autônomo e justo, em contraposição a políticas que beneficiam interesses externos.
  • Sugestões Bibliográficas e de Pesquisa (Essenciais para a Militância):
  • Celso Furtado. Formação Econômica do Brasil. (Para entender as raízes da dependência e os desafios históricos de um projeto nacional).
  • José Luís Fiori. Poder e Dinheiro: Uma Economia Política da Globalização. (Aprofunda a dinâmica do poder global e a ascensão de novas potências, crucial para entender o desespero do “império”).
  • Luiz Carlos Bresser-Pereira. Estado e Subdesenvolvimento Industrializado. (Oferece arcabouço para pensar o desenvolvimento autônomo e a superação do subdesenvolvimento).
  • Santiago Dantas. A Política Externa Independente. (Um clássico que inspira a busca por uma política externa altiva e não alinhada).
  • István Mészáros. Para Além do Capital. (Para uma compreensão profunda das contradições do sistema capitalista e as raízes da dominação imperialista).
  • Perry Anderson. A Mais Recente Teoria do Estado Capitalista. (Oferece insights sobre a relação entre o Estado e o capital, fundamental para entender as pressões externas).
  • Documentos e Relatórios de Think Tanks Progressistas e de Movimentos Sociais: Busque análises que desvendem as estratégias do imperialismo contemporâneo e proponham alternativas a partir da perspectiva dos povos do Sul Global.
  • Análises da Rede de Economistas e Juristas Progressistas: Para uma leitura crítica das políticas econômicas e comerciais e suas implicações para a soberania nacional.

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