A escalada recente de bombardeios contra lideranças militares, cientistas nucleares, infraestrutura e civis no Irã, interpretada por Teerã como uma “declaração de guerra” e já levada ao Conselho de Segurança da ONU, não é um evento isolado. Ela se insere em uma lógica de agressão e expansão que, longe de ser um fenômeno novo, revela a verdadeira face do sionismo: uma ideologia colonialista intrinsecamente ligada ao imperialismo capitalista em sua fase mais predatória.
Desde suas raízes, o sionismo demonstrou uma afinidade perturbadora com ideologias totalitárias. A análise histórica revela uma conexão profunda do sionismo revisionista de Vladimir Jabotinsky com o fascismo italiano nos anos 1930. Não é mera coincidência que Jabotinsky tenha fundado uma escola em Roma, onde membros do Betar – a organização juvenil sionista – vestiam camisas castanhas e eram doutrinados em preceitos fascistas. Mussolini, em 1934, formalizou essa aliança ao enquadrar militarmente o Betar, transformando-o em um esquadrão treinado na Academia Naval de Civitavecchia.
Essa conexão não foi fortuita; foi estrutural. O sionismo revisionista de Jabotinsky partilhava com o fascismo um culto à hierarquia militar, um anticomunismo visceral, um explícito projeto de limpeza étnica e a utilização de métodos paramilitares. A gênese de grupos terroristas como o Irgun, Betar, Haganah e Stern – que mais tarde formariam a base das Forças de Defesa de Israel – se deu nessas escolas e centros de treinamento fascistas, uma herança operacional e ideológica que, lamentavelmente, permanece visível até hoje.
A fundação do Estado de Israel em 1948, portanto, não foi um ato de libertação nacional, mas a concretização de um projeto colonial que serviu perfeitamente aos interesses geopolíticos das potências imperialistas. Como aponta Ghassan Saliba, a criação de um Estado sionista na Palestina visava estrategicamente dividir o mundo árabe, separando o Machrek do Magreb, um claro objetivo colonial. O caráter colonial do sionismo manifestou-se desde o início através da aliança com potências imperialistas (primeiro o Reino Unido, depois os EUA), da expulsão sistemática da população palestina nativa (a Nakba de 1948), da instauração de um regime de apartheid baseado em leis racistas e da contínua expansão territorial por meio de guerras de agressão.
Atualmente, o Estado de Israel representa a vanguarda do capitalismo em sua fase neofascista. A análise marxista nos ensina que o fascismo e o neofascismo são expressões defensivas do capitalismo em seus momentos de profunda crise estrutural. Nesse sentido, o sionismo israelense personifica a fusão entre neoliberalismo e neofascismo, combinando políticas econômicas ultraliberais com um regime político cada vez mais autoritário e racista, onde a militarização da sociedade é funcional tanto para a acumulação capitalista quanto para a opressão colonial.
Israel atua como um verdadeiro laboratório do capitalismo de vigilância. As tecnologias de repressão e controle testadas brutalmente nos territórios palestinos ocupados são subsequentemente comercializadas globalmente como “soluções de segurança”, integrando o complexo industrial-militar israelense à economia global. Como afirma Geraldo Tavares, o Estado de Israel é, em essência, “um porta-aviões dos EUA encalhado no deserto”, servindo como base militar avançada para a dominação imperialista dos recursos estratégicos do Oriente Médio. Sua economia de guerra permanente, com cerca de 10% do PIB dedicado a gastos militares, sustenta uma indústria bélica que depende intrinsecamente da contínua agressão aos povos da região para justificar seu crescimento e lucratividade.
Diante desse cenário, a militância classista encontra fundamentos sólidos para a construção de uma frente mundial contra o sionismo e o imperialismo. A história nos oferece lições cruciais: a resistência palestina demonstrou a necessidade da unidade na diversidade, aglutinando todas as forças progressistas. O internacionalismo proletário, que derrotou o nazismo em 1945 graças, em grande parte, ao Exército Vermelho soviético, é hoje mais vital do que nunca para unir os trabalhadores de todos os países contra o imperialismo.
É imperativo desmontar a propaganda sionista que cinicamente se apropria do Holocausto para justificar seus crimes. Historiadores “pós-sionistas” revelam que líderes sionistas, como Ben-Gurion, priorizaram a construção do Estado em detrimento do resgate de judeus durante o Holocausto. A solidariedade concreta, através de movimentos de boicote, desinvestimento e sanções (BDS), a denúncia de empresas cúmplices da ocupação e a pressão política sobre governos coniventes com Israel são ações essenciais. Devemos, ademais, resgatar a memória histórica dos partisanos que lutaram contra o fascismo, como Zina Portnova, Lyudmila Pavlichenko e Hannie Schaft, cuja coragem nos inspira na luta atual.
A escalada belicista de Israel contra o Irã é a confirmação mais recente da natureza expansionista e agressiva do projeto sionista, que não só ameaça os povos da região, mas a paz mundial. O sionismo, o fascismo e o nazismo são, como sua militância classista corretamente identifica, produtos da mesma raiz: o capitalismo imperialista em sua fase de crise terminal.
A construção de uma frente mundial dos povos exige a denúncia sistemática dos crimes de Israel como expressão do imperialismo, a unificação das lutas anti-sionistas, anti-fascistas e anti-capitalistas, o fortalecimento das alianças Sul-Sul contra a hegemonia ocidental e a articulação de um novo internacionalismo proletário capaz de enfrentar o capital financeiro globalizado.
Como demonstraram os combatentes da resistência judaica antifascista no gueto de Varsóvia, a luta contra a opressão não conhece fronteiras nacionais ou religiosas. O sionismo, como assinala Sternhell, “foi desde o início a preocupação de uma minoria”, enquanto a verdadeira tradição judaica sempre esteve intrinsecamente ligada à luta pela emancipação humana universal. A tarefa histórica que se impõe é clara: assim como o Exército Vermelho esmagou o nazismo em Berlim, cabe aos povos do mundo esmagar o sionismo em Jerusalém, desmantelando o último baluarte colonial do século XXI e abrindo caminho para uma verdadeira solução socialista na Palestina histórica.
Referências (Disponíveis e Relevantes no Texto Base):
- GHASSAN SALIBA, Vice-presidente do Comité Libanês para a Paz (citação no texto).
- GERALDO TAVARES (citação no texto).
- Sternhell (citação no texto).
- Análise histórica das conexões entre sionismo revisionista e fascismo italiano (menciona Jabotinsky, Mussolini, Betar, Irgun, Haganah, Stern).
- Análise marxista do fascismo e neo-fascismo como expressões defensivas do capitalismo em crise.
- Historiadores “pós-sionistas” (mencionados em relação à apropriação do Holocausto).
- Movimentos de resistência e figuras históricas (Zina Portnova, Lyudmila Pavlichenko, Hannie Schaft, combatentes da resistência judaica anti-fascista no gueto de Varsóvia).
Nota: As referências fornecidas no seu texto base são citações diretas ou menções a autores/grupos de pensamento.
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